
Liddy tinha dois dilemas: de um lado precisava inocentar seus leões da acusação de assassinato.
Do outro precisava aplacar a fome que tinha em relação ao homem que amava, mesmo que isso significasse perder sua família.
Kevin desejou Liddy no primeiro momento em que a viu.
Porém dois obstáculos se interpunham no caminho para a realização de seu desejo: a cor de sua pele e o fato de que Kevin ser o líder do Clã de metamorfos “orgulho do Leão”.
Muitos humanos temem os metamorfos e Kevin acredita que Liddy pode estar entre eles, especialmente depois que a verdade for revelada: Não é um leão normal responsável pelos assassinatos e sim um metamorfo como ele.
Capítulo Um
Um desconforto subiu pela pele de Liddy Freeman enquanto o carro preto e branco da polícia parava em frente da janela do escritório dela.
Pela manhã ela tinha ouvido falar no noticiário sobre o mais recente ataque, e sabia que era só uma questão de tempo e os policiais estariam de volta ao Santuário dos animais para outra bateria de perguntas e respostas.
As respostas seriam as mesmas desta vez, como ocorrera nas últimas três vezes – Não estava faltando nenhum animal e tão pouco era permitido liberar esses animais para passeio e não estava mentindo para proteger ninguém.
Se os policiais observassem melhor, veriam que nenhum dos oito leões que tinham por casa o Santuário “Hanover Wild” seria responsável pelos ataques.
Dado o clima de inverno, lá fora as chances de um leão sobreviver seriam de muito pouco tempo, o mais provável seria que o atacante não fosse um leão normal, mas um metamorfo.
Os residentes de Hanover acreditavam naquela possibilidade como os policiais também sugeriram algo dessa natureza.
Os metamorfos viviam entre os humanos sob várias formas - Tigres, ursos e até leões. Não era um fato que poderia ser descartado, era bem plausível.
De acordo com Annette Freeman, a mãe de Liddy e prefeita de Hanover, procurar por metamorfos em Hanover seria como procurar agulha no palheiro, pois eles não seriam loucos de se aventurar dentro das cinco milhas que cercam a cidade, Hanover é uma cidade pacata, e uma cidade pacata muitas vezes não supre as necessidades genéticas de ninguém, nem mesmo de seres humanos que dirá de mutantes .
Liddy bufou em pensamento. Se a mãe dela soubesse...
Uma batida soou na porta do escritório, e a recepcionista do santuário colocou a cabeça loira na sala.
― Detetive Riggs está aqui para vê-la.
―Grande surpresa. Liddy forçou um sorriso. ― Obrigada, Ann. Pode voltar e diga-lhe para entrar.
Em poucos instantes Tanner Riggs entrou em seu escritório.
Estava mais bronzeado, ele esteve fora por um tempo investigando outros ataques.
Ele parecia ser aquele policial tipicamente do bem.
Ela o fitou dentro dos olhos azuis, depois observou os cabelos castanhos e a face esculpida. Porém, sua presença a incomodava, ele tinha uma aura estranha, olhar para ele não era tão atrativo assim, e de certo modo nem mesmo sua mãe poderia lhe dizer o que estava errado.
Tanner entrou na sala e retirou o boné. Olhou à cadeira na frente da escrivaninha dela, entretanto permaneceu em pé.
― Bom dia, Senhorita Freeman.
Não, aquele não era um bom dia.
Não depois de ter em sua sala um policial de frente para sua mesa. Ela nem mesmo tinha terminado sua primeira xícara de café, aquilo era constrangedor.
Lutando para manter o sorriso em seus lábios, Liddy inclinou a cabeça cumprimentando-o. ― Detetive Riggs. O que posso fazer por você hoje?
Ele lhe lançou um olhar como que dizendo “você sabe por que estou aqui”, entretanto falou:― Aconteceu outro ataque. Do mesmo jeito dos outros, as mesmas marcas.
O corpo está sendo periciado, para averiguar as impressões, entretanto está bem claro o que culpar.

Antologia Leões, Tigres e Ursos
1- Olho de Leão
2- Olho de tigre
3- Coração Escondido
Antologia concluída

