Para ter Alyce, Greg precisaria enfrentar mais do que um conflito de gerações.
Greg Holmes tinha boas e más recordações dos anos sessenta. Ele usara os cabelos longos, vestira túnicas indianas e participara de inúmeros happenings, onde arte e ativismo político mesclavam-se ao som de rock e cores psicodélicas.
Agora os tempos eram outros, mas Alyce McKenzie, de guitarra em punho e movida pelos antigos ideais da geração hippie, parecia não entender isso. Greg, um homem realista e um tanto cético, sabia que teria muito trabalho para arrancá-la dos sonhos do passado e com ela viver um grande amor.
Capítulo Um
Era uma tarde de domingo num grande parque público da cidade de Minneapolis. No interior de um velho carro vermelho, Greg Holmes observava, com ar desalentado, a multidão que se comprimia ao redor do lago. O local estava apinhado de adolescentes. Assim, prevendo que se sentiria como um peixe fora d’água e não se achando disposto a ouvir rock, ele se voltou para o filho, que estava ao volante, e disse:
— À medida que se vai envelhecendo, Chris, os interesses mudam. Pode crer em mim. — E acrescentou: — Além disso, vai chover. Olhe só aquelas nuvens se formando.
— Não vai chover, não, papai. Você é que está tentando encontrar uma desculpa para não ficar. — Bateu de leve na perna do pai, encorajando-o: — Vá em frente, solte-se! Procure se divertir um pouco. Nós passamos a semana toda arrastando móveis de um lugar para outro, agora é hora de relaxar, está bem?
— Conheço um jeito melhor para relaxar: uma boa soneca.
— Ora, papai. Você adora ouvir esse tipo de música. O repertório desse concerto ao ar livre é a música dos anos sessenta, lembra-se? Prometi a Diane que passaria na casa dela antes do show, mas, se você insiste, eu o levarei de volta ao apartamento de Brian.
Percebendo que a batalha já estava perdida, Greg aquiesceu:
— Oh, filho, você venceu. Vá conversar com sua namorada, mas procure por mim, assim que voltar. Estarei próximo ao palco, certo?
Chris sorriu satisfeito, e a expressão quase infantil de alegria estampada em seu rosto fez com que aparentasse bem menos do que os dezenove anos que realmente tinha.
— Vamos nos divertir muito juntos, pai. Eu prometo — asseverou ele, radiante, e acrescentou: — Não se preocupe, estarei de volta dentro de meia hora.
Greg mal teve tempo de saltar, e Chris já batia a porta do carro e pisava fundo no acelerador, desaparecendo rua abaixo, numa fração de segundo.
Greg meneou a cabeça em sinal de reprovação, dando graças pelo fato de Chris não estar dirigindo o Chevrolet do ano que ele acabara de comprar.
De repente, voltara a sentir uma fisgada no ombro no qual dera mau jeito, pela manhã. Sentindo, de novo, o corpo todo dolorido e ainda bastante zangado com a imobiliária que lhe vendera aquela casa cheia de goteiras por todos os cantos, Greg caminhou pelas alamedas floridas do parque, rumo ao local do concerto. A dor muscular, o cansaço e o aborrecimento faziam com que se sentisse, naquele momento, um homem velho, embora estivesse com quarenta e dois anos.
Constatou, então, contrariado, que, apesar do que Chris lhe dissera, em breve iria chover outra vez, o que significava que aquela umidade do ar provavelmente terminaria por lhe destruir o tapete da sala já bastante danificado pelas goteiras.
Após comprar o ingresso e receber o folheto com o programa do show, Greg abriu caminho por entre a multidão, postando-se na primeira fila, em frente ao palco erguido especialmente para o evento e, acima do qual, fora colocada uma enorme faixa branca com os dizeres: “Show Beneficente — Apresentação: Sunshine Band — Promoção: Sociedade Beneficente Sunshine”.
Capítulo Um
Era uma tarde de domingo num grande parque público da cidade de Minneapolis. No interior de um velho carro vermelho, Greg Holmes observava, com ar desalentado, a multidão que se comprimia ao redor do lago. O local estava apinhado de adolescentes. Assim, prevendo que se sentiria como um peixe fora d’água e não se achando disposto a ouvir rock, ele se voltou para o filho, que estava ao volante, e disse:
— À medida que se vai envelhecendo, Chris, os interesses mudam. Pode crer em mim. — E acrescentou: — Além disso, vai chover. Olhe só aquelas nuvens se formando.
— Não vai chover, não, papai. Você é que está tentando encontrar uma desculpa para não ficar. — Bateu de leve na perna do pai, encorajando-o: — Vá em frente, solte-se! Procure se divertir um pouco. Nós passamos a semana toda arrastando móveis de um lugar para outro, agora é hora de relaxar, está bem?
— Conheço um jeito melhor para relaxar: uma boa soneca.
— Ora, papai. Você adora ouvir esse tipo de música. O repertório desse concerto ao ar livre é a música dos anos sessenta, lembra-se? Prometi a Diane que passaria na casa dela antes do show, mas, se você insiste, eu o levarei de volta ao apartamento de Brian.
Percebendo que a batalha já estava perdida, Greg aquiesceu:
— Oh, filho, você venceu. Vá conversar com sua namorada, mas procure por mim, assim que voltar. Estarei próximo ao palco, certo?
Chris sorriu satisfeito, e a expressão quase infantil de alegria estampada em seu rosto fez com que aparentasse bem menos do que os dezenove anos que realmente tinha.
— Vamos nos divertir muito juntos, pai. Eu prometo — asseverou ele, radiante, e acrescentou: — Não se preocupe, estarei de volta dentro de meia hora.
Greg mal teve tempo de saltar, e Chris já batia a porta do carro e pisava fundo no acelerador, desaparecendo rua abaixo, numa fração de segundo.
Greg meneou a cabeça em sinal de reprovação, dando graças pelo fato de Chris não estar dirigindo o Chevrolet do ano que ele acabara de comprar.
De repente, voltara a sentir uma fisgada no ombro no qual dera mau jeito, pela manhã. Sentindo, de novo, o corpo todo dolorido e ainda bastante zangado com a imobiliária que lhe vendera aquela casa cheia de goteiras por todos os cantos, Greg caminhou pelas alamedas floridas do parque, rumo ao local do concerto. A dor muscular, o cansaço e o aborrecimento faziam com que se sentisse, naquele momento, um homem velho, embora estivesse com quarenta e dois anos.
Constatou, então, contrariado, que, apesar do que Chris lhe dissera, em breve iria chover outra vez, o que significava que aquela umidade do ar provavelmente terminaria por lhe destruir o tapete da sala já bastante danificado pelas goteiras.
Após comprar o ingresso e receber o folheto com o programa do show, Greg abriu caminho por entre a multidão, postando-se na primeira fila, em frente ao palco erguido especialmente para o evento e, acima do qual, fora colocada uma enorme faixa branca com os dizeres: “Show Beneficente — Apresentação: Sunshine Band — Promoção: Sociedade Beneficente Sunshine”.


