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domingo, 23 de fevereiro de 2014

Valente

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 






Um sentido na vida de um mercenário...

As florestas tropicais da América do Sul fazem com que o antigo trabalho de Winslow Grange, administrar em rancho, pareça até brincadeira de criança.
Ao mesmo tempo, como ex-combatente, ele está preparado para assumir uma nova missão.
O coração de uma mulher, no entanto, é um território bem mais inóspito e perigoso.
Enquanto estava no Texas, o maior desafio de Grange era evitar a atração por Peg Larson, filha de seu capataz.
Quando ela chega de surpresa à Amazônia, torna-se impossível ignorá-la.
E Peg está decidida a provar que pode ser útil dentro e fora do campo de batalha.

Capítulo Um 

– Não quero ir ao baile dos vaqueiros – declarou Winslow Grange, categórico, olhando para os outros homens com expressão hostil.
Na verdade, todos eram hostis. Jason Pendleton conhecia seu capataz muito bem e sorriu ante a certeza de Grange.
– Você irá se divertir. Será uma pausa…
– Pausa? – Grange ergueu os braços e se virou.
– Estou de partida para a América do Sul com um grupo de agentes secretos para destituir um ditador sanguinário…
– É por isso mesmo – retrucou Jason. 
– Você precisa dar um tempo. 
Grange se virou de novo, com as mãos nos bolsos da calça jeans. 
– Ouça, não gosto muito de aglomerações de pessoas, não me entroso muito bem.
– E você acha que eu gosto? Tenho de me relacionar com presidentes de empresas, agentes do governo, auditores federais… mas eu supero. Você também dará um jeito. 
– Acho que sim. – Grange soltou a respiração ruidosamente. 
– Faz tempo que não lidero uma equipe de guerra.
– Você foi ao México para libertar minha mulher, que tinha sido sequestrada pelo seu atual chefe – relembrou Jason, erguendo uma sobrancelha. 
– Aquilo foi uma incursão. Estamos falando de guerra. – Grange apoiou a arma na cerca e deixou o olhar se perder na imensidão verdejante e no gado pastando. 
– Perdi homens no Iraque. 
– Mas por causa das ordens de seu comandante, se bem me lembro. Não foi culpa sua. 
– Vibrei quando ele foi levado à corte marcial. 
– Foi benfeito. – Jason encostou-se à cerca. 
– Verdade seja dita, você sabe comandar. Isso é uma qualidade valorosa para um chefe de estado que luta para restaurar a democracia em um país. Se você ganhar, e acredito que ganhará, erguerão uma estátua em sua homenagem em algum lugar. Grange soltou uma gargalhada. 
– Mas o baile é uma tradição local. Vamos todos e ao mesmo tempo, fazemos donativos para as importantes causas regionais. Além disso, dançamos e nos divertimos.
Você se lembra do que é diversão, não? 
– Seus amigos ex-militares, tementes a Deus… – Jason suspirou. 
– Não comece por mim – pediu Grange. 
– Lembre-se de que por causa da minha experiência como militar a sua Gracie não jaz em uma cova. 
– Penso nisso todos os dias. Jason meneou a cabeça.
 Aquele não era um assunto que ele gostava de lembrar. Gracie quase morrera.