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domingo, 8 de maio de 2016

Rosas de Inverno

ROMANCE CONTEMPORÂNEO







Em uma noite agitada, Stuart York não consegue resistir à tentação e toma Ivy Conley em seus braços. 


A intensa paixão os deixa desorientados. Contudo, Stuart acredita que Ivy é uma jovem problemática assim como a irmã, sempre nas capas dos jornais como pivô de escândalos. Por isso, decide se afastar, deixando-a com o coração partido. 
Anos mais tarde, Ivy está de volta à cidade, decidida a ser tratada como a mulher independente na qual se tornou. Para sua surpresa, Stuart insiste em ser seu protetor, porém, a batalha mais difícil que Ivy enfrentará será contra o desejo que ainda sente por Stuart!

Capítulo Um

Era tarde e Ivy ia perder a aula. Rachel era a única pessoa, além da sua melhor amiga, que sabia o número do seu modesto celular pré-pago. O telefone tocou no exato momento em que ela saía para a segunda aula do dia, na faculdade. A conversa poderia ter esperado até a noite, mas sua irmã mais velha jamais se importava com a conveniência de alguém. A não ser com a sua própria, essa era a verdade.
— Rachel, vou chegar atrasada — argumentou Ivy ao telefone, afastando uma mecha do longo cabelo louro para trás. Os olhos verdes escureceram com preocupação. — E tenho uma prova hoje!
— Não importa o que você tem — respondeu a irmã. — Apenas ouça-me. Quero o cheque dos bens do pai, tão logo você consiga que a companhia de seguros o emita! Tenho contas atrasadas para pagar e você fica aí se lamentando sobre aulas da faculdade. É um desperdício de dinheiro! Tia Hettie jamais deveria ter deixado o dinheiro da poupança para você — acrescentou irritada. — Deveria ser meu também. Sou a mais velha.
Ela era, e ficaria com tudo que pudesse agarrar com as mãos, tudo que pudesse trocar por dinheiro vivo. Ivy mal conseguira ficar com o suficiente para pagar as despesas do funeral do pai. Fora um golpe de sorte a tia Hettie gostar dela e lhe deixar uma pequena herança. Talvez tivesse percebido que ela teria sorte se conseguisse um centavo dos parcos recursos do pai.
Era a mesma conversa dolorosa que vinham tendo havia um mês, desde que o pai morrera de derrame. Ivy tivera de procurar um lugar para morar enquanto Rachel ligava diariamente para o advogado que estava homologando o testamento do pai. Tudo o que ela queria era o dinheiro. Havia convencido o pai a mudar o testamento, de modo que ela pudesse ficar com tudo quando ele morresse.
Apesar de o pai não ter ligado muito para ela, Ivy ainda estava de luto. Havia cuidado do pai enquanto ele estava morrendo devido ao derrame. Ele pensava que Rachel era um anjo. Durante toda a vida, fora Rachel quem ganhara todo o dinheiro, todas as joias de família, que ela vendia de imediato, e quem recebia toda a sua atenção. Para Ivy, sobravam as tarefas domésticas, cuidar do jardim e cozinhar para os três. Não fora uma vida maravilhosa. Seus raros namorados eram logo seduzidos por Rachel, que sentia prazer em roubá-los da ingênua irmã mais nova, apenas para dispensá-los dias mais tarde. Quando Rachel optara por ir para Nova York para fazer teatro, o pai praticamente penhorara a pequena propriedade para pagar um apartamento para ela. Isso significou cortar gastos e não comprar vestidos novos para Ivy. Quando ela tentou protestar pelo tratamento desigual dispensado a ambas, o pai a acusara de invejosa e que Rachel precisava de mais, porque era bonita, mas emocionalmente insegura.
Traduzindo, isso queria dizer que Rachel não tinha sentimentos por ninguém, exceto por si mesma. Mas havia convencido o pai de que o adorava, e lhe enchera os ouvidos com mentiras sobre Ivy, acusando-a de sair à noite para se encontrar com homens e de roubar da garagem, onde ela trabalhava duas vezes por semana como contadora. Nenhum argumento fora suficiente para convencê-lo da sua honestidade, e que ela sequer chamava atenção dos homens. Jamais conseguia manter um futuro namorado depois que ele punha os olhos em Rachel.
— Se eu posso aprender contabilidade, vou conseguir uma maneira de me sustentar, Rachel — respondeu Ivy em um tom calmo.
— Você poderia se casar com um homem rico, um dia, se pudesse encontrar um cego — zombou Rachel, e riu da pequena piada. — Embora eu não consiga entender como pretende encontrar um, em Jacobsville, Texas.
— Não estou procurando um marido. Estou estudando na faculdade comunitária — lembrou-a Ivy.
— Está mesmo. Que futuro lamentável você terá. — Rachel parou para sorver um audível gole de sua bebida — Tenho dois testes de interpretação amanhã. Uma é para o papel de protagonista em uma obra na Broadway. Jerry diz que conseguirei facilmente. Ele tem influência com o diretor.
Ivy geralmente não era sarcástica, mas Rachel a estava irritando.
— Pensei que Jerry não quisesse que você trabalhasse.
Houve uma breve pausa do outro lado da linha.
— Jerry não se importa — disse Rachel em um tom frio. — Apenas gosta que eu fique em casa, assim ele pode cuidar de mim.
— Ele a alimenta com estimulantes, sedativos e anfetaminas e lhe cobra pelo privilégio, você quer dizer — replicou Ivy com a voz calma. Não acrescentou que Rachel fosse bonita e que Jerry provavelmente a usasse como isca para atrair novos clientes. Ele a levava de festa em festa. Ela falava sobre atuar, mas era apenas conversa. Mal conseguia se lembrar do próprio nome quando estava drogada, quanto mais das falas de uma peça. Ela bebia em demasia, assim como o namorado.
— Jerry cuida de mim. Ele conhece os nomes mais importantes do teatro. Prometeu me apresentar a um dos anjos que está produzindo aquela comédia nova. Serei famosa na Broadway ou morrerei tentando — disse Rachel bruscamente. — E se vai começar a discutir, é melhor nem nos falarmos.
— Não estou discutindo.
— Você fica depreciando o Jerry o tempo todo!