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domingo, 4 de abril de 2010

Vendada

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Véu de Segredos












Maureen Harris é secretária da MacFaber,
uma empresa fabricante de aviões.

Após uma sabotagem, ela decide acrescentar um pouco de emoção a sua vida e fazer sua própria investigação.
Maureen suspeita do mais novo e rebelde mecânico da companhia, mas fica chocada ao se ver seduzida por ele. 

No entanto, Jake Edwards guarda um segredo capaz de chocá-la ainda mais...

Capítulo Um

Maureen Harris já estava uma hora atrasada para o trabalho. Diversas coisas tinham conspirado para arruinar sua manhã.
A máquina de lavar em seu pequeno duplex transbordara, suas últimas meias de nylon haviam rasgado assim que ela as vestira, não encontrara as chaves do carro...
Entrou nos escritórios da Corporação MacFaber com as pernas nuas, seus longos cabelos pretos ameaçando cair do coque trançado no topo da cabeça, a saia manchada de café, que Maureen tinha tomado num copo descartável que comprara no caminho enquanto dirigia para lá.
Um homem alto e forte apareceu quando ela estava virando o corredor, o copo ainda na mão. Maureen colidiu com ele, caiu para trás, e o copo de café pareceu tombar em câmera lenta, despejando seu conteúdo sobre o carpete, espirrando nele e manchando ainda mais a sua saia.
Ela sentou-se no chão, rapidamente pegando seus óculos que caíram, e colocando-os, de modo que pudesse ver. Ergueu os olhos verdes para o homem muito sério de macacão cinza.
— Não paguei minha conta telefônica na data certa — disse ela sem propósito. — A companhia telefônica tem maneiras de se vingar, sabia? Eles fazem sua máquina de lavar roupa vazar, arruínam suas meias e a impulsionam a atropelar um estranho e derrubar café nele.
Ele arqueou uma sobrancelha. Não era exatamente bonito. Parecia mais um pugilista do que um mecânico, mas vestia um macacão de mecânico.
Os olhos escuros a percorreram curiosamente e um sorriso fraco surgiu na boca, que parecia esculpida de pedra.
Era uma boca máscula, larga e sexy. Ele parecia romano, na verdade, desde o nariz imponente até a expressão taciturna.
Maureen sabia tudo sobre expressões taciturnas; uma vez fizera um curso de artes e passara várias horas sonhando com romanos imponentes. Aquilo tinha sido anos antes, claro, antes de descobrir a realidade e se contentar em ser secretária júnior na Corporação MacFaber.
Como ele não falou nem estendeu a mão para ajudá-la, ela se levantou, olhando tristemente para o tapete cor de champanhe manchado de café.
— Desculpe ter trombado com você. Não foi de propósito. Realmente não sei o que fazer. — Maureen suspirou. — Talvez eu deva me demitir antes de ser despedida.
— Quantos anos você tem? — perguntou o homem. Possuía uma voz muito profunda e aveludada.
— Tenho 24 — replicou ela, vagamente surpresa pela pergunta. Ele achava que ela era muito nova para o emprego? — Mas, no geral, sou muito competente.
— Há quanto tempo trabalha aqui? — Ele a olhou com desconfiança.
— Mais ou menos três meses — confessou ela. — Bem, estou aqui neste novo prédio desde que foi aberto. Mas trabalho para a corporação há seis meses.
— desde antes de seus pais falecerem, ela podia ter acrescentado, mas que alguém veja?
— Chame o pessoal da faxina. É para isso que são pagos — disse ele. — É melhor você se ocupar. MacFaber não gosta de funcionários ociosos. Ou assim ouvi dizer — acrescentou ele friamente.
Maureen suspirou.
— Não acho que ele goste de alguém. De qualquer forma, as pessoas dizem que nunca aparece por aqui, o que é bom.
Ele arqueou as sobrancelhas.
— Elas dizem? Pensei que ele trabalhasse neste edifício.



Série Véu de Segredos
1- A Paciente
2- Vendada
Concluída

A Paciente

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Véu de Segredos















Ramon é o último homem de quem Noreen aceitaria ajuda,
mas ela estava doente. 


Como médico, era dever de Ramon buscar a cura de seus pacientes.
Como homem, ele tinha de encontrar um meio de cuidar do coração da mulher que assombrava seus sonhos.
Seria ele capaz de sanar as dores da alma de Noreen?

Capítulo Um

Ele ouviu os comentários divertidos murmurados ao descer o corredor em direção ao centro de cardiologia do St. Mary's Hospital e foi difícil não sorrir.
Acabara de ser entrevistado aquela manhã num programa de televisão sobre seus hábitos na sala de cirurgia.
O repórter havia mencionado que o Dr. Ramon Cortero gostava de ouvir o grupo de rock “Desperado” durante as cirurgias cardiovasculares pelas quais era conhecido mundialmente.
As enfermeiras e técnicos do centro de cardiologia onde trabalhava brincaram a respeito daquilo o dia inteiro.
Eram uma equipe da qual ele próprio fazia parte e, portanto, não se ofendeu com a gozação. Na verdade, alguns deles também eram fãs do grupo do estado de Wyoming.
Os olhos negros sobressaíam no rosto moreno, bonito e magro enquanto passava em seu uniforme verde, procurando a mulher de um paciente em quem acabara de substituir uma válvula cardíaca em mau funcionamento.
Ela não estava na sala de espera do segundo andar.
A enfermeira do centro, inadvertidamente, pedira que aguardasse na sala de espera do lobby principal e, quando ele ligara para lá, a mulher de meia-idade desaparecera.
O marido milagrosamente sobrevivera, graças à habilidade de Ramon e algumas orações. Fora trazido com uma válvula perfurada agravada pela pneumonia.
Tinha boas notícias para a mulher, se a encontrasse.
As portas do elevador se abriram e, quando ele se virou, lá estava ela, rodeada pelo filho adolescente, que usava um casaco preto comprido, vários membros da família do marido e uma das capelas do hospital, a seu lado praticamente desde o início daquilo tudo, 48 horas antes.
Os olhos vermelhos e inchados de tanto chorar sinalizavam um pedido desesperado.
Ramon sorriu, respondendo à pergunta que ela parecia recear fazer.
— A operação foi um sucesso — disse sem rodeios. — Ele tem um coração forte.
— Graças a Deus e ao senhor. Obrigada. — Apertou-lhe a mão.
— De nada — respondeu Ramon com um sorriso gentil. — Fico feliz por poder ajudar. — O cardiologista, um jovial afro-americano que estava ao lado do cirurgião, sorriu. Fora ele quem explicara à família o procedimento de cateterismo bem como a cirurgia para substituição da válvula, oferecendo conforto e uma dose de esperança. A mulher apertou-lhe a mão e abriu um largo sorriso, agradecendo a ele também.
O Dr. Ben Copeland deu de ombros.
— É para isso que estamos aqui — disse, retribuindo o sorriso. — Seu marido está na UTI no final do corredor. Há uma sala ao lado onde pode esperar até que o liguem aos monitores. Então, poderá vê-lo.
— Mais agradecimentos e lágrimas. Pediram a uma enfermeira que mostrasse à aliviada família o local de espera até receberem autorização para visitar o paciente.
— Às vezes — disse Ben —, assistimos a milagres. Não teria apostado um centavo na chance de recuperação do homem quando ele chegou.
— Nem eu. — assentiu Ramon com seriedade. — Mas, vez por outra, temos sorte. — Suspirou espreguiçando-se.
— Eu podia dormir uma semana inteirinha, mas ainda estou de plantão. Você vai para casa, sortudo. — Ben sorriu.
Despediram-se com um aperto de mão. Ramon foi visitar dois outros pacientes operados que conseguira, com a ajuda de Deus, salvar do abismo.
Tivera três cirurgias de emergência naquele que deveria ter sido um tranqüilo domingo de plantão, estava tenso, dolorido e muito cansado, mas um cansaço gostoso. Parou na janela olhando com satisfação a enorme cruz iluminada na parede principal do hospital. As preces às vezes eram atendidas.
As deles o haviam sido aquela noite.
Examinou os pacientes, aviou receitas, vestiu-se e foi ao hospital municipal O’keefe, do outro lado da rua, visitar três outros pacientes.
Também precisava ir ao hospital universitário Emory, em Decatur, a caminho de casa, para visitar um paciente pronto: receber alta. Depois de cumpridas as obrigações, foi para casa. Sozinho.
O apartamento espaçoso não era a casa de um homem rico. Preferia a simplicidade, uma reminiscência da infância num subúrbio de Havana.
Pegou um exemplar do livro Cuentos, de Pio Baroja, e deu um sorriso triste ao ver a dedicatória que conhecia de cor: "Para Ramon, de Isadora, com todo o meu amor." Ela era sua mulher, falecida havia apenas dois anos



Série Véu de Segredos
1- A Paciente
2- Vendada
Concluída