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domingo, 8 de maio de 2016

Tempo de Sedução

ROMANCE CONTEMPORÂNEO







O que Millie Evans deseja no Natal? 


Ficar a salvo! Antes de morrer, seu perseguidor contratou um assassino profissional para matá-la. Agora sua vida está nas mãos hábeis do agente especial Tony Danzetta, o homem que jurara protegê-la... e por quem Millie sempre nutriu uma paixão. 
Quando Tony decide levá-la para sua casa a fim de mantê-la em segurança dia e noite, Millie começa a sonhar que poderá tê-lo, definitivamente, ao seu lado.

Capítulo Um

Na casa funerária, o amigo do falecido era um homem alto, trajado com esmero, parecendo um lutador profissional. Ele vestia roupas caras e um casaco de caxemira. Tinha pele morena, olhos negros e cabelo igualmente negro e ondulados, preso em um longo rabo de cavalo. Ele permanecia inclinado sobre o caixão em silêncio. O semblante inexpressivo aparentava perigoso. Não falou com ninguém desde que entrara no prédio.
Tony Danzetta mantinha o olhar pétreo fixo no caixão de John Hamilton, embora em seu íntimo fervilhasse de raiva. Era difícil encarar os restos mortais de um homem que ele amava desde o colegial. Seu melhor amigo estava morto. Morto por causa de uma mulher.
O amigo de Tony, Frank Mariott, lhe telefonara da casa do homem para o qual prestava um serviço temporário em Jacobsville, Texas. Tony havia planejado estender sua estada na cidade. Tirar algumas semanas de folga antes de retornar às suas reais atividades. As notícias sobre John, no entanto, o fizeram voltar às pressas para San Antonio.
Dos três, John era o elo mais fraco. Os outros dois se viam sempre forçados a salvá-lo de si mesmo. Ele costumava fantasiar sobre pessoas e lugares que considerava parte de sua vida. Quase sempre quem o ouvia contar que era amigo deles ficava admirado.
Tony e Frank consideravam John inofensivo. Ele queria apenas ser alguém. Seus pais eram operários na indústria têxtil local. Quando a empresa encerrou suas atividades nos Estados Unidos, foram trabalhar no comércio varejista. Nenhum deles terminou o ensino médio e John inventava histórias para os colegas de classe sobre pais ricos e famosos, que possuíam um iate e um avião particular. Tony e Frank conheciam a verdade, mas o deixavam tecer sua teia de ilusões. Eles o compreendiam.
Agora, porém, John estava morto e aquela... mulher era a responsável! Ele ainda conseguia lembrar do rosto dela no passado, rubro de constrangimento, quando ela lhe fez uma pergunta sobre um trabalho da aula de Justiça Penal que ambos frequentaram na faculdade. Isso acontecera seis anos atrás. Ela não era sequer capaz de conversar com um homem sem gaguejar e tremer. Millie Evans tinha cabelo castanho e olhos verdes ocultos pelos óculos. Era magra e sem graça. Mas a mãe de criação de Tony, que fora uma arquivista na biblioteca local, era chefe de Millicent Evans e gostava dela. Estava sempre falando sobre ela para Tony, empurrando-a para cima dele, até o dia de sua morte.
Tony não poderia ter contado à mãe de criação, mas conhecia bem demais aquela moça para se interessar por ela. John desenvolvera uma fixação por ela alguns anos atrás e, durante uma das raras visitas de Tony à casa da mãe de criação, o amigo lhe contara sobre o alter ego dela. Quando estavam sozinhos, ele lhe dissera, Millie era fogosa. Se lhe dessem algumas cervejas, ela faria tudo que um homem pedisse. Aquela fachada de timidez e nervosismo era apenas um disfarce. Ela não tinha nada de tímida nem retraída. Era uma garota da noite. Havia até mesmo topado fazer um programa a três com ele e o amigo Frank, confidenciou-lhe John certa vez. Não mencione nada disso a Frank, acrescentara ele, pois o amigo ainda sentia vergonha de ter participado daquela orgia.
O que Tony ficara sabendo sobre Millie Evans o fez se afastar dela. Não que a achasse atraente antes disso. Era apenas mais uma na longa lista de solteiras insípidas que fariam qualquer coisa para fisgar um homem. Pobre John. Sentia pena do amigo, pois sabia que ele era obcecado por Millicent Evans. Para ele, Millie era a rainha de Sabá, a única mulher no mundo. Havia ocasiões que ela parecia amá-lo, queixava-se John, mas outras vezes o tratava como um completo estranho. Outras ainda dizia que ele a estava perseguindo. Isso é ridículo, John dissera certa vez, como se ele precisasse persegui-la. Contara que, várias vezes, quando voltava do trabalho de vigia noturno, ela o surpreendia no apartamento dele, completamente nua.
A descrição que John fazia dela era incompreensível para Tony, acostumado a ter mulheres belas, inteligentes e ricas correndo atrás dele. Jamais precisou conquistar uma mulher. Millicent Evans, ao contrário, não tinha beleza, nem personalidade, parecia até mesmo um pouco tola. Tony não conseguia compreender o que o amigo via naquela mulher.
Agora John estava morto. Millicent Evans o levara a cometer suicídio. Tony observou o rosto pálido e sem vida do amigo e, mais uma vez, sentiu a raiva fervilhando dentro dele. Que tipo de mulher usava um homem daquela maneira, tirava proveito de seu amor por ela a ponto de fazê-lo tirar a própria vida?