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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Vingança de Amor

ROMANCE CONTEMPORÂNEO






Como num cartão-postal, a neve cobria a montanha e os pinheiros ao redor da cabana onde Julie Dever estava, dando a tudo uma impressão de paz e tranqüilidade.

Mas era uma impressão enganosa, que poderia levá-la a esquecer o perigo: estava sozinha com o jovem senador Nicholas Raffer, o homem que a socorrera após um acidente de carro, mesmo sabendo que ela o atacara em sua coluna de jornal.
E era uma presa fácil e indefesa, nas mãos daquele homem bonito e famoso, que não hesitaria um segundo em fazê-la pagar com beijos por seus ataques.
Julie não sabia se teria forças para resistir a ele, ainda que por algumas horas apenas.
Não sabia nem mesmo se queria resistir... 


Capítulo Um 

A última coisa de que Julie se lembrava, antes de sua perua Volvo derrapar na estrada que vai de Roswell a Ruidoso, no Novo México, e sair capotando pelo campo coberto de neve, era a risada alegre de sua amiga Pam McKinney, por causa de mais um dos comentários bobos que as duas vinham trocando, desde o início da viagem. 
Depois, surgiram as luzes cegantes de um carro que avançava na direção contrária, o primeiro veículo que encontravam em quase uma hora de tráfego por aquele trecho deserto e isolado do planalto, e, em seguida, a perua começou a deslizar sobre o chão coberto de gelo. 
Segundos eternos de um vazio horripilante encheram o mundo, terminando abruptamente numa explosão de dor. 
Um cheiro estranho atingiu a mente atordoada de Julie e ela sacudiu a cabeça, esforçando-se para raciocinar com lógica. 
“Gasolina!” Apavorada, Julie tentou ficar em pé, e a dor aguda em seu ombro avisou-a de que alguma coisa estava quebrada. 
O carro era uma caverna escura e, por um momento, ela ficou sem saber se estava de cabeça para cima ou para baixo, e em que rumo ficavam as portas e a salvação. 
— Pam — murmurou —, você está bem? 
O silêncio dominou a escuridão, misturado com o cheiro inconfundível de gasolina. Elas tinham que sair dali! 
Mas, onde estaria Pam? Em pânico, Julie correu as mãos pelo painel da perua, localizou as chaves e desligou o motor. 
Pela posição do volante, percebeu que o veículo estava inclinado para o lado oposto ao do motorista, e, arrastando-se entre a confusão de malas, roupas soltas e pacotes de alimentos, começou a procurar pela amiga. 
— Pam! — gritou. 
O desejo de que a amiga estivesse bem misturava-se com a dor no ombro e a necessidade urgente de escapar. 
— Pam, onde está você? De algum ponto no fundo da perua, veio um gemido abafado, e uma sensação incrível de alívio misturou-se ao desespero que Julie estava sentindo, pela situação em que se encontravam. 
Ao que parecia, Pam não estava totalmente consciente, e mesmo torturada pela dor que percorria seu corpo ao menor movimento, teria que tirá-la do carro ensopado de gasolina. E logo! Atordoada pelos vapores do combustível, Julie começou a se mover. 
De repente, um facho brilhante de luz rompeu a escuridão e a porta do lado do motorista foi aberta, deixando entrar uma rajada de ar frio. 
— Vocês estão bem? Podem se mexer? — perguntou uma voz grave e rouca, claramente preocupada. Julie entrecerrou as pálpebras, protegendo-se da claridade excessiva. 
Em algum lugar, além do facho de luz, brilhava um par de olhos assombrosamente azuis. Ela fez que sim e arrependeu-se logo em seguida, quando a dor originada pelo movimento percorreu-a com a intensidade de um choque elétrico. 
— Acho que sim — conseguiu dizer. 
— Meu ombro esquerdo... mas a minha amiga... Dá para você pegá-la? Acho que ela está inconsciente. 
O facho de luz deixou o rosto pálido de Julie e percorreu o interior do carro, parando na figura inerte amontoada na ponta do banco de trás, como se fosse uma boneca de trapos. A luz afastou-se, e a silhueta alta e forte de um homem delineou-se na porta. 
Quando ele se inclinou a seu lado, Julie sentiu um cheiro gostoso de madeira e tabaco chegar-lhe às narinas, depois cinco dedos quentes insinuaram-se pelo decote em “V” de seu suéter, tocando-lhe a pele. Por, um momento incrível ela não se moveu, totalmente à mercê do desconhecido. 
No entanto, havia alguma coisa incrivelmente reconfortante no modo delicado como os dedos dele tatearam a área acima de seu seio esquerdo... e alguma coisa incrivelmente estranha. 
— Você quebrou a clavícula — ele declarou. 
— A gasolina...