Vidros de remédio quebrados, aparelhos cirúrgicos destruídos, fichas jogadas pelo chão do consultório...
Samantha olhava ao redor, sentindo lágrimas embaçarem aquela visão aterrorizante.
Que razões alguém teria para querer fazê-la desistir de ser a médica daquela ilha do Pacífico?
Quem poderia ajudá-la a acabar com os repetidos atos de vandalismo era Chris, o homem mais influente do lugar. Mas ele simplesmente lhe pedia para levar adiante o trabalho, ignorando as ameaças!
Samantha estava enfeitiçada demais por aquele homem de olhos negros e pele queimada de sol para fazer a única coisa que devia: fugir. Iria continuar caindo em ciladas até o pior acontecer.
O criminoso sabia disso, e se preparava para a violência final.
Capítulo Um
— Lá está, senhorita. Do lado esquerdo.
O coração de Samantha disparou quando viu a ilha da Boa Providência.
— É tão pequena... — comentou, fazendo o piloto rir.
— Sim, tem apenas uns catorze quilômetros de extensão e fica a uns vinte da ilha mais próxima.
O piloto continuou a falar sobre as dificuldades de comunicação com a ilha e os problemas causados pelas constantes tempestades. Samantha tentava prestar atenção, afinal era de seu interesse saber tudo sobre seu futuro lar, mas estava excitada demais para ligar para detalhes.
A ilha da Boa Providência seria seu lar por um ano, a duração do contrato. Samantha arregalou os olhos verdes em expectativa. Como seria sua vida ali? Tinha esperado muito tempo por uma chance como aquela para colocar em prática seus conhecimentos de medicina tropical, e foram anos de preparação.
Agora estava mais perto do Japão e das Filipinas do que da costa dos Estados Unidos. Eram mais de dezesseis horas de vôo e, quanto mais o avião se aproximava da pequena ilha, mais desejava adiar aquela viagem.
Começava a achar que deveria ter feito mais um ano de residência, mais algum curso de especialização, qualquer coisa que lhe desse mais experiência para desempenhar com segurança o papel de única médica numa ilha com centenas de homens, mulheres e crianças. O bem-estar e até a sobrevivência de todos dependeriam dela e não era nada consolador saber que, até aquele momento, nunca tiveram a assistência de um médico.
Aos poucos, a ilha tomava forma, e faixas de verde, púrpura e marrom ganhavam vida. Estavam tão perto que podiam ver as encostas escarpadas das montanhas e até o topo arredondado de um vulcão. Finalmente, avistaram a faixa branca da areia.
— Segure firme agora!

