3- O PODER DA PAIXÃO

A farsa de seu casamento salvaria o reino.
Em troca da paz o rei Kamal Aal Masood daria qualquer coisa a Aliyah Morgan, sua nova esposa... exceto a confiança e a intimidade que ela queria desesperadamente.
Quando Kamal terminara com Aliyah repentinamente anos atrás, prometera jamais se deixar envolver por ela novamente.
Seria tolo se permitisse que suas ações fossem governadas pelo coração!
E somente uma mulher com Aliyah ousaria desafiá-lo em sua apaixonante batalha contra seus princípios.
Capítulo Um
O punho de Kamal ben Hareth ben Essam Ed-Deen Aal Masood acertou o seu oponente inerte com um golpe fulminante.
O saco de areia balançou com força, formando um amplo arco antes de voltar na sua direção.
Rosnando, imaginando que se tratasse de uma das pessoas que o haviam colocado naquela situação desastrosa, ele o atingiu com um golpe que teria esmigalhado os ossos de qualquer ser vivo.
Após 30 minutos de exasperação, o saco de areia parecia sorrir de volta para ele, imaculado e nada impressionado, nem com sua força nem com seus castigos.
Foi preciso que algo inanimado salientasse a inutilidade de sua fúria.
Ele percebeu e inclinou o rosto sobre sua superfície fria, soltando um profundo suspiro de cansaço e resignação.
De nada havia adiantado tudo aquilo.
Ele continuava louco de raiva. Mais louco ainda. Será que sua raiva um dia se abrandaria? Ou o choque?
O rei de Judar estava morto. Vida longa ao rei. Ele.
O sangue voltou a latejar em sua cabeça e ele cravou novamente os dedos no saco de areia.
Seus irmãos é que deveriam estar lá, no lugar do saco. Ele podia apostar que eles se disporiam a agüentar o que quer que ele quisesse lhes infligir.
Afinal, tinham conseguido o que queriam.
Primeiro Farooq, e, então, Shehab.
Ambos haviam feito o impensável e abdicado do trono de Judar em nome do amor, e jogado a sucessão em seu colo.
E então, dois dias antes de ele passar pelo respectivo ritual, a morte do rei atual, há muito já esperada, aconteceu.
Agora ele estava prestes a participar de uma cerimônia de cunho bem diferente. Uma ascensão, ou, como se dizia em Judar, xanjoloos, onde assumiria o trono.
Como ele gostaria de enfiar algum juízo na cabeça de seus irmãos e berrar que as mulheres pelas quais eles haviam abdicado do trono acabariam partindo seus corações, mas eles só haviam lhe lançado olhares serenos e dito, num tom compadecido, que o tempo lhe mostraria o quanto ele estava errado.
Ele arrancou a camiseta encharcada de suor e seguiu até o chuveiro.
Se tudo o que Farooq e Shehab haviam feito era cavar sua própria destruição, ele continuaria tentando salvá-los.
Mas agora ele teria que desposar a mulher que vinha com o trono.
Ele teria aceitado aquele destino, pior do que uma prisão perpétua, caso se tratasse de qualquer outra mulher, menos Aliyah Morgan.
Ya Ullah, quando é que ele despertaria, finalmente, e descobriria que tudo não passava de mais um pesadelo com a mulher que ele vinha tentando esquecer há sete anos?
Mas o fato é que não se tratava de um pesadelo, e sim de uma realidade macabra em que Aliyah havia se tornado a mulher que o futuro rei de Judar teria que desposar para cumprir os termos do acordo de paz, que asseguraria o trono e restauraria o equilíbrio de toda a região.
Ele deveria insistir para que um dos seus irmãos assumisse o trono, de modo que um deles fosse obrigado a se casar Aliyah, mesmo tenda outra esposa...
A imagem de Aliyah, porém, na cama com qualquer um dos dois, contorcendo-se sob eles, mexeu com suas entranhas e arrancou um gemido de seus lábios.
B'Ellahi, como ele ainda podia sentir alguma espécie de sentimento de posse em relação à mulher que, na verdade, nunca havia possuído, que não valia a pena possuir?
Ele entrou no box e ligou a água quente para que o jato escaldante aliviasse seu tormento.
Maldita memória!
Apesar de sempre ter sido um trunfo em todos os campos em que decidira investir, ela era também uma maldição.
Ele nunca se esquecia de coisa alguma.
Bastava fechar os olhos para que voltasse a sentir tudo outra vez.
Até colocar os olhos nela pela primeira vez, sempre classificara as mulheres como familiares queridas, amigas preciosas, esposas em potencial ou caçadoras assumidas que compreendiam que ele não tinha nenhuma necessidade delas, apenas extravagâncias a serem incitadas com extremo esforço e apaziguadas, rápida e irrevogavelmente.
Nunca havia conhecido uma mulher que não se enquadrasse em alguma dessas categorias.
Foi então que sentiu o olhar dela sobre si, e todos seus preconceitos evaporaram. Sua inteligência mordaz, a crepitante energia e sua franqueza estimulante quanto ao efeito igualmente poderoso que ele havia exercido sobre ela intensificaram ainda mais o impacto que ela exercera sobre ele.
Temendo um envolvimento sem precedentes de sua parte, seus assistentes o haviam advertido.
Aliyah não estava usando sua profissão de modelo para se insinuar nas mais altas rodas da sociedade, à procura de patrocinadores.
Estava fazendo coisa muito pior, explorando não apenas sua beleza pouco convencional, como também seu status de princesa de Zohayd, transgredindo as regras de sua cultura para alcançar o estrelato por meio de escândalos e controvérsias.

Trilogia Principes de Judar
1- Prazer e Vingança
2- O Poder da Sedução
3- O Poder da Paixão

