Com os passos traiçoeiros de um felino, o homem entra no quarto e caminha até a cama.
Tomado de ódio e excitação, durante alguns segundos contempla sua bela vitima, adormecida entre os lençóis, com um olhar repleto de desejo, maldade e malícia.
Joga-se sobre Clare como um selvagem, arrancando-a de um sonho e atirando-a num horrível pesadelo.
Humilhada, espancada, violentada...
Muito tempo há de passar, antes que ela aceite novamente o sexo e tolere as mãos de um homem em seu corpo. Antes que ela finalmente, encontre o grande amor que a libertará dos traumas do passado.
A história de uma mulher que renasceu para o amor!
Capítulo Um
Às vezes Clare tinha a sensação de que trabalhava numa Torre de Babel, principalmente quando participava de reuniões em que se discutia a melhor forma de fazer uma campanha publicitária para algum cliente novo. Todos falavam ao mesmo tempo, aos gritos, numa verdadeira balbúrdia.
Larry havia conseguido reunir um grupo bastante criativo: redatores, homens de criação, ilustradores, todos muito inteligentes mas igualmente vaidosos.
Naquelas reuniões, cada um insistia em fazer prevalecer sua ideia, convencido de que era melhor que os demais. A um leigo, pareceria impossível que se obtivessem bons resultados com tal elenco de estrelas, mas no final tudo acabava dando certo. Quando os ânimos se exaltavam demais, Larry falava mais alto e punha ordem no tumulto.
— O que se quer é uma mensagem simples e direta — argumentou o diretor de arte, Phil Dalby.
— Mas não tão simples. . . — contrapôs Ian, mais aborrecido por suas sugestões terem sido ignoradas do que por não concordar com a proposta de Phil.
— Olhem só para isto — continuou o diretor de arte, sem dar atenção ao comentário e exibindo o lay-out de uma peça publicitária.
Durante alguns instantes, os outros examinaram o trabalho, em que se via uma dona-de-casa radiante, cercada de crianças e com uma pilha de roupas muito brancas nos braços. As avaliações foram as piores possíveis:
— É uma coisa assim. . . elementar.
— A meu ver, é completamente inadequado ao que se pretende.
— O estilo é o mesmo daqueles anúncios de quarenta anos atrás.
— Parece o comercial de uma creche — declarou uma voz grave, num tom que silenciou o ambiente.
Os olhares se voltaram em direção à porta e imediatamente um sorriso forçado apareceu em cada semblante. Larry havia chegado. Chegar não era exatamente o termo, porque Larry Hillier nunca chegava simplesmente. Ela irrompia nos lugares e nas situações como uma bomba, reestruturando drasticamente tudo que encontrasse pela frente.
Clare ficou olhando enquanto ele atravessava a sala, sentindo-se como se estivesse num circo, assistindo ao número do domador de leões. Ao estalar do chicote, as feras se encolhiam, paravam de rugir e se comportavam como pacíficos gatinhos.
O domador sorria, mas não deixava de vigiá-las um só segundo, pois sabia que, na primeira oportunidade, elas saltariam em seu pescoço, dispostas a fazê-lo em pedaços.
Alto, esbelto, a expressão decidida no rosto bronzeado, Larry Hillier beirava os quarenta anos. Via-se que ali estava um homem acostumado a enfrentar a vida de peito aberto, sempre à procura de desafios.
Parecia gostar do ofício de domador, sobretudo quando lançava mão de artimanhas para transformar as feras em gatinhos aparentemente inofensivos. Clare não sabia definir o que sentia em relação a ele: admiração, simpatia, aversão. Apenas constatava que, sempre que o via, era como se houvesse levado um choque elétrico.
— Qual é o problema? — quis saber o recém-chegado, sentando-se à cabeceira da mesa.
— Já viu o projeto que Ian...

