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quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Feitiço do Luar

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Como agarrar um Milionário
Como agarrar um milionário

Emilie Storrs se surpreendeu ao ler o título do livro que a irmã lhe dera. 
Seriam os conselhos indicados pela autora suficientes para fazê-la conquistar um milionário sexy e irresistível? 
Decidiu que o melhor lugar para descobrir isso seria o Caribe, com suas paisagens paradisíacas, freqüentadas por milionários excêntricos. 
Porém, logo se descobriu perigosamente atraída pelo charmoso Tyler Weston, dono de estonteantes olhos azuis.
Só que ele era apenas um barman, e não poderia oferecer a riqueza que Emilie procurava...

Capítulo Um

“Tudo bem", pensou Emilie. "Tentarei realizar essa loucura e encontrar um pretendente milionário. Mas duvido que exista algum homem rico tão sexy quanto esse barman."
Tentou não olhar para ele, mas simplesmente não conseguiu se conter. A luxuosa estação de férias, com prédios brancos, pátios internos e trilhas arborizadas, gramados verde-esmeralda e praias de areia clara pareceu sumir de repente. Para Emilie, restava apenas a imagem daquele irresistível desconhecido.
Ele era alto, forte e tinha um físico invejável. 
Sua pele era perfeitamente bronzeada, por certo como conseqüência das horas que passava sob o sol tropical. 
Os cabelos castanho-claros iam além da linha do colarinho e tinham algumas mechas aloiradas. Seus olhos eram tão azuis quanto o mar do Caribe, e o amplo sorriso o deixava com uma aparência ainda mais estonteante. 
A camisa pólo e a bermuda caqui enalteciam os músculos rijos que os preenchiam, demonstrando a força que ele poderia utilizar se fosse preciso.
Não havia homens como aquele em Chicago, pensou Emilie. Nunca encontrara algum entre seus antigos clientes, nem na vizinhança do minúsculo apartamento onde morava, antes que a mudança na política e os cortes nos gastos da empresa a deixassem sem emprego, quatro meses antes. Os homens que ela conhecia em Windy City costumavam ser pálidos e viviam sempre estressados.
No entanto, encontrava-se muito longe de Windy City no momento. A estância Golden Key, situada em uma paradisíaca ilha do Caribe, três quilômetros a oeste de St. Thomas, era o local onde, supostamente, ela encontraria seu amor milionário.
Lera Como Agarrar um Milionário e recebera instruções da própria autora, Tônia Benson. Um dos capítulos dizia que para conhecer milionários era preciso ir aos lugares que eles costumavam freqüentar. Golden Key era o local perfeito, mas a única maneira que Emilie encontrara de entrar na estância fora se inscrevendo para trabalhar como garçonete.
Entretanto, como conseguiria prestar atenção a algum dos hóspedes milionários com aquele verdadeiro deus grego à sua frente? Com aquela aparência, que importância tinha que ele fosse um barman e que tivesse uma conta bancária reduzida?
Na verdade, a idéia do casamento com um milionário fora de sua irmã, Corinne. Ela conquistara um milionário e casara-se com ele, anos antes. Corinne o conhecera na faculdade e, por sorte, ambos haviam se apaixonado à primeira vista. Jonathan era descendente de uma das famílias mais ricas de Chicago, mas esse não fora o fator decisivo para Corinne aceitar se casar com ele. Os dois se amavam de verdade.
Contudo, assim que os dois passaram a morar na luxuosa casa em Lake Shore Drive, e que Corinne passara a desfrutar do benefício de nunca mais ter de viver com um orçamento apertado, ela aconselhara a irmã mais nova a procurar um pretendente rico.
Tentara até apresentá-la para alguns amigos ricos e solteiros do marido, mas Emilie os considerara pessoas muito vazias e superficiais.
— Você tem um coração muito nobre e sei que está fazendo diferença na vida das pessoas — Corinne lhe dissera. — Mas também pode fazer essa diferença com dinheiro, querida. Veja, por exemplo, quanto arrecadei naquele último bazar para ajudar desabrigados. O baile de caridade para ajudar crianças com câncer também foi bem-sucedido. Assim como outras atividades para arrecadar fundos para a Cruz Vermelha.
Era verdade. Corinne arrecadava muito dinheiro para pessoas necessitadas e sentia-se realizada fazendo isso. Ela própria, no entanto, passara os últimos quatro anos trabalhando como uma mal remunerada assistente social do Departamento de Serviços Sociais. Até ser despedida.

Série Como agarrar um Milionário
1- Feitiço do Luar
2- Milionário Irresistível
3- Um Brinde à Fortuna
Série concluída

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Pacto de Sedução

ROMANCE CONTEMPORÂNEO





Mallory Powell, sobrinha de Grace DeWilde, está dividida entre manter o noivado de conveniência ou perseguir a paixão que conhecera durante um retiro. 

Para piorar, ela está grávida. 
O escritor Liam O’Neill quer continuar o relacionamento com Mallory, mas ganhar uma família pode parecer muito? E Grace conhece Alex Stowe, um novo pretendente...


Capítulo Um

Quanto tempo levaria para examinar uma pequena senhora? Patience andou pela extensão da sala de emergência pelo que parecia ser a centésima vez. Por que estava demorando tanto?
— Com licença. — Ela bateu na janela de vidro que separava a recepção do resto da área de espera da emergência. — Minha... Avó... Está lá dentro faz muito tempo. — Ela imaginou que a mentira pudesse ganhar mais simpatia do que dizer “minha patroa”. — Há alguma forma de descobrir o que está acontecendo?
A enfermeira exibiu um sorriso compreensivo.
— Sinto muito, realmente estamos ocupadas hoje, e as coisas estão atrasadas. Tenho certeza de que um médico vai aparecer para falar com você em breve.
Fácil para ela dizer. Não tinha encontrado a patroa contorcida na base de uma escadaria. O choro de Ana ecoou em sua mente. Frágil, fraca. Se ao menos ela não estivesse na outra sala... Se ao menos ela não tivesse dito a Nigel que ele precisava esperar pelo jantar, então Ana não estaria ali. Ela estaria tomando seu chá no salão principal como sempre fazia todas as tardes.
Patience não pôde conter uma risadinha suave e triste. Trabalhar para Ana tinha mudado sua vida. Se ao menos Ana soubesse como ela havia resgatado Patience, tirado-a das trevas e trazido-a para um lugar que era claro e brilhante. É claro, Ana não poderia saber. Até onde Patience se lembrava, sua vida iniciou no dia em que começou a limpar a casa de Anastasia Duchenko. Tudo o que ela fez anteriormente tinha desaparecido.
As portas do hospital foram abertas com um suave barulho, anunciando a chegada de outra visita. Imediatamente, a atmosfera na sala mudou, e não era por causa do calor de junho que interrompia o ar-condicionado. As conversas pararam e toda a atenção se voltou para o novo visitante. Mesmo as enfermeiras se endireitaram. Por um segundo, Patience se perguntou se uma celebridade local havia entrado no hospital. O ar parecia carregado de expectativa.
O terno feito sob medida e a gravata de seda gritavam superioridade, assim como a postura perfeita. Uma coroa de caracóis castanhos impedia que os traços dele fossem muito rígidos. Sem dúvida, esse era um homem que todos esperavam que estivesse no comando. Ela podia apostar que ele não iria esperar nem uma hora.
O homem passou direto até a janela da recepção. Patience estava prestes a parar de andar de um lado para o outro quando o ouviu dizer o nome Duchenko. Não poderia ser uma coincidência. Esse deveria ser o momento que ela esperava para descobrir sobre Ana. Patience afastou uma mecha de cabelo que lhe caía sobre o rosto, alisou a frente da camisa e avançou um passo.
— Desculpe-me, eu o ouvi perguntar sobre Ana Duchenko?
Ele se virou na direção dela. — Quem pergunta?
Por um momento, Patience perdeu a habilidade de falar. Ele a encarava com os olhos da mesma cor azul de uma chama, a cor tão vívida que mal podia ser real. Acesos com intensidade, eles eram do tipo que você poderia jurar que estavam olhando para dentro da sua alma.
— Patience — respondeu ela, recompondo-se. — Sou Patience Rush.
Ela não achou ser possível que o olhar dele se intensificasse mais ainda, no entanto foi o que aconteceu.
— É a governanta da tia Anastasia?


Série Casa das Noivas
1- Votos de Amor
2- Encontro Marcado
3- O Poder da Sedução
4- Um Sonho de Amor
5- Uma noiva para papai
6- Ladrão de Amor
7- Pacto de Sedução
8- Termos de Rendição
9- Segredos de família
10- Um homem selvagem
11- Preciosa Sedução
12- Juntos outra vez
Série Concluída


quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Ternura

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Um tio irresistível, uma criança travessa, uma mulher desesperada... 

Pamela Hayes achou que valeria o sacrifício casar com Joe Brenner. Muito mais difícil seria lidar com a irrequieta sobrinha dele, apelidada de Lagartixa, que usava penas de gaivota nos cabelos e que a chamara de “feia”! 
Na verdade, Pamela precisava com urgência de uma nova identidade, para escapar de um matador de aluguel. Com certeza, ele não a encontraria naquela ilhota ao sul da Flórida, usando outro sobrenome. 
E uma vez que o casamento seria de mentira e temporário - até que Joe ganhasse a custódia da sobrinha -, talvez não fosse tão ruim assim. Aliás, observando bem o “marido”, poderia ser bastante interessante...


Capítulo Um

Nenhuma das mulheres que frequentavam o Shipwreck parecia o ideal de esposa para Joe Brenner. A multidão de sempre apinhava o bar: surfistas, estivadores, artistas desconhecidos, alguns marinheiros, pescadores profissionais, além dos amadores, sempre prontos a contar suas histórias sobre os peixes enormes que fisgavam. 
A clientela feminina se enquadrava em categorias semelhantes... integrantes da marinha, gatinhas de praia, vendedoras de artesanato. Joe conhecia pelo menos metade daquele mulherio. Quanto à outra metade, provavelmente não queria se dar ao trabalho de conhecer. 
— Ela estará aqui esta noite — prometeu Kitty, aproximando-se do balcão do bar, onde depositou a bandeja. 
— Preciso de duas batidas de pêssego e um uísque com soda. 
Joe desviou sua atenção da freguesia barulhenta e olhou vagamente ao redor do recinto pouco iluminado, onde predominava a decoração de estilos náutico e rústico. Seus olhos passaram rapidamente pelos pôsteres de ilhas tropicais nas paredes em direção aos vários ventiladores de teto, que agitavam o ar quente e abafado sem fazer muito para resfriá-lo. 
A sua frente, o balcão estendia-se para a esquerda e para a direita, como um forte de madeira que o protegia, chegando-lhe quase a altura do peito. Kitty, a líder de suas garçonetes, aguardava para levar mais um pedido. Apesar do calor opressivo, sua pele bronzeada não apresentava sinais de transpiração, seus cabelos tingidos de loiro estando apenas um tanto úmidos junto à fronte.
— Duas batidas de pêssego e um uísque com soda — repetiu ele, munindo-se das garrafas e dos copos necessários para servir os drinques. 
— A que horas você lhe disse que viesse? 
— Não mencionei horário. Ela vai chegar quando achar que deve, certo? 
— Este é assunto é importante, você sabe. 
— Se é assim tão importante... — começou Kitty, colocando as mãos na cintura esguia — ...por que não se casa comigo? 
Sorrindo, Joe foi colocando os copos com as bebidas na bandeja. 
— E isso me tomaria o que? Seu quarto marido? 
— Quinto, mas quem está contando? 
— Sabe que a adoro, não é, Kitty? O problema é que você é exatamente o que não preciso no momento. 
— Sim, nem me fale... — Ela retomou o sorriso e afastou-se, equilibrando a bandeja numa das mãos, enquanto se aproximava de uma das mesas repletas de fregueses. Joe observou-lhe o movimento dos quadris com distanciada admiração. Kitty tinha curvas exuberantes e vestia-se de maneira a ressaltá-las... naquela noite usava uma camiseta justa e um shorts vermelho. 

domingo, 6 de outubro de 2013

A Dama do Espelho

ROMANCE CONTEMPORÂNEO

Clint McCreary viajou de Nova York a Los Angeles com um único objetivo: 

Encontrar a irmã adolescente que fugira de casa. 
Não fora até a Califórnia para se apaixonar por Jessie Gale — loira adorável e atraente que dirigia um abrigo para fugitivos. 
Clint não acreditava em amor à primeira vista e não queria admitir que ficara imediatamente fascinado por Jessie. 
Ela era uma mulher igual às outras, com nada de especial, ele pensou. 
Mas Clint sabia que estava mentindo para si mesmo... 


Capítulo Um 

Ela não parecia uma prostituta. 
Clint examinou as três outras garotas na esquina. Não passavam de adolescentes: pernas magricelas, quase sem traseiros. Com shorts curtos, tops frente única e sandálias de salto alto, mais pareciam crianças fantasiadas de adulto. 
Por baixo da maquiagem, pareciam famintas e assustadas.
Los Angeles não era muito diferente de Nova York, pensou. 
Menos arranha-céus, palmeiras e laranjeiras em vez de azevinhos e pinheiros, mas, como toda cidade, cheia de prostitutas e mendigos tentando sobreviver nas ruas. 
Só que Los Angeles era uns 5 graus mais quente, o que permitia que as garotas andassem com menos roupa.
Quando Clint embarcara no aeroporto La Guardia na manhã do dia anterior, o frio de novembro gelara-lhe até os ossos. Agora o calor seco da Califórnia o fazia suar. 
Como as garotas que perambulavam no cruzamento das ruas Sunset e Hill, a mulher que as acompanhava usava trajes de verão, um pouco menos ousados. 
A saia de estampado florido dava-lhe pelos joelhos, mas, quando o sol incidiu no tecido transparente, Clint pode ver a silhueta de suas pernas esbeltas e longas. 
Embora decotada, blusa sem mangas cobria tudo o que precisava cobrir, deixando a Clint a tarefa de imaginar as curvas ocultas. 
Forte e robusta, possuía braços graciosos e bronzeados, cabelos loiros presos numa longa trança, traseiros bem redondos e olhos de um azul tão intenso que iluminavam a alma de Clint. 
Que fosse para o inferno. Ela estava com as outras, no mercado, pronta para o que desse e viesse Se parecia mais velha e menos desesperada, isso só significava que era mais bem sucedida do que as mais jovens. 
Talvez fosse a líder. A cafetina. 
Talvez Clint devesse pensar o pior dela. Examinou as garotas uma vez mais. 
Eram mais jovens do que a irmã dele, mas não muito. 
Se ela estava encostada numa esquina como aquele trio, com trajes mínimos... 
Que Deus o ajudasse: iria estrangular o patife com quem ela fugira e arrastá-la para casa e trancá-la em algum lugar seguro. Se não fosse tarde demais. 
Amaldiçoou a raiva e o medo que faziam seu estômago se contrair. 
Não queria nem imaginar o que acontecera com Diana desde que abandonara a escola, subira na garupa da Harley-Davidson do namorado e seguira para Los Angeles. 
A mulher alta e loira conversava com as jovens na esquina. Uma delas apontou para Clint, sentado ao volante de seu carro alugado, estacionado na frente de uma parada de ônibus. 
A loira se virou e franziu-lhe o cenho. 
Se estivesse procurando trabalho, para ela própria ou para suas coleguinhas, teria lhe lançado um sorriso convidativo. Lançou-se na direção do carro dele e, com as mãos na cintura, inclinou-se à janela do lado do passageiro para gritar: 
— Está olhando o quê? O carro foi invadido pelo cheiro de talco infantil. O sol do meio-dia iluminou a metade esquerda do rosto da mulher, enfatizando-lhe, as faces, o nariz afilado e o queixo saliente, depois a linha da clavícula e, enfim, uma leve sombra entre os seios, apenas delineados junto à gola da blusa. 
Ele a imaginou colocando talco infantil naquele local tão macio e feminino. Imaginou que preferisse talco em vez de algum perfume à base de almíscar, porque a fragrância doce e refrescante mexia com estranhas fantasias masculinas, de inocência combinada à lascívia. 
Apagou rapidamente esta idéia da mente. 
— Estou olhando para suas amigas — respondeu, impassível.
— Então pare. Elas não estão disponíveis. 
— Não estou... 
— Meu conselho é que vá embora. Esse bairro ficaria muito melhor se houvesse menos tarados andando por aí. E essas garotas... 
— Só quero conversar com elas — disse ele, não querendo ceder diante da hostilidade dela. 
Ela o interpretara mal, muito mais do que poderia imaginar, mas ele não iria cair na defensiva. 
— Estou procurando alguém. 
— Aposto que está mesmo. Vá procurar em outro lugar! E, a propósito, procure alguém da sua idade. E não vá infringir as leis, hein? Ele quase replicou que ele era "a lei". 
Só que lhe ocorreu que talvez ela também fosse. 
— Você é policial? — perguntou.

 

domingo, 1 de setembro de 2013

Nosso Louco Amor

ROMANCE CONTEMPORÂNEO







Ela não imaginava que um homem pudesse atraí-la tanto! 

Fugir da agitação de Nova York e esquecer o passado era o que Beth Pendleton pretendia, ao ir morar naquela pequena e pacata cidade. 
Sua vida, porém, virou de cabeça para baixo desde o momento em que ela conheceu Ryan Walker, que lhe roubou o coração no primeiro encontro. 
Só que Beth sabia que era impossível se entregar por completo à atração que sentia por esse homem tão sensual. 

Capítulo Um 

Tudo teria corrido bem, não fosse o estouro do cano de escapamento. 
A explosão ocorreu na modorra do meio-dia, ecoando pelo centro tranquilo de Devon como um disparo de espingarda, a produzir uma esteira de nervosismo. 
Quando Beth avistou a caminhonete velha atravessando a cidade na frente de uma cortina de fumaça escura, Missy já estava apavorada, latindo e puxando a correia nova. 
Como não conseguiu libertar-se, começou a correr, dando uma volta completa nos tornozelos da dona, que perdendo a dignidade e o equilíbrio, estatelou-se na calçada. 
Com o impacto no traseiro, Beth gritou e largou a correia. Missy, vendo-se em liberdade, não hesitou: começou a correr pela cidade. 
— Calma — Beth disse baixinho, para si mesma. 
— Essas coisas acontecem. O importante é não entrar em pânico. Estivera estressada durante tanto tempo que precisava lutar para não perder a calma. 
O filhote que comprara na loja havia menos de dez minutos agora corria solto pela rua principal, arrastando a bela correia nova atrás de si, como um rabo artificial. Mas não iria deixar que isso a abatesse. 
Inspecionou os joelhos e tornozelos, constatando que não havia danos graves. Levantou-se e apanhou a bolsa, examinando os arredores. Enxergou o filhote mais à frente, esquivando-se de um menino que saía da mercearia com a mãe.
A criança riu enquanto Missy dobrava a esquina. A última coisa que desapareceu foi à empunhadura vermelha da coleira nova. 
Beth mal acreditou em seus olhos; em Nova York as pessoas se afastavam instintivamente de um cão em fuga. Ali em Devon, tentavam de verdade apanhar o animal. Não teve muito tempo para refletir entre as diferenças culturais entre seu novo endereço e o antigo. 
Lançou-se em perseguição ao fugitivo. O cãozinho, ébrio de liberdade, já evitara o assédio de um adolescente de skate, de um carteiro e por poucos centímetros deixara de ser atropelado por um idoso numa bicicleta. 
Beth acelerou o passo. Em poucos instantes descobriu que sua forma física não era das melhores, nem suas sandálias eram apropriadas para a prática da corrida: suava em bicas. Xingou a si mesma, repetindo que não entendia nada de cães. 
Não demorou muito para descobrir que daquela forma jamais alcançaria o filhote. Mudara-se para Devon à procura de uma nova vida. 
Trocara seu apartamento urbano numa das zonas mais movimentadas de Nova York, por uma bela casa em estilo colonial ao final de um caminho sinuoso entre grandes árvores, nas colinas ao sul de New Hampshire. 
Deixara o emprego de alta executiva numa firma de advogados em Park Avenue, por uma sociedade com Cindy Miller e seu marido, Jeff, num escritório onde ela poderia trabalhar das nove as cinco, e dedicar o restante do tempo a si mesma. 
Fora comprar um cachorro naquela manhã; porque acreditava que sua nova vida, pedia um companheiro canino dedicado. Ao colocar os olhos em Missy na loja, reparando no filhote mais ativo, que não dava sossego aos companheiros, Beth se apaixonara pelo olhar travesso dela.