Mostrando postagens com marcador Vingança ás avessas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Vingança ás avessas. Mostrar todas as postagens

sábado, 16 de junho de 2012

Vingança Ás Avessas

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


Vestida para matar... 


No passado, Alllson Dean mal podia esperar para ir embora da cidadezinha que a fizera se sentir sem valor e desprezada. 


Agora, oito anos depois, e totalmente mudada, ela volta a
Tempest a fim de procurar uma locação ideal para um filme. 
É a oportunidade perfeita para perpetrar a vingança com a qual ela sonha desde que saiu dali, e vem a calhar para os seus planos que o rapaz que partiu seu coração também esteja de volta... 
Duncan Henry não costuma ser ignorado, embora a loira deslumbrante que acabou de desprezá-lo pareça fazer isso com todo mundo. 
Ele, porém, está determinado a vencer a resistência daquela mulher, nem que seja para se aproximar de alguém que não tem ligação com Tempest. 
A verdade é que ele nunca mais teve com quem conversar, desde que Allison, seu verdadeiro amor foi embora sem lhe dar explicações... 
E agora, com Allison pronta para atacar, e Duncan decidido a vencer, a pergunta é: qual dos dois será o primeiro a ceder? 


Capítulo Um 


Dizem que a vingança é um prato que se come frio. 
Mas Allie Dean, que sabia o que uma boa refeição podia fazer por uma garota, decidiu que o comeria quente, frio ou à moda. 
Em pé, à margem da estrada estadual 89, segurando uma pedra redonda e lisa na palma da mão, ela se preparou para perpetrar um pequeno e delicioso atentado a um bem da cidade. 
Leu a placa diante de si: Bem-vindo a Tempest, Indiana. Sob a frase, uma nota em vermelho: 
Tempest, A Capital das Caixas de Areia. 
Não era muito como reivindicação para a fama, mas Tempest tinha aceitado o presente da Companhia de Caixas de Areia para gatos Kitty Kleen, como aceitaria qualquer coisa que pudesse trazer à cidade um pouco mais de desenvolvimento e dinheiro de impostos. 
Dez anos antes, o título tinha a ver com pneus. 
A fábrica fora comprada por John Henry, que a havia levado à falência e depois vendera o prédio. 
No processo, Henry transformara Tempest em motivo de riso, e sua derrocada fora fartamente discutida nos principais jornais. 
Na ocasião, Allie deixara Tempest com a expressa intenção de nunca mais retornar. 
Quem diria que ela acabaria voltando? Havia mudado de idéia ao pensar na cidade para a locação do último filme de terror da companhia cinematográfica onde trabalhava. A produção teria um enredo pobre, um orçamento magro, e ela precisaria conseguir vários figurantes. 
Não era algo que pudesse concorrer ao Oscar, mas Allie pretendia usar a oportunidade para ser promovida. 
E, melhor do que tudo, após sofrer ali durante dez anos, tinha várias pessoas em mente para usar como vítimas... Olhando para a placa, e com um intenso sentimento de vingança fervendo na cabeça, apertou a pedra na palma da mão. 
A sombra da placa encobria-lhe os saltos dos sapatos Prada enfiados na lama. 
Mesmo vestida dos pés à cabeça com roupas de grife, sentia-se outra vez a antiga Allison. 
Tempest. Como tinha odiado aquele lugar! 
Aos dezesseis anos de idade, e pesando quase cem quilos, era parte de uma categoria inaceitável para os padrões vigentes. 
Na verdade, parecia um pequeno sofá. 
Os colegas da escola a consideravam como um objeto de tortura e a usavam para fazer todo tipo de brincadeiras. Ou, pior, ignoravam-na por completo. 
Contraindo a mandíbula, Allie tentou afastar as recordações. Não conseguiu. 
Os anos haviam passado, mas as lembranças ainda a feriam. 
Fora invisível, solitária e completamente incapaz de transformar seu mundo. 
Com um longo e trêmulo suspiro, lembrou-se de que não era mais Allison Gray. 
Era Allie Dean, ao menos nos dias seguintes, até que seu divórcio fosse concluído. 
E não era mais um ser invisível. Ninguém poderia magoá-la outra vez. 
Atirou a pedra com toda a força, e esta bateu na letra "e" da palavra "Bem-vindo". 
A pedrada fora para as animadoras de torcida que se sentavam à mesa próxima à dela no refeitório. 
Elas riam de seu prato limpo e do copo de leite vazio. Tanto que no terceiro ano colegial, deixara de almoçar e encontrara um canto na escada para comer seu lanche e tomar seu refrigerante. 
Curvou-se, pegou outra pedra e a jogou. 
Atirou, então, uma terceira, uma quarta e uma quinta. Atirou tantas que perdeu a conta, e as marcas na placa se multiplicaram. 
Com lágrimas nos olhos, ela reviu os rostos das pessoas que odiava e ouviu as risadas diante de seu esforço para subir a escada. 
As lágrimas desceram por seu rosto quando se lembrou dos apelidos que lhe davam e dos olhares de desdém e aversão. Pegou mais uma pedra. 
— Ei! O que a placa fez para você?! 
Allie virou-se, pronta para acertar a pessoa que a interrompera se necessário. 
Até ver de quem se tratava. 
Droga! Duncan Henry! 
DOWNLOAD