Para o resto da vida?
O sheik Hassan Rashid não tinha intenções de se casar com uma mulher ocidental.
Só que o seu irresponsável irmão gêmeo Omar deu uma escapadela até Nova York, e logo Hassan viu-se comprometido com Kathy Whitman — que ficara noiva, na verdade, de Omar!
Hassan, então, resolveu manter o noivado até conseguir fazer com que Kathy pusesse um fim àquele relacionamento...
A última coisa que passava pela cabeça de Kathy era romper o noivado.
Mesmo sabendo que Hassan não era o homem com quem havia se comprometido.
Sim, ela sabia que Hassan não era o gêmeo com quem planejara se casar... pois os beijos dele lhe provocavam uma paixão que nunca havia experimentado. Kathy sabia que cedo ou tarde o segredo do sheik acabaria revelado. E, antes que isso acontecesse, ela tratou de elaborar um plano para transformar aquela farsa em um compromisso para o resto da vida...
Capítulo Um
Hassan Rashid cruzou com muita relutância o hall de entrada do edifício onde Kathy Whitman morava, conferiu por duas vezes o número do apartamento que Omar havia lhe dado e, desanimado, apertou o botão do interfone.
Seria possível que, pela primeira vez na vida, o desmiolado do seu irmão gêmeo estivesse certo? Tomara que sim, e que a tal Kathy realmente não se importasse nem um pouco quando ele lhe dissesse que Omar estava rompendo o noivado com ela.
— Pois não?
A suave voz feminina que emergiu do interfone pareceu penetrar na alma de Hassan, elevando-lhe a temperatura do corpo ao criar novas dúvidas a respeito de tão insólita situação. Aquela voz em nada soava como a da mulher fria e calculista que havia concordado em trocar um romance de verdade por um casamento de conveniência.
Bem, as aparências enganavam. Ele, por exemplo, era fisicamente idêntico a Omar; em ideias e opiniões, porém, um era o oposto do outro. Omar era extravagante, extrovertido, o centro das atenções em todo e qualquer evento social, enquanto ele próprio tinha um comportamento discreto e retraído na maioria das ocasiões.
— Ha alguém aí?
A voz de Kathy, agora um pouco mais áspera, interrompeu o fluxo de pensamentos de Hassan. Droga, ele não tencionava aborrecê-la ainda mais. Já bastava o quanto ela ficaria desgostosa quando soubesse da deslealdade perpetrada por Omar.
Aprumando-se, ele aproximou os lábios ao interfone e disse:
— Desculpe, eu...— Omar! Graças a Deus, você está de volta! Venha, suba depressa. Precisamos conversar.
É... Pelo visto Ornar tinha se enganado. Outra vez.
O entusiasmo de Kathy fora autêntico, era evidente que ela estava feliz da vida por ouvir a voz do noivo. Parecia até que vinha contando os dias até o retorno de Omar a Nova York.
Mas isso não fazia sentido. De acordo com Omar, o noivado de ambos não passava de aparência, um caso forjado baseado no respeito mútuo que os dois tinham pelo trabalho um do outro junto a crianças emocionalmente problemáticas. Não havia amor, nem mesmo afeição ou romance, a permear aquele relacionamento. Eles sequer haviam saído juntos.
Omar lhe dissera achar que estava na hora de se casar e formar uma família, e que a maneira mais bem-sucedida de colocar sua decisão em prática seria unir-se a uma mulher que compartilhava de seus interesses e objetivos. E que, quando fizera uma lista com o nome das garotas que conhecia, Kathy Whitman era a única que preenchia todos os requisitos para ser uma esposa ideal.
Então escrevera uma carta a Kathy, explicando-lhe a situação e propondo-lhe casamento. Segundo Omar, ela ficara de pensar por uma semana, e finalmente resolvera aceitar a proposta na véspera de ele embarcar para uma conferência na Austrália.
Hassan franziu as sobrancelhas. Ao que tudo indicava, Kathy não havia dito a verdade ao aceitar o pedido de casamento de Omar nos termos combinados. No fundo, estava mesmo era realmente apaixonada pelo seu irmão gêmeo. Que situação!








