Mostrando postagens com marcador Série Especial Coração de Mãe. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Série Especial Coração de Mãe. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Obra do Acaso

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Especial Coração de Mãe





Quando Sophie Hartman fez inseminação artificial, jamais poderia ter imaginado que em breve conheceria o pai de seu filho em pessoa: o príncipe Alexander Dumont. 


E ele veio para casar!





Capítulo Um

— O esperma real foi extraviado — disse Jean Robert.
O príncipe Alexander Dumont ouviu as últimas palavras do secretário pessoal e oficial da família real e ficou preocupado. Desviou o olhar da bela vista de Laguna Beach, que se via do seu apartamento de frente para o mar, franziu os olhos e fitou o homem baixinho e todo engomado, que sempre lhe trazia notícias da família, comunicados e insistentes críticas de sua mãe a respeito do seu estado civil.
— O esperma de quem? — perguntou ele, porque Jean Robert poderia estar se referindo a um de seus quatro irmãos.
Jean Robert pigarreou.
— O seu, Alteza — disse ele, esticando o pescoço porque sentia o colarinho branco apertá-lo. — E... Tecnicamente, ele não foi extraviado.
Totalmente confuso, Alex sacudiu a cabeça.
— Isso tem algo a ver com aquelas malditas reservas de esperma, que a minha mãe exigiu que fizéssemos?
Jean Robert abaixou a cabeça e ajeitou o paletó.
— Para dizer a verdade, senhor, tem sim. Como sabe, sua mãe exigiu que o senhor e seus irmãos fornecessem... Hã... Exemplares de esperma, quando completassem 18 e 25 anos, e...
Alex sacudiu a mão com impaciência. Lembrava-se muito bem de que sua mãe exigira as amostras para preservar a linhagem da família, caso seus irmãos e ele morressem inesperadamente.
— Vá direto ao ponto.
O olho esquerdo de Jean Robert começou a tremer espasmodicamente. Aquilo era um péssimo sinal, pensou Alex, sentindo a preocupação aumentar. Jean Robert estava a serviço da família desde que sua mãe era adolescente, e poucas coisas conseguiam deixá-lo tão nervoso.
— Como o senhor sabe, a rainha é a governante mais progressista que a ilha de Marceau já teve — declarou Jean Robert com orgulho.
Alex soltou um suspiro.
— Você não está fazendo uma declaração para a mídia, JR. Estamos falando sobre a minha mãe. Eu sou filho dela. Vá direto ao ponto.
— Sim, claro — disse Jean Robert. — O senhor tem um primo distante, na Carolina do Norte. Ele está conduzindo uma pesquisa genética e pediu a ela que mandasse material genético da família para ser pesquisado.
Alex ficou pensativo, tentando se lembrar.
— Ralph — disse ele, lembrando-se do homem que usava óculos com grossas lentes e que sempre parecia estar fora do ar. Ele era primo de um primo.
— Dr. Ralph Edwards. Exatamente. O seu esperma foi mandado para o laboratório onde ele trabalha.
Alex sabia que o seu esperma deveria ter sido escolhido pelo fato de que seus quatro irmãos e seus filhos homens precisariam morrer antes que ele chegasse a um palmo do trono. Ele se deliciara com isso durante toda a sua vida adulta. Os seus dois irmãos mais velhos suportavam o peso da perspectiva de ter que assumir o trono, com toda a falta de liberdade e de privacidade que isso implicava.
No passado, a família fora constituída por seis irmãos Dumont, mas seu irmão mais moço, Jacques, morrera afogado. Depois de tantos anos, a perda de Jacques ainda era um vazio do qual a família não conseguira se recuperar, apesar das tentativas de sua inquieta irmã, Michelina. Graças à sorte que tivera na ordem de nascimentos, Alex conseguira abrir um negócio e se manter solteiro, com um mínimo de interferência.
— Então Ralph perdeu o meu esperma?
O olho de Jean Robert recomeçou a tremer.
— Receio que seja mais grave do que isso. — Ele fez uma pausa e tomou fôlego. — Aparentemente o seu esperma foi indevidamente utilizado em um procedimento de fertilização in vitro.
O coração de Alex parou. Ele olhou para Jean Robert. Não podia ser verdade.
— O meu esperma foi usado em quê?

Série Especial Coração de Mãe
3- Obra do Acaso
Série Concluída

Teste de Paternidade

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Especial Coração de Mãe








O sinal de positivo apareceu no teste de gravidez de Jane Dawson a tempo de impedir que seu relógio biológico avançasse ainda mais. 


Só havia um probleminha: seu ex-namorado estava prestes a se tornar papai!

Capítulo Um

No próximo sábado, Jane Dawson iria ao quinto chá de bebê para o qual fora convidada nos últimos três meses. Parecia que toda vez que ela se virava, mais uma amiga ou colega de trabalho estava grávida. Ela se sentia sitiada por barrigas arredondadas, expressões radiantes e chocalhos de prata.
Jane se tornara uma freguesa constante da Annie’s Baby Boutique.
Annie passara a avisá-la, toda vez que a loja recebia algum artigo especial. As duas rapidamente tinham se tornado amigas, e a butique se tornara o seu lugar favorito, o lugar para onde ela ia depois das aulas, para conversar e tomar um chá.
Como resultado, o tique-taque do relógio biológico de Jane soava tão alto, que tinha certeza de que poderia ser ouvido pela cidade inteira. Em julho, ela faria 30 anos, o que atualmente não era muito tarde para se ter um filho, mas, definitivamente, era quase muito tarde, principalmente porque ela não tinha um pai em perspectiva.
De volta à butique de Annie, desta vez para comprar um presente para o chá de bebê de Daisy Markham, no sábado, Jane passou os dedos sobre o alegre protetor de xadrez amarelo de um antigo berço de carvalho, o último tesouro de Annie, e suspirou profundamente. Ultimamente ela suspirava demais. Também sonhava muito e divagava.
Estava ficando cada vez mais difícil esconder a sua inveja. Exclamar “Ahs” e “Ohs” embasbacados ao ver um par de sapatinhos de tricô ou mais uma roupinha ameaçava lhe causar uma crise de nervos. E poderia tê-la naquele dia, pensou ela, olhando o berço.
— O que você acha? — perguntou Annie, radiante de orgulho pelo berço encerado. Ainda tinha traços de pó de madeira e de cera sob as unhas. Seu cabelo muito curto estava arrepiado, e ela não passara sequer uma camada de pó no rosto e, muito menos, batom. — Não é o berço mais lindo que você já viu? — perguntou ela.
Jane tentou disfarçar o desejo de possuir aquele berço, de ter um motivo para possuí-lo, e concordou.
— É adorável.
— Dá para imaginar? — perguntou Annie indignada, esfregando a madeira já brilhante. — Eu o encontrei enfiado em um canto de um antiquário, na Route 3. Você deveria tê-lo visto. Ele foi pintado várias vezes. Quando comecei a raspá-lo, encontrei camadas de tinta branca, azul, rosa e mais outras tantas de branco. Estava tão coberto de tinta que, só quando cheguei à madeira, percebi os detalhes em relevo.
Annie passou carinhosamente a mão sobre o desenho entalhado.
— Uma preciosidade. Você já viu algo tão delicado?
— Nunca — disse Jane, sentindo o desejo de possuí-lo aumentar.
Annie sorriu.
— Eu sei que é muito extravagante para ser dado de presente em um chá de bebê, mas sei que todos que o vissem iriam adorá-lo. Assim que eu o coloquei na loja, senti que precisava avisá-la. Às vezes, eu me deixo dominar pela vontade de compartilhar as minhas descobertas. Espero que você não se incomode por eu ter deixado um recado na escola. Não é que eu estivesse querendo fazer uma venda. Eu sei perfeitamente que você não precisa deste berço.
O comentário casual de Annie fez com que algo se partisse dentro de Jane.
— Eu vou levá-lo — disse Jane, como se quisesse provar que Annie estava enganada. — Assim como está, com o protetor de berço amarelo e tudo. Ponha na minha conta e me mande a fatura.
Ao ver que Annie ficara boquiaberta, Jane imediatamente se arrependeu do que havia dito.
— Mas... — balbuciou Annie.
Jane interrompeu o protesto chocado.
— Você pode mandar entregá-lo na minha casa. Certo? John pode levá-lo no sábado de manhã, não pode? — disse ela, referindo-se ao marido de Annie, que ajudava nas entregas durante os fins de semana.
— Ah, claro, mas...
— Obrigada — disse Jane, cortando as perguntas que a amiga poderia fazer. Perguntas perfeitamente lógicas, mas para as quais ela evidentemente não tinha respostas racionais. — Eu preciso correr. Esta noite, tenho uma reunião de pais e mestres. Todos os professores têm que chegar cedo para receber os pais. Estamos tentando agradá-los, para que ajudem a arrecadar dinheiro para reformar a cafeteria. Não esqueça de embrulhar aquele lindo casaquinho rosa e a touca, para o chá de bebê de Daisy. Pode mandar o pacote junto com o berço.
— Claro.
Jane percebeu que o olhar confuso e preocupado de Annie a seguia, enquanto ela saía da loja e subia a ladeira, na direção da antiga escola de primeiro grau.
Só muito mais tarde, depois da reunião da APM e de ter voltado para casa e bebido um gole de chá, ela reconheceu que Annie tivera motivos para imaginar o que uma mulher solteira e sem namorado iria fazer com um berço. Jane esperava encontrar uma desculpa plausível, antes que a cidade inteira concluísse que ela se tornara uma solteirona excêntrica, cujos hormônios estavam seriamente descontrolados.
Série Especial Coração de Mãe
2- Teste de Paternidade

Candidata a Mãe

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Especial Coração de Mãe








Uma mulher perfeita para ser mãe… 


Esse era o desejo do filho de Faulkner Scott. Com 12 anos de idade, o garoto decidira eleger Shelly Astor ao cargo. Agora teria apenas que convencer seu pai de que ela apresentava todas as qualidades!

Capítulo Um

A praia estava lotada. Espalhados ao redor de um enorme aparelho de som, o grupo de estudantes em férias ignorava alegremente os olhares irritados dos banhistas mais velhos.
— Diminuam o volume — sugeriu Shelly Astor com um sorriso, indicando dois banhistas irritados, atrás deles. — Vocês estão criando animosidade contra nós.
— Não seja estraga-prazeres — disse um rapaz. — Somos jovens aproveitando recesso de primavera. Nada de biologia ou de álgebra por uma semana inteira e irada!
— É isso aí — concordou outro. — Eu bem que podia me afogar. Afundei no exame introdutório de álgebra!
— Menos diversão e mais estudo — sugeriu um terceiro.
— Falou, Cabeça de Ovo! — Foi a resposta mal-humorada do primeiro. — O Edwin detonou em biologia — disse, apontando para o esbelto rapaz de cabelos vermelhos. — Ele tirou 10.
— O dr. Flannery falou que eu sou o melhor aluno que ele já teve. O que posso fazer se sou um gênio? — Edwin suspirou.
— Você não é gênio em trigonometria — murmurou Pete para ele, voltando-se para os outros. — Eu precisei ajudá-lo, porque ele jamais passaria na prova do Bragg.
— Daria para diminuir esse maldito som? — interrompeu uma voz irritada.
— Tenha dó, cara! — gritou Pete, olhando para o homem. — Sem contar a trigonometria, sobrevivemos a oito semanas de inferno!
— E um de nós afundou! — gritou Edwin, apontando para Mark.
— Estamos todos no limite — concordou Pete, sacudindo a cabeça. — Se não fosse a música para nos relaxar, vai saber o que estaríamos fazendo por aí!
O homem que reclamara começou a rir, fez um gesto resignado, voltou a deitar e fechou os olhos.
Shelly riu.
— Pete estuda sociologia — sussurrou ela para Nan, sua melhor amiga –, com ênfase na área da psicologia. Ele não é o máximo?
— Uma verdadeira fonte de orgulho para a escola — concordou Nan. As duas se levantaram para dar um mergulho. — Este lugar não é o máximo? E você não queria vir!
— Eu precisei brigar para ir para a faculdade. Imagine o que tive que fazer para vir para a Flórida com o grupo — comentou Shelly calmamente, segurando o cabelo louro que esvoaçava. Seus olhos azuis refletiam o sorriso que tinha nos lábios. — Os meus pais queriam que eu fosse para uma escola de etiqueta e que, depois, me juntasse à elite social feminina de Washington. Dá para acreditar?
— Você não disse a eles que queria trabalhar como assistente social, atendendo famílias e crianças? — perguntou Nan.
— O meu pai teria tido um ataque — disse Shelly. — Os meus pais são ótimos, mas querem me dar uma vida de luxo e de serenidade. Eu quero mudar o mundo. — Ela olhou para Nan e deu um sorriso malicioso. — Eles acham que eu sou louca. Já escolheram um bom marido para mim: diploma de uma das melhores universidades, família tradicional, muito dinheiro. — Ela deu de ombros. — Não é o que eu quero, mas eles não aceitam não como resposta. Eu precisei ameaçar arranjar um emprego e me candidatar a uma bolsa, para fazer com que o meu pai concordasse em pagar a minha faculdade.
— Será que todos os pais querem viver através dos filhos? — perguntou Nan. — Desde que eu entrei na escola, a minha mãe tentou me empurrar para a escola de enfermagem, só porque ela se casou e não conseguiu se formar como enfermeira. Eu fico doente quando vejo sangue, pelo amor de Deus!
— Alguém disse o meu nome? — perguntou Pete, subindo à tona ao lado delas, com um sorriso.
Nan jogou água nele, e os assuntos sérios se perderam na brincadeira.
Série Especial Coração de Mãe
1- Candidata a Mãe
2- Teste de Paternidade