Série Testes da Paixão
Desnudada de sua falsa aparência...
Ao suspeitar de que o marido de sua irmã está tendo um caso com a deslumbrante, perigosamente e bela Marisa Milburne, Athan Teodarkis decide dar um ponto final ao romance.
Certo de que a fortuna dos Teodarkis será uma excelente isca para atrairá atenção dela, seu plano se resume em seduzi-la e depois descartá-la.
Contudo, ao contrário do que o impiedoso Athan acredita, a tímida Marisa não é nenhuma destruidora de lares. Mas, por ser inocente, é incapaz de resistir ao poder da sedução.
Capítulo Um
Athan Teodarkis olhou para as fotografias espalhadas sobre sua mesa. Sua boca esculpida se comprimiu numa linha fina.
Então, tinha começado! Exatamente como ele temera desde o início. Desde o momento em que sua irmã Eva lhe contara por quem estava apaixonada...
Ele sentiu a onda de raiva atingi-lo e forçou-se a liberar a tensão que enrijecia seus ombros.
Recostou-se contra a cadeira de couro, onde estava sentado, atrás da mesa do escritório de sua empresa, a Internacional Teodarkis, cuja sede era baseada em Londres e de onde tinha uma vista magnífica da cidade.
Voltou a estudar as fotos. Embora tiradas por uma câmera de celular, e de uma distância razoável, a evidência era indiscutível.
Elas mostravam Ian Randall, seu rosto bonito de garotão, olhando para a mulher a sua frente com adoração.
E Athan podia entender por quê.
Ela era loira, como Ian. O cabelo claro cascateava como uma cachoeira de cada lado do rosto. Feições perfeitas: lábios carnudos, nariz delicado e luminosos olhos azuis, tudo se unindo para torná-la uma mulher muito linda. Não era de admirar que ela cativara o tolo sentado do outro lado da mesa.
Aquilo tinha sido previsível. Desde o começo, Athan temera que Ian Randall fosse fraco, consumista e mulherengo.
Assim como o pai dele.
Martin Randall havia sido notório por sucumbir a cada tentação feminina que cruzava seu caminho. Entregava-se ao seu desejo por ela, até que a próxima surgisse. Então, dava-lhe um presente e ia atrás da nova.
Repetidas vezes.
Desgosto e desprezo preencheram Athan.
Se o filho de Martin ia ser assim então...
Então, eu deveria ter impedido Eva de se casar com ele! Custasse o que custasse, eu deveria ter impedido isso!
Mas ele não impedira... dera ao filho o benefício da dúvida, mesmo indo contra todos os seus instintos. E, agora, provara que estivera certo o tempo todo. Ian não era melhor que o pai.
Mulherengo. Libertino.
Adúltero.
Com raiva, Athan levantou-se, pegando o envelope que continha a bomba capaz de destruir o casamento de Ian. Ainda existiria salvação?
Quanto o adultério dele progredira? Certamente, sua inamorata tinha sido instalada num apartamento luxuoso por Ian e, julgando pelo traje de grife e cabelo recém arrumado — sem mencionar o colar de diamante que ela ganhara —, ela estava claramente beneficiando-se da generosidade dele.
Mas já pagara a conta por tal generosidade? perguntou-se Athan.
A expressão no rosto de Ian, capturada pela câmera do celular era... apaixonada. Não era a expressão de um libertino promíscuo, mas a de um homem capturado pela rede de uma mulher a quem não podia resistir. Uma mulher que estava usando sua riqueza. Todavia, não muito de seu tempo, ainda. Esse era o único ponto otimista que Athan podia ver naquela situação sórdida.
A investigação não encontrara evidência de que Ian Randall visitava a garota em seu apartamento luxuoso — não ainda, pelo menos — , e ele também não a levava a hotéis.
Até agora, o único tempo que passava com ela era em restaurantes... sempre em lugares isolados... e a única evidência do adultério de Ian era sua expressão apaixonada.
Eu posso deter isso a tempo?


