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quinta-feira, 29 de junho de 2017

Vingança no Paraíso

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


Nada a deteria em seu desejo de devolver a humilhação que sofrera

Ele a olhava com insistência. 
Era alto, moreno e incrivelmente bonito.
As outras mulheres no salão tentavam chamar-lhe a atenção, mas ele parecia ter olhos apenas para Lea, que, trêmula, queria fugir dali.
Momentos depois estavam no terraço, dançando sob o luar. 
Fascinado, ele só pensava em conhecer melhor a bela morena que tinha nos braços.
A mente de Lea, no entanto, revivia a cena da humilhação que ele a fizera sofrer quando era uma adolescente. E agora chegara o momento de fazê-lo pagar por isso!

Capítulo Um


Contemplando os pequenos grupos de pessoas bem vestidas espalhadas pelo salão cheio e enfumaçado, Lea Roman suspirou. Aquele não era mesmo o seu lugar. 
Uma viagem de trabalho às Bermudas pareceu-lhe fantástica na clausura de seu escritório editorial em Nova York, mas não havia contado com festas como aquela. Vince sempre dava um jeito de descobri-las. 
Ela deu as costas ao espetáculo com um leve murmúrio, os cabelos negros caindo-lhe sobre os ombros nus.
— Ei, Lea! Pare de se comportar como se o mundo houvesse desaparecido nesse copo de martíni e junte-se a nós. Venha se divertir. — Abatida, ela ouviu o exuberante sotaque londrino do fotógrafo atrás dela. — Pode ser a maior estrela da Eve’s Apple, mas não vai encontrar o tal de Mason até amanhã. Além disso, a revista não irá à falência se a chefe relaxar por uma noite. Para Lea não era fácil livrar-se do senso de responsabilidade, algo que o pai havia lhe ensinado desde muito cedo. Ainda bem que foi assim.  
Agradeceu por isso ao longo dos anos porque, quando ele morreu, deixando-a sozinha num país estranho, apenas uma adolescente, precisou de cada grama dessa iniciativa e integridade para sobreviver. 
Tudo bem para Vince, pensou, observando-lhe os cabelos claros, as feições um tanto infantis e à jovem loira e esguia que ele tinha ao lado.  Vince tivera tempo para encontrar distração desde que o avião ali aterrissara, mas ela não se sentia tão livre. Tinha a mesma idade de Vince Harris; entretanto, aos vinte e cinco anos, precisava lidar com problemas sérios, como a queda nas vendas de sua revista e industriais que não se deixavam entrevistar, bem como se recusavam a ver qualquer um da Apple que ocupasse um cargo inferior ao seu.
— Lembre-se de que teve sorte em não marcarem uma hora específica para a sessão de fotos com Mason. Poderia ter chegado num avião e ter voltado para casa no próximo — ela respondeu. — Certifique-se de estar por perto quando eu precisar — continuou, aconselhando-o com um tom de autoridade, embora um vago sorriso lhe atenuasse as feições e adicionasse calor a seus olhos verdes. Gostava de Vince.
O fato de ambos terem raízes inglesas levara a uma imediata simpatia entre os dois. Então Lea o colocara em sua equipe dois anos atrás, já que Vince era um excelente fotógrafo, o melhor que conhecera.
— E, ao contrário do seu bem-intencionado conselho... — Lea olhou para o copo que tinha nas mãos — voltarei para o hotel assim que terminar este drinque.
A música que começou a tocar era um rock lento e sensual, o que causou inquietação à garota que, com impaciência, agarrava-se ao braço de Vince.
— Está bem, doçura. — Ele encolheu os ombros e lançou um olhar de triunfo a Lea. — Você devia andar por aí também — recomendou com tato, num tom deliberadamente baixo, de modo que sua acompanhante não o ouvisse. — Sei que o trabalho vem em primeiro lugar e que os homens são um aspecto secundário em sua vida, mas lhe faria um bem enorme envolver-se com alguém...