Série Doces Vinganças

Ele a seduziu por vingança...
E agora teria de levá-la ao altar!
O multimilionário Vicenzo Valentini acreditava que Cara Brosnan desempenhara um papel importante na desgraça de sua irmã.
Por isso, não mediria esforços para fazê-la pagar, mesmo que tivesse de seduzi-la para depois revelar sua identidade e finalmente abandoná-la.
Mas Cara não havia feito nada de errado.
Chocada e arrependida por ter dado sua virgindade a um homem impiedoso como Vicenzo, ela descobriu que estava grávida!
E agora teria de atender a mais uma cruel exigência dele: o direito de possuí-la mais uma vez... desta vez como esposa!
Capítulo Um
Vicenzo Valentim permaneceu de pé por um longo momento, olhando para as feições frias de uma mulher morta.
Sua irmãzinha. Ela tinha apenas 24 anos. A vida inteira pela frente.
Todavia, não mais. Aquela vida fora roubada num horrível acidente de carro.
E ele chegara tarde demais para impedir isso, para protegê-la.
O que parecia um bloco de granito pesava em seu coração.
Ele devia ter seguido seus instintos e insistido que ela fosse para casa semanas atrás... Se o tivesse feito, teria percebido o perigo que sua irmã estava correndo.
O pensamento o fez cerrar os punhos quando dor e culpa o assolaram, com tanta força que Vicenzo tremeu com o esforço necessário para não extravasar seus sentimentos na frente do atendente do necrotério.
Tinha sido mantido longe deliberadamente.
Um estratagema cruel para garantir que ele não fosse ver sua irmã.
Quando pensou no quanto aquilo o fazia se sentir fútil, quis correr e fugir, esmagar alguma coisa.
Lutou para recobrar controle. Precisava levar sua irmã para casa.
Ele e seu pai vivenciariam o luto lá. Não nesse país frio, onde ela havia perdido a inocência, e sido conduzida por um caminho sombrio que levara ao trágico final.
Vicenzo estendeu uma mão trêmula e deslizou um dedo pelo rosto gelado de sua irmã.
A ação quase o desfez. O acidente não lhe marcara o rosto, e isso tornava a dor ainda mais difícil de suportar, porque, daquela forma, ela poderia quase ter oito anos novamente, agarrando a mão de Vicenzo com força.
Controlando-se, ele inclinou-se e beijou-lhe a testa sem vida. Endireitando o corpo, virou-se abruptamente, dizendo com voz sofrida:
― Sim. Esta é minha irmã. Allegra Valentini. ― Uma parte sua não podia acreditar no que estava acontecendo, que aquilo não passava de um horrível pesadelo.
Ele deu um passo atrás para permitir que o atendente subisse o zíper do saco de cadáver.
Vicenzo murmurou alguma coisa inteligível e saiu da sala, sentindo-se claustrofóbico, seguindo seu caminho através do hospital, querendo chegar do lado de fora e respirar ar fresco.
Embora isso fosse risível. O hospital ficava bem no centro nebuloso de Londres.
Do lado de fora, ele respirou fundo diversas vezes, inconsciente dos olhares que atraía com seu corpo alto e forte, feições bonitas e pele cor de oliva.
Parou como uma estátua exótica de masculinidade potente contra o pano de fundo do hospital na luz da manhã.
Contudo, não via nada além da dor em seu interior. O médico descrevera aquilo como um acidente trágico. Mas Vicenzo sabia que tinha sido muito mais que um acidente.
Duas pessoas haviam morrido na colisão: Allegra... sua irmã linda, correta e amada...
