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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Visitante Noturno

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 

Com o coração batendo alucinado, Charly Erickson enlaça o pescoço de Carson Tanner e abandona-se à volúpia de seus lábios famintos. 

Toda vez que o estranho hóspede a quem acolheu numa madrugada tempestuosa a estreita nos braços fortes, Charly não consegue resistir. 
Mesmo sabendo que não deve se envolver com ele. 
Sobre esse homem enigmático e solitário correm boatos de que seria um temível criminoso. 
E se for verdade? 

Capítulo Um 

Nada se movia na pálida madrugada que começava a iluminar as árvores nuas, os campos desertos e o manto branco da neve que cobria o chão. 
Estava tão frio que o homem, gelado e endurecido de cansaço, imaginava por que fazia tanto sacrifício por causa de uma coruja. 
Os pulmões lhe doíam a cada inspiração do ar. 
A ave recuou à frente dele, afastando-se cerca de cinco metros, fazendo-o xingar baixinho. 
A coruja sabia que estava sendo perseguida e não tinha a menor intenção de deixar-se capturar. 
Embora estivesse gravemente ferida, conseguia manter uma distância segura de seu perseguidor. 
Os movimentos dele eram prejudicados pelos sapatos especiais para neve, que o impediam de andar depressa. Aquela noite seria inesquecível. 
O caçador estava acostumado ao cansaço e ao frio enregelante, mas jamais se habituara a que desafiassem seu orgulho. A coruja media forças com ele por um tempo longo demais. Quase catorze horas. 
E estava vencendo, embora nem pudesse voar. 
O sangue congelara em sua asa ferida, tornando-a pesada, mas a dificuldade não a impedia de fugir em saltos curtos, porém muito mais rápidos que os passos lentos do homem que abria caminho na neve de sessenta centímetros de altura. 
Se não fosse tão inacreditavelmente linda, ele já teria desistido. 
Não só era bela, como valia muito. 
As grandes corujas-das-neves tornavam-se cada vez mais raras naquela região de Minnesota. 
Ele vira muitas delas quando menino, mas nenhuma podia se comparar àquela.
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