Louco de desejo, Kevin Branigan envolve Erin O’Connor num abraço arrebatador, vencido por seu apelo sensual e irresistível.
Não deve possuí-la, porém, conclui amargurado, um solitário convicto como ele não poderia fazer-lhe a felicidade completa. Além disso, não quer prejudicar sua promissora carreira com um romance de verão.
Mas como continuar negando a violenta paixão que o arrasta para ela, se a própria Erin o provoca o tempo todo?
Capítulo Um
Erin O’Connor fitou o rosto do belo moreno de olhos azuis e arriscou:
— Você só pode ser o irmão mais velho de Matt: Kevin Branigan!
O anfitrião da festa riu, admirando os cabelos da convidada, que refletiam a luz das velas. Então, revidou:
— E você só pode ser o anjo que ajuda meu irmão caçula a sobreviver à faculdade de medicina: Erin O’Connor!
— Nem tanto! Apenas procuro facilitar a vida dele e a de Nancy — replicou ela, sentindo a mão se esquecer ao contato com a do chefe do clã Branigan.
Naquela festa de reveillon, que acontecia no fino Restaurante Santé, em Plymouth, Erin ficou conhecendo toda a família de seu amigo Matthew Branigan, a quem considerava um irmão.
Ela trabalhava num hospital de Boston e dividia um apartamento com Matthew e outra amiga, Nancy Reed, ambos estudantes do terceiro ano da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard.
Matthew tinha cinco irmãos, todos homens: Jody, de vinte e oito anos, que era advogado e comparecera desacompanhado à festa; Ryan, de trinta e um anos, que estava com a namorada Jane “Sky” Schuyler, Sean e Andrew, gêmeos idênticos, já casados e pais, e Kevin, o mais velho, de trinta e sete anos.
Logo de início, Erin notou que eles se pareciam muito entre si. Eram altos e elegantes e, trajando ternos de cores sóbrias, transmitiam forte impressão de serem uma família unida. Com queixos fortes e angulosos, os rapazes, descendentes de irlandeses, exibiam ainda grossos cabelos castanho- escuros e olhos azuis ou castanho-claros.
Mas, sem saber por que, Erin achou Kevin mais bonito que os outros. Talvez por ser o mais velho e ter um semblante autoritário. Maduro e experiente ele era; sem dúvida! Afinal, criara os irmãos, depois da morte de seus pais, ocorrida havia vinte anos. Também administrava a fazenda da família, na cidadezinha de Millbrook, próxima dali. Já considerado um solteirão, ele fora à festa acompanhado de uma morena esnobe de corpo escultural chamada Cláudia.
Sem poder evitar, Erin comparou-se à mulher e percebeu que, fisicamente, estava em desvantagem. Embora tivesse todas as curvas nos lugares certos, era bem mais magra que a outra.
Mas, em compensação, tinha um rosto de traços delicados e harmoniosos, cuja característica mais marcante eram os grandes olhos castanhos. Além deles, os fartos cabelos castanho-avermelhados muito brilhantes também chamavam a atenção. Como era enfermeira obstetra, usava-os presos a maior parte do tempo, mas, em ocasiões especiais como aquela, fazia questão de soltá-los sobre os ombros.
As horas foram se passando, e ela foi se sentindo cada vez mais como uma pessoa da família. Nas conversas, o assunto predominante foi mesmo a medicina, já que Sean, um bombeiro, e Ryan, um ex-policial, eram também técnicos em atendimento médico de emergência.
Quando foi anunciada a meia-noite, Erin ergueu-se na ponta dos pés seis vezes a fim de aumentar sua estatura de um metro e sessenta e cinco para poder dar um beijo em cada um dos Branigan.
— Estou cumprimentando em ordem cronológica para não me confundir! — explicou ao amigo Matt, enquanto se voltava para Jody.
Depois de dar cinco beijos e abraços rápidos, foi para o canto do salão, onde estava o Branigan que faltava.
Assim que viu Erin se aproximar, Kevin deu as costas à acompanhante e segurou a taça de champanhe de lado.
— Pensei que nunca fosse chegar aqui! — exclamou, animado. — Conseguiu distinguir um Branigan do outro?
— Consegui!


