Ela queria vingança, mas rendeu-se ao desejo.
Para Tarn Desmond família é o mais importante. Por isso, quando o magnata Gaspar Brandon quase destrói a vida de sua irmã, ela decide se vingar. Infiltrada na empresa dele, Tarn consegue se aproximar de seu alvo. Gaz fica encantado pela nova funcionária, principalmente depois que ela resiste às suas investidas. Determinado, o sedutor magnata não poupará esforços para conquistá-la.
Tarn achou que conseguiria manter-se fria e focada no plano, mas acabou possuída pelo desejo.
Capítulo Um
Prólogo
Julho
Aquele apartamento era menor do que o antigo, mas agora parecia estranhamente vasto em seu vazio, um espaço ressonante, que o rejeitava como se fosse um intruso.
Parado na porta da sala, seus olhos percorriam inquietos os poucos móveis entregues durante a semana anterior.
Dois sofás compridos e muito macios de veludo verde, dispostos frente a frente, de cada lado da mesa de centro de carvalho polido feita sob encomenda. A estante, também em carvalho, a primeira de três encomendas do mesmo marceneiro. O grosso tapete bege, redondo e luxuoso, na frente da lareira esculpida em madeira.
Uma seleção bem pequena, mas escolheram tudo juntos, planejando acrescentar mais coisas depois — com o tempo.
Só que não havia tempo. Não mais.
Os músculos de sua garganta se contraíram dolorosamente, e ele cravou as unhas nas palmas das mãos, cerradas para reprimir o choro que ameaçava escapar-lhe dos pulmões.
E no final do corredor, atrás da porta fechada daquele outro cômodo, a cama. Lembranças nas quais não podia se permitir pensar.
Não sabia bem o que estava fazendo ali. Por que voltara. Deus sabia que não fora sua intenção.
Brendan e Grace o pressionaram a voltar e ficar com eles, mas não podia encarar a solidariedade deles, embora fosse genuína e bem-intencionada. Não podia digerir a ideia de ser tratado como se estivesse ferido. Ou se sentir como o completo idiota que sem dúvidas era.
Contraiu os lábios ao lembrar-se do bombardeio de flashes e perguntas o esperando do lado de fora do cartório enquanto descia as escadas sozinho. Não fora nem um pouco poupado, e no dia seguinte os jornais só falariam daquilo. Os tabloides provavelmente o colocariam na primeira página.
Mas havia questões que importavam bem mais do que a destruição de sua estimada privacidade.
Decisões teriam de ser tomadas, claro. Livrar-se dos móveis. Colocar o apartamento à venda. Essa era a parte fácil. Poderia ser feito a distância por outras pessoas, assim como os voos e reservas em um resort exclusivo nas Bahamas já tinham sido cancelados. O pedido especial de flores e champanhe suspenso. Os planos de fretar um barco para visitar outras ilhas esquecidos.
No entanto, recuperar-se da destruição em sua vida seria bem diferente. Mas podia pelo menos tentar começar.

