Dueto A Força do Amor

Como herdeiro do trono, o príncipe Tair Al Sharif é movido pelo dever para com seu país. Para ele, as mulheres são apenas amantes.
E Molly James, com suas roupas sem cor e óculos de aros grossos, certamente não é do tipo que ele costuma seduzir.
Mas Tair fica ultrajado ao concluir que ela é, na verdade, uma sedutora disfarçada. Por isso, precisa ser detida antes que possa prejudicar sua família!
No entanto, ele logo descobre que Molly é, na verdade, inocente... em todos os sentidos...
Capítulo Um
Acreditava-se que Tair Al Sharif era um diplomata por natureza, mas as pessoas estavam enganadas.
Ele não era um diplomata, apesar de ter sido forçado a assumir esse papel em muitas ocasiões, por necessidade. Tanto não o era que, quando o olhar de seu primo mais uma vez passou dele para a jovem inglesa sentada do outro lado da mesa, sentiu vontade de lhe dar um bom chacoalhão e exigiu saber com o que pensava estar brincando.
— Como está seu pai, Tair?
O burburinho da conversa ao redor da mesa parou quando Tair desviou o olhar do perfil do príncipe de Zarhat e voltou sua atenção para o homem que era o governante hereditário daquele país.
— A morte de Hassan foi um baque muito grande para ele.
O rei suspirou e balançou a cabeça negativamente.
— Um homem não devia viver mais que seus filhos. Não é a ordem natural das coisas. Mas ele ainda tem você, Tair, e isso deve ser um conforto para ele.
Se seu pai sentisse algum conforto com aquilo, estava escondendo bem seus sentimentos. Um brilho irônico surgiu nos olhos azuis de Tair enquanto ele se lembrava da última discussão que tivera com o pai.
— Eu confiei em você e o que você fez, Tair? —A expressão no rosto do rei Malik se fechara no momento em que dera um soco na mesa, fazendo com que toda a pesada prataria pulasse. Anos atrás, quando ainda era um menino, Tair se esforçava para esconder sua reação diante das explosões imprevisíveis e às vezes violentas de seu pai, mesmo que tais atitudes de fúria descontrolada o enojassem. Mas, agora, ele não precisava se esforçar, pois a raiva de seu pai não mais o assustava, era apenas um pouco indesejada.
— Que pena que não foi você o atropelado no lugar de seu irmão. Ele sabia como ser leal e respeitoso a mim. Ele teria me ajudado nessa situação, e não tirado proveito de meu sofrimento para me atacar pelas costas.
— Eu tentei entrar em contato com o senhor em Paris.
O sofrimento de seu pai não havia interferido de maneira perceptível em sua vida social. O rei Malik descartou esse comentário balançando os dedos curtos e repletos de anéis, com um som de desdém saindo de seus lábios.
— Mas fui informado de que o senhor não devia ser perturbado. — Tair sabia que esse era apenas um código para informar que seu pai estava no meio de um jogo de pôquer.
O rei semicerrou os olhos ainda mais ao olhar para o filho que lhe restava, sem demonstrar qualquer sinal de afeição.— Seu problema, Tair, é que você não tem visão. Não pensa na situação geral, mas apenas em coisas como estações de tratamento de água...

