Um romance impossível, criando momentos inesquecíveis!
A brisa soprava como um mero sussurro em meio aos altos ciprestes e a lua iluminava o jardim com seus raios de prata.
Uma noite que convidava ao romance.
Nos braços de Alain, Jassy conheceu a paixão avassaladora.
Mas aquele homem era seu inimigo. Não estava interessado nela e sim na herança que recebera.
Como resistir ao encanto de uma noite gloriosa, ao lado de um homem que irradiava sedução?
Só por esse momento esqueceria quem era Alain. Depois... Ah, depois era o futuro, e o presente é que importava...
Capítulo Um
Lá fora, a chuva havia parado. Dois degraus de pedra subiam um leve vapor provocado pelo sol, e, depois da pouca luminosidade no interior da igreja, a claridade brilhante de uma tarde de julho em Biarritz era quase um golpe físico.
Jassy respirou fundo, não só para limpar os pulmões da atmosfera saturada de lírios e incenso, mas, também para superar a sensação de sufocamento que a acompanhava desde a morte de Armand.
Toda aquela vitalidade, as buzinas dos automóveis no bulevar Leclerc, os iates e surfistas no mar, a distância, a revoada de pombos na praça Saint Eugénie, os riscos e o tinir dos copos de vinho provenientes da janela aberta do La Baleine Bleue, do lado oposto, parecia incongruente, até um pouco cruel, quando pensava que aquele homem idoso, tão alegre, amante da vida, apesar da moléstia debilitante, havia saído de cena para sempre...
Ela piscou para afastar as lágrimas e encontrou o olhar sardônico do homem que acabava de surgir no pórtico. Ele ficara sentado bem à frente, na igreja, junto com os membros da família, quase escondido dela por um dos pilares. Jassy enxergava apenas a parte de trás de sua cabeça, porém algo nele a atraía. E, naquele momento, vendo-o por inteiro, pensou "é Armand, só que quarenta anos mais jovem".
O rosto liso, sem rugas, os cabelos pretos, as feições fortes, a posição arrogante da cabeça sobre os ombros aprumados eram inconfundíveis.
Deveria ser Alain, sobrinho de Armand, recém-chegado de Nova York, de onde controlava o ramo norte-americano do império da família. Por sobre os ombros de alguém, fixou-se de novo aquele olhar cinzento, de aço, desviando os olhos em seguida, confusa. Sob a dureza exterior de Armand Deville, ao menos para ela, ocultava-se um certo enternecimento, mas aquele homem não demonstrava possuir a mínima dose de ternura por quem quer que fosse.
Por trás dela, o resto da família, ou matilha, como Armand, em particular, referia-se a eles, ia se espalhando, os homens em seus ternos escuros, as mulheres de preto, bem vestidas, secando os olhos de quando em quando, num gesto obrigatório, com lenços debruados também de preto.
Jassy sentiu mais uma vez o aroma forte de Milady, o carro-chefe da Perfumaria Deville com o qual todas as mulheres pareciam ter se banhado, presumivelmente num gesto de despedida ao fundador da empresa familiar. Quanta hipocrisia! Bem no fundo, debaixo de toda a dor que sentia, percebeu a raiva ferver. Deu-lhes as costas, os lábios apertados.
Diante daquela ostentação de riqueza, Jassy se sentia fora de lugar corri a blusa branca e a saia reta de linho azul-marinho. Quando as limusines cinzentas se aproximaram dos degraus de pedra, ela deu um passo para trás. Talvez devesse ir embora naquele momento, sem chamar a atenção.
— Mademoiselle Powers!


