Mostrando postagens com marcador Violência. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Violência. Mostrar todas as postagens

domingo, 11 de maio de 2014

Violência

ROMANCE CONTEMPORÂNEO





Com os passos traiçoeiros de um felino, o homem entra no quarto e caminha até a cama.

Tomado de ódio e excitação, durante alguns segundos contempla sua bela vitima, adormecida entre os lençóis, com um olhar repleto de desejo, maldade e malícia.
Joga-se sobre Clare como um selvagem, arrancando-a de um sonho e atirando-a num horrível pesadelo.
Humilhada, espancada, violentada...
Muito tempo há de passar, antes que ela aceite novamente o sexo e tolere as mãos de um homem em seu corpo. Antes que ela finalmente, encontre o grande amor que a libertará dos traumas do passado.
A história de uma mulher que renasceu para o amor!

Capítulo Um

Às vezes Clare tinha a sensação de que trabalhava numa Torre de Babel, principalmente quando participava de reuniões em que se discutia a melhor forma de fazer uma campanha publicitária para algum cliente novo. Todos falavam ao mesmo tempo, aos gritos, numa verdadeira balbúrdia.
Larry havia conseguido reunir um grupo bastante criativo: redatores, homens de criação, ilustradores, todos muito inteligentes mas igualmente vaidosos.
 Naquelas reuniões, cada um insistia em fazer prevalecer sua ideia, convencido de que era melhor que os demais. A um leigo, pareceria impossível que se obtivessem bons resultados com tal elenco de estrelas, mas no final tudo acabava dando certo. Quando os ânimos se exaltavam demais, Larry falava mais alto e punha ordem no tumulto.
— O que se quer é uma mensagem simples e direta — argumentou o diretor de arte, Phil Dalby.
— Mas não tão simples. . . — contrapôs Ian, mais aborrecido por suas sugestões terem sido ignoradas do que por não concordar com a proposta de Phil.
— Olhem só para isto — continuou o diretor de arte, sem dar atenção ao comentário e exibindo o lay-out de uma peça publicitária.
Durante alguns instantes, os outros examinaram o trabalho, em que se via uma dona-de-casa radiante, cercada de crianças e com uma pilha de roupas muito brancas nos braços. As avaliações foram as piores possíveis:
— É uma coisa assim. . . elementar.
— A meu ver, é completamente inadequado ao que se pretende.
— O estilo é o mesmo daqueles anúncios de quarenta anos atrás.
— Parece o comercial de uma creche — declarou uma voz grave, num tom que silenciou o ambiente.
Os olhares se voltaram em direção à porta e imediatamente um sorriso forçado apareceu em cada semblante. Larry havia chegado. Chegar não era exatamente o termo, porque Larry Hillier nunca chegava simplesmente. Ela irrompia nos lugares e nas situações como uma bomba, reestruturando drasticamente tudo que encontrasse pela frente.
Clare ficou olhando enquanto ele atravessava a sala, sentindo-se como se estivesse num circo, assistindo ao número do domador de leões. Ao estalar do chicote, as feras se encolhiam, paravam de rugir e se comportavam como pacíficos gatinhos.
O domador sorria, mas não deixava de vigiá-las um só segundo, pois sabia que, na primeira oportunidade, elas saltariam em seu pescoço, dispostas a fazê-lo em pedaços.
Alto, esbelto, a expressão decidida no rosto bronzeado, Larry Hillier beirava os quarenta anos. Via-se que ali estava um homem acostumado a enfrentar a vida de peito aberto, sempre à procura de desafios.
Parecia gostar do ofício de domador, sobretudo quando lançava mão de artimanhas para transformar as feras em gatinhos aparentemente inofensivos. Clare não sabia definir o que sentia em relação a ele: admiração, simpatia, aversão. Apenas constatava que, sempre que o via, era como se houvesse levado um choque elétrico.
— Qual é o problema? — quis saber o recém-chegado, sentando-se à cabeceira da mesa.
— Já viu o projeto que Ian...