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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Nas Asas da Paixão


Eve Coudert ousou provocar um escândalo sem precedentes ao fugir de casa para viver em pecado impenitente; conquistou o estrelato cantando no mais importante music hall de Paris; arriscou a vida no front durante a Primeira Guerra Mundial, onde conheceu o rico e charmoso visconde Paul de Lancei, com quem teve duas filhas, herdeiro de grandes vinhedos, que fez dela a grande dama da Champagne.

Freddy ousou desafiar os pais indignados e aprendeu a voar em segredo; fez vôos solos ao completar dezesseis anos; competiu, destemida, em corridas aéreas contra os maiores pilotos do final da década de 30; voou pela Inglaterra durante os anos da Segunda Guerra Mundial; construiu uma grande companhia de aviões na Califórnia; amou profundamente e perdeu com a mesma bravura com que venceu; descobriu o que havia além do horizonte.
Delphine, a outra filha de Eve e Paul, ousou levar uma vida secreta de noitadas em nightclubs e cassinos ilegais, e quando Hollywood estava em seu memorável auge fez, por puro capricho, um teste para o cinema e tornou-se, antes mesmo de completar dezoito anos, uma famosa artista de cinema; permaneceu na França ocupada durante a guerra por causa de um amor profundo pelo único homem que não pôde impressionar... nem esquecer
Essas são as três mulheres Lancei, excepcionalmente românticas, donas de uma coragem temerária, um humor invencível, corações extravagantes e um estilo extravagante. Elas não se arrependem de nada do que fazem... exceto talvez pela vintena de homens cujos corações partiram.

Capítulo Um

Eve Coudert estendeu a nota de cinco francos para o bilheteiro.
Ofereceu-lhe um sorriso indiferente, enquanto pagava pelo passeio no balão de ar quente amarrado no vasto campo de La Maladière, nos arredores de Dijon, no último dia do grande Espetáculo Aéreo de 1910.
— Está sozinha, mademoiselle? — perguntou ele, surpreso.
Era raro ver uma jovem desacompanhada, ainda mais tão atraente.
Ele contemplou-a com interesse, fazendo um levantamento rápido e perceptivo de seus charmes.
Ela fitou-o sob a aba do chapéu de palha com olhos cinzentos, bastante escuros para seduzirem o demônio, as sobrancelhas viradas para cima, inclinadas como um par de asas.
O volumoso coque revelava cabelos que tinham uma tonalidade indefinível mas
inebriante entre o vermelho e o dourado, os lábios carnudos e risonhos eram tão naturalmente rosados quanto as faces.
— Meu marido tem medo das alturas, monsieur — ela acrescentou uma insinuação delicada ao sorriso, dizendo ao bilheteiro que compreendia que ele próprio não tinha medo de altura e que o admirava por sua coragem.
Ah, pensou ele com satisfação, essa jovem esposa encantadora da província não é tão inocente quanto deveria ser; e com um olhar ansioso, mas sem qualquer outra pergunta, entregou a Eve o bilhete que dava direito a um passeio no balão.
Pegando a mão enluvada, o homem ajudou-a, galantemente a subir na gôndola de vime, parecida com uma cesta, com espaço suficiente para cinco pessoas.
Eve segurou a estreita saia branca de fustão com uma das mãos e com a outra prendeu o elegante chapéu de aba larga, ornamentado com rosas de seda.
As botinas pontudas de cordão e saltos baixos batiam nervosamente, enquanto Eve esperava pela remoção das dezenas de sacos de areia que mantinham o enorme balão vermelho no solo.
Teve o cuidado de não olhar para os outros passageiros.
Virou-lhes as costas, inclinou-se contra a beira da gôndola, na altura da cintura, comprimiu o queixo contra a gola alta, as pétalas de renda se destacando contra a pele delicada, quase escondendo o rosto.

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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Luxúria

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


Billy, filha infeliz e feia de um médico obscuro de Boston, dá asas às suas paixões reprimidas, passando de um homem a outro até encontrar Ellis Ikehorn, milionário quase quarenta anos mais velho.

Em sua vila na Riviera Francesa, no apartamento de Paris ou na vinícola da Califórnia, ela consegue esquecer as dores de seu passado.

Após cinco anos de felicidade, fica sozinha novamente.
Para ocupar sua vida ociosa, ela cria Luxúria, uma butique onde os ricos podem satisfazer seus mais extravagantes desejos.
Saído das mãos da criativa Judith Krantz, o romance evoca os mundos público e privado dos milionários, ambiciosos e talentosos.

Capítulo Um

Em Beverly Hills, só os enfermos e senis não dirigem carro próprio.
A polícia local está acostumada a ver estranhas combinações de veículos e motoristas: o banqueiro aposentado e míope virando à esquerda num local proibido, em sua Ferrari Dino, o adolescente correndo em disparada para a aula de tênis em seu Rolls Royce Corniche de 55 mil dólares, a matrona que é líder cívica calmamente estacionando seu Jaguar vermelho-vivo junto de uma parada de ônibus.
Billy Ikehorn Orsini, entre cujos defeitos normalmente não se incluía dirigir feito louca, parou sua Bentley antiga com um ranger de freios impaciente defronte de Luxúria, a butique mais luxuosa do mundo, um verdadeiro clube de principado flutuante dos muito, muito ricos e dos realmente famosos.
Ela estava com trinta e cinco anos e era senhora única de uma fortuna calculada entre 200 e 250 milhões de dólares pelo pesquisadores do Wall Street Journal.
Quase a metade de sua fortuna estava investida comodamente em títulos municipais isentos de impostos, simplificação nada apreciada pelo Departamento do Imposto de Renda.
Embora estivesse apressada, Billy demorou-se um pouco defronte de Luxúria lançando um olhar penetrante sobre sua propriedade na esquina nordeste do Rodeo Drive e Dayton Way, onde, quatro anos antes, havia a loja de Van Cleeff e Arpeis, um lugar marcante, com fachada de gesso branco, dourados e ferro batido, que parecia ter sido cortado do Hotel Carlton em Cannes e despachado intacto para a Califórnia.
A capa de lã marrom de Billy tinha um forro de marta dourada, para protegê-la do frio da tarde de fevereiro de 1978.
Ela enrolou-se na capa, enquanto olhava para cima e para baixo no coração suntuoso de Rodeo Drive, onde as duas fileiras opostas de butiques exageradamente opulentas brilhavam cada qual mais que a outra, formando a mais assombrosa exibição de luxo no mundo ocidental.
A larga avenida era alegrada por fícus pontudos, de um verde vivo o ano inteiro, com montanhas baixas e verdejantes a pouca distância, como o fundo de um quadro de Leonardo da Vinci.
Alguns transeuntes mostraram reconhecê-la lançando aquele olhar de esguelha com que o verdadeiro nova-iorquino ou o frequentador de Beverly Hills reconhece com relutância a mesma celebridade que em outra cidade poderia atrair uma multidão.

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