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segunda-feira, 29 de abril de 2013

O Único Pecado

ROMANCE CONTEMPORÂNEO






Lilly Landau deixa a cidade e foge com um dom-juan aventureiro para a Austrália, onde se casam.

Mas a felicidade é precária; seu marido é um gigolô que se dedica ao jogo e às conquistas amorosas. Desiludida, Lilly mergulha num trabalho que transformará sua vida.
Fama e fortuna esperam por ela.
O lançamento dos produtos Lady L. para maquilagem é sucesso.
No cenário de um mundo em ebulição, conflitos, guerras, inicia-se a trajetória vitoriosa de Lilly rumo à glória! Paris, Londres, Nova York...
Em cada capital, um amor. Jacques, Michael, Alex: três casamentos, três homens na vida de uma mulher que muito sofreu e amou!

Capítulo Um

12 de agosto de 1903
À tarde ensolarada de verão combinava às maravilhas com o ambiente festivo do pequeno vilarejo de Marienbad, a pitoresca estação de águas da Boêmia. 
Um clima de expectativa tomava conta das ruas, cujas pedras centenárias haviam sido lavadas, e as carruagens, apesar de as ferragens já reluzirem como ouro, continuavam sendo polidas pelos zelosos cocheiros. 
A cidade se vestira de festa para receber seu mais célebre visitante: o rei Edward VII da Inglaterra.
Um par de olhos verdes e curiosos acompanhava o movimento apressado dos transeuntes através da vitrine de uma modesta loja de chapéus. 
A comitiva real passaria por ali a caminho do imponente Hotel Weimar, a jóia de Marienbad, situado numa colina coberta por pinheirais. A concentração de Lilly Landau a impedia de ver quantas pessoas diminuíam o passo para admirar-lhe o corpo esguio e os cabelos acobreados que brilhavam ao sol.
Quando era ainda príncipe de Gales, Edward costumava passar todos os anos, pelo menos durante uma semana, em Marienbad. Dessa vez, contudo, seria diferente: era a primeira visita depois de sua ascensão ao trono da Inglaterra. 
Há vários dias, membros da aristocracia européia vinham chegando, acompanhados de sua inseparável criadagem, para esperar as festas, jantares e recepções que transformariam a vida da cidade numa ciranda de diversões.
Os comerciantes haviam se preparado para essa grande oportunidade, na qual as damas da nobreza, logo enfastiadas com os vestidos contidos nos imensos baús de suas bagagens, começariam a comprar sem sequer perguntar o preço da mercadoria. 
No fundo, todos eles nutriam a esperança secreta de serem escolhidos pela favorita mais recente de Edward, pois, em conseqüência, sua loja se tornaria o lugar mais procurado por todas as outras mulheres.
Sarah Landau, tia de Lilly, sempre demonstrara o quanto à amizade do então príncipe de Gales por Leo Rothschild o tomava mais valoroso a seus olhos. 
Apesar da reação contrária dos ministros e da oposição dos jornais, Edward continuava a manter esse relacionamento amistoso que se iniciara quando ambos ainda estudavam em Cambridge. 
E ela adorava contar que Edward viajara toda a noite, sob uma terrível tempestade de neve, para comparecer ao casamento do amigo.
Ocasionalmente Sarah comentava com a sobrinha sobre a vida em Viena:
— Eu e sua mãe crescemos com a certeza de que éramos austríacas e apenas por mero acaso, seguíamos o judaísmo. Acreditávamos ser exatamente iguais a todos os habitantes da Áustria. Na verdade, apenas fechávamos os olhos a inúmeros fatos desagradáveis porque não queríamos vê-los. 
Em 1882, nossos pais foram visitar uma prima em Bratislava, a menos de sessenta quilômetros de Viena, e nunca mais voltaram... Foram mortos numa manifestação contra os judeus daquela cidade. Então não pudemos mais continuar ignorando a realidade.
— Foi depois disso que você e mamãe resolveram vir morar em Marienbad?
— Ainda demorou algum tempo, pois eu estava namorando um colega de faculdade, pensando que logo nos casaríamos. Que ilusão a minha! Quando o pai dele descobriu que eu era judia, obrigou-o a romper o noivado.Nesse mesmo dia, sua mãe e eu arrumamos as malas e tomamos o primeiro trem para Marienbad. Senti muito remorso por tirar Kathe de Viena, porém sabia que não poderíamos viver junto a pessoas que agrediam a população de origem judaica. No entanto, até mesmo aqui existe um profundo preconceito contra nós.
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