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sexta-feira, 27 de março de 2015

Verão Vermelho

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 

Quantas lágrimas derramadas à toa, durante um ano inteiro, tentando esquecer Nick! 

Quantas noites mal dormidas, o corpo febril rolando pela cama vazia, ansiando pelo calor de Nick, pelo amor que eles faziam com tanto ardor... 
Não, agora Claire não podia mais ceder. Embora ainda vibrasse de paixão, embora todos os seus instintos a atirassem para os braços dele, Claire precisava resistir. 
Porque Nick Waring não pertencia a ela, mas àquele trabalho perigoso que o arrastava para longe. E a ela restaria apenas a tortura de, noite após noite, esperar que o trouxessem morto para casa! 


Capítulo Um 

Tinham sobrevoado o mar azul, as asas do enorme avião quase tocando os arranha-céus que acompanhavam a faixa de areia, antes de o aparelho fazer uma volta e descer no pequeno aeroporto. Claire olhava pela janela. Andrew tocou rapidamente em sua mão e ela voltou à cabeça, sorrindo para ele. 
— Chegamos sãos e salvos — disse ele, com a voz divertida. 
— Desculpe — Ela riu. 
— Ficou tão evidente assim que eu estava com medo? 
— Você já devia ter se acostumado a viajar de avião. 
— Sim — ela concordou, os olhos verdes brilhando. Sabia que não adiantava argumentar. Por mais que voasse, sentiria sempre o mesmo terror, a dor na boca do estômago que surgia assim que punha os pés no avião, a agonia da espera. Um dia, ela pensava, vai acontecer: o avião cairá. Tinha certeza. Andrew a observava sem que ela percebesse. 
Claire trabalhava para ele há um ano e os dois se conheciam muito bem, embora Andrew ignorasse o que se passara com ela durante um certo período. Ele a achava fria, eficiente e encantadora e isso era revelado pela maneira como a tratava. 
— Estou bem agora. — Claire tomou a sorrir para ele.
— Você é muito corajosa. 
— Não sou, não. 
— É sim. Somente alguém com muita coragem continua viajando de avião apesar de sentir medo. 
Ela ficou surpresa. Não imaginava que Andrew tivesse percebido o quanto detestava viajar de avião. Embaraçada, soltou o cinto de segurança e levantou-se, pegando suas coisas, enquanto os outros passageiros começavam a sair do aparelho. Quando estavam entrando no saguão do aeroporto, Claire notou um jovem árabe deitado atrás de uma barreira de sacos de areia, com uma metralhadora apontada para a pista. Assustada, olhou para Andrew que levantou os ombros largos. 
— Antiterroristas — ele murmurou, contraindo os lábios. 
O novo edifício de vidro e concreto aparente brilhava ao sol do meio-dia, enquanto eles eram examinados minuciosamente pelos guardas da alfândega, que levaram um bom tempo verificando os passaportes. Por fim, quando pegaram um táxi para ir até o hotel, suas roupas grudavam no corpo por causa do calor fortíssimo. 
— A cidade mudou desde que estive aqui pela última vez, há um ano — disse Andrew, olhando para os edifícios. — Há vários hotéis novos. 
Keravi está crescendo muito depressa. Os palácios de vidro, construídos para incrementar o comércio, sobressaíam-se entre as casas baixas, de telhados retos. Mas muitas coisas continuavam iguais: o porto, as vielas estreitas, com casas caiadas subindo as encostas do morro, as mulheres árabes vestidas com longas roupas escuras, os minaretes de encontro ao céu, bem como as nuvens de poeira levantadas pelos veículos que passavam.