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domingo, 31 de março de 2013

Amar Outra Vez

ROMANCE CONTEMPORÂNEO







A solidão era um traço comum em suas vidas.

Mas o destino os aproximou.
Um ano após a morte do marido, Jessica Brogan ainda cultivava as recordações da intensa paixão que vivera com ele.
"Jamais me entregarei a outra pessoa", pensava nos momentos de solidão.
No entendo, o destino mostrou-lhe que era impossível fechar-se para o mundo.
Ao se envolver no resgate do filho do Dr. David Evans, um homem sensível e atraente, Jessica viu-se cercada de atenções e carinhos que fizeram seu coração abrir outra vez...
Mas a atitude dele não seria apenas gratidão por ter lhe salvado o filho?

Capítulo Um 

O esquilo olhou para Jessica, e Jessica olhou para o esquilo.
Ele se encontrava sobre uma rocha à margem do lago. Uma pequena criatura com o dorso cheio de manchas escuras, pêlo avermelhado e um focinho agitado. 
Seus olhos eram pretos, e a boca movia-se como se estivesse saboreando a iguaria mais apetitosa do mundo.
Jessica vinha boiando em direção à praia, depois de ter nadado no lago perto do acampamento, quando um ruído chamou-lhe a atenção.
O esquilo apareceu do nada para tomar posse da pedra, de onde a encarava com persistência. Mantendo os dedos no fundo arenoso do lago e as pernas abaixo da superfície da água, ela se aproximou.
O animalzinho pareceu não gostar do movimento. Com um olhar bravo, levantou a cauda e pulou para o meio das moitas. 
Ouviu-se um breve farfalhar de folhas e, então, o silêncio.Jessica riu sozinha. Boiando de costas, fitou o céu sem nuvens. 
A palavra “silêncio” tinha um significado diferente junto à natureza, pensou. Toronto nunca era silenciosa: vozes, trânsito, buzinas, aviões, todos os sons da atividade constante dos seres humanos que constituíam sua população. 
Embora houvesse aprendido a se desligar do barulho, sabia que sua mente desgastava-se com aquilo.
Ali no lago, o silêncio era como o céu: vasto, profundo, intocável e, no entanto, presente. 
O zunir das asas de um libélula, o zumbido de uma abelha, sons que ela não percebia na barulhenta Yonge Street.
Na primeira vez que levara Corey para um passeio no campo, o silêncio da floresta o perturbara. 
Ele rachava a madeira e, nas caminhadas, mexia no mato e esfregava as botas nas pedras, num esforço para dissipar o silêncio. 
Ou, talvez, para convencer-se da própria existência. 
Em outras viagens, Corey foi se acostumando à quietude, mas Jessica tinha a sensação de que ele sempre ficava secretamente feliz ao voltar para o apartamento em Toronto, onde podia ouvir o rádio, as buzinas, as vozes elevadas dos vizinhos gregos. 
Corey sempre fora uma pessoa urbana. Jessica imaginava como ele conseguiria sobreviver durante as longas horas noturnas em sua cela, quando a escuridão e o silêncio caíam sobre a prisão.
Ela se levantou tão de repente que a água agitou-se, formando pequenas ondas que invadiram a areia. 
Era hora de voltar à barraca e preparar o jantar. Pensando na escolha limitada do cardápio, pegou a toalha e enfiou os pés nas sandálias, pondo-se a caminho através dos arbustos que circundavam o lago.
Um pequeno riacho desembocava no lago, cascateando sobre as rochas de granito. 
À margem dele, Jessica havia acampado numa clareira de tamanho suficiente para montar sua barraca. 
Após caminhar dez quilômetros sob o sol de verão, do posto de fiscalização até aquele local, chegara louca para nadar. O esquilo fora um prêmio extra.
Como sempre, quando acampava, pequenas tarefas tomavam muito tempo para ser realizadas. 
Assim, quando terminou de comer e foi lavar a louça, o sol já estava baixo no céu. 
Algumas pessoas teriam descrito os arredores como desertos e áridos e se sentiriam amedrontadas. 
Para Jessica, porém, a leve encosta de areia coberta de arbustos e a vista das colinas distantes e do oceano eram lindas em sua simplicidade e tranqüilas em seu vazio.
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domingo, 17 de março de 2013

Para Afugentar A Noite...

ROMANCE CONTEMPORÂNEO









Sara queria daquele homem mais do que a louca explosão do desejo

A brisa perfumada do entardecer tocou o rosto de Sara, lembrando-a das hesitantes carícias de Cal, ali mesmo, na margem do lago dourado. 

Fechou os olhos por um instante, sonhando estar de novo nos braços daquele homem fascinante. Desejavam-se tanto... Por que então ele se retraía, negando-se ao delicioso envolvimento que os deixava sem fôlego e com o corpo em brasa a cada vez que se viam? 
Que mistério fazia Cal do amor e viver como um eremita, escondido do mundo?

Capítulo Um 

O sol se punha no horizonte em uma festa de esplendor. 
Gradações de coral, fúcsia e violeta coloriam as águas calmas do lago, enquanto Sara apreciava a paisagem com satisfação, como se toda aquela beleza tivesse sido feita apenas para ela. 
As árvores na margem oposta desenhavam seus contornos negros contra as montanhas, longínquas.
Sara sorriu encantada. Adorava aqueles lentos fins de tarde de verão, quando a luz parecia relutar em ir embora. Amava a serenidade do lago. 
Só depois de sentar-se sobre a rocha em forma de urso e respirar os aromas das plantas e da terra sentia que realmente havia chegado a Haliburton.
Acabara de vir de Halifax, após um jantar rápido em uma lanchonete. 
O aluguel de seu apartamento venceria no fim do mês, a mobília ficara guardada no porão da casa de Ally e Pete Naseby, e o carro se encontrava atulhado do resto de seus pertences. 
Mais uma vez, Sara estava de mudança.
Ela apoiou o queixo nos joelhos dobrados, decidida a não pensar naquilo. 
Em vez disso, era melhor imaginar a recepção calorosa que a aguardava na casa de Cornélia e Laird. Cornélia era sua irmã mais velha, casada com Laird Fraser. 
Os dois viviam em um sobrado confortável às margens do rio Coates, na pequena cidade de Haliburton, a cerca de oito quilômetros do lago. Desempregada, Sara iria passar o verão com eles.
Olhou para o relógio na penumbra do entardecer e achou melhor ir embora. Cornélia devia estar à sua espera.
Levantou-se e esticou os braços cansados. Desde as sete horas da manhã estivera empacotando livros, roupas e louças, carregando caixas pesadas para o carro, ajudando o amigo 
Pete a transportar a mobília para um caminhão, varrendo o chão, limpando gavetas e janelas. 
Aos vinte e cinco anos de idade, era perita nas atribulações e correrias das mudanças, mas a experiência não diminuía em nada o cansaço.
Sara alimentava a esperança de poder continuar em Haliburton por mais tempo e até já havia se candidatado a uma vaga de professora substituta. 
Segundo Laird, as chances de arrumar emprego no inverno eram melhores e ela gostaria muito de permanecer naquela deliciosa cidadezinha.
O vermelho do céu havia desbotado a um rosa pálido. 
Sara dirigiu um último olhar para o lago, certa de que logo teria oportunidade de nadar naquelas águas claras. 
Depois lhe deu as costas e caminhou em direção ao carro. Os pedregulhos soavam sob seus pés.
Ao longe ouvia o som familiar dos mergulhões, cortando o ar com seus gritos enlouquecidos, como se precisassem desabafar uma insuportável solidão escondida sob a bela capa de plumas pretas e brancas.
O vento fresco que acompanhou a chegada da noite a fez tremer. 
Ela entrou no carro e vestiu um casaco que deixara sobre o banco e, em seguida, seguiu lentamente pela estrada de terra, tentando evitar os buracos.
Passou pela margem norte do lago e por várias casas em estilo campestre, com luzes amareladas iluminando as varandas de madeira e rádios tocando alto.
Aquele lado da vila era escassamente povoado, e a estrada cortava com valentia a floresta entrecortada por valas construídas para este propósito. 
Sara subiu uma colina enquanto as primeiras estrelas começavam a surgir no céu e, então, apertou o breque de repente.
À luz dos faróis, viu uma corça com o filhotinho malhado e um cachorro rosnando em posição de ataque, com um pedaço de corda desfiada amarrada ao pescoço.
O veadinho estava a meio caminho da descida da vala, e o cão fez um súbito movimento em direção ao animalzinho. 
A corça esticou as patas, assustada. Sara puxou o freio de mão e saiu do carro com um grito de revolta que ecoou pelo mato. 
Pegou uma pedra e atirou-a no cachorro, atingindo-o no quadril. Ele virou a cabeça e seus dentes amarelados brilharam no escuro.
Sara ficou imóvel. — Vá embora!

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segunda-feira, 23 de julho de 2012

O Calor Dos Seus Beijos

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Tor Hansen sabia que com um simples estalar de dedos era capaz de conseguir as mulheres que quisesse. 


Pintor, bonito, famoso e talentoso, ele estava acostumado a ter o mundo a seus pés. 
Até que conheceu Lyn, aquela garota ingênua e selvagem, criada numa floresta do Canadá... 
Lyn lhe mostrou um outro lado da vida, cheio de encanto, poesia e magia. 
Tor, por sua vez, ensinou Lyn a amar, a se perder no calor dos seus braços e a gemer, louca de paixão. 
Mas eles vinham de dois mundos diferentes. 
Conseguiriam ser felizes, tendo que lutar contra tudo e contra todos? 


Capítulo Um 


Tor Hansen desceu do carro e se espreguiçou. 
Foi até o porta-malas, pegou a vara de pescar e uma sacola cheia de trutas do lago. 
Seria ótimo comer algumas delas no jantar, ele pensou. 
Mas primeiro tinha que tomar um banho quente, que era uma das grandes alegrias da vida civilizada e também uma necessidade absoluta, depois de três dias acampando. 
Ele adorava aquela casa de campo na floresta, perto do oceano. 
Sempre que queria descansar, refugiava-se naquele bangalô de madeira nas margens do lago Skocum, rodeado de altos pinheiros, inundado pelas canções dos pássaros e os ruídos da água do lago. 
Ficava a muitas milhas da casa mais próxima e bem distante do vilarejo, o que Tor apreciava muito. 
Era o lugar onde ele ia quando estava cansado da sua luxuosa casa em Halifax. Cansado dos ricos homens de negócios que queriam posar para seus quadros. 
Cansado das mulheres ricas e entediadas que queriam ser pintadas pelo jovem artista Tor Hansen, bonito e talentoso. 
Durante os últimos anos, tinha chegado ao ponto máximo da sua carreira onde os famosos e os difamados o procuravam cada vez mais. Podia pedir o preço que quisesse ou mesmo escolher a clientela. 
Mas sentia-se esgotado. Sabia que logo esse esgotamento ia começar a aparecer em seu trabalho e estava convencido que as coisas ficariam muito piores se não mudasse de vida. 
Sorriu, sentindo-se já deprimido por ter que voltar a Halifax. Era hora de fugir da velha rotina, se quisesse reencontrar a pintura verdadeira. 
Deus sabia que ele não precisava de dinheiro, seu pai já tinha cuidado disso. 
Mas havia se envolvido no círculo vicioso de retratos, fama e dinheiro, mais retratos, mais fama e mais dinheiro. 
E era nisso que pensava agora, cheio de desânimo. 
— Tor, que diabos você está fazendo, olhando para o chão deste jeito? Parece que perdeu seu melhor amigo. “Oh, inferno...
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terça-feira, 12 de julho de 2011

Náufragos Do Passado

ROMANCE CONTEMPORÂNEO







Eles se uniram como náufragos... amaram-se como os sobreviventes de uma tragédia sem dimensões!

Olhares curiosos acompanharam os movimentos daquela mulher alta e elegante que descia do táxi.
Kate caminhou pela calçada e parou diante do edifício cinzento, tentando dominar o súbito medo que lhe apertava o coração.
Ali morava o homem que se escondia nas sombras de seu pesadelo, a fera sem rosto em cujas garras se debatia, antes de ser lançada no abismo inescrutável...
Ali descobriria a verdade sobre o mistério de sua vida...
Bryce parou o carro diante do prédio de tijolos aparentes, mas não teve coragem de descer.
Havia três anos que repetia esse mesmo percurso, todos os domingos, mês após mês.
E sempre a mesma angústia o dominava, a desesperada vontade de fugir e enterrar de vez aquele lado clandestino de sua vida, aquele segredo que a ninguém queria revelar...

Capítulo Um

O uniforme engomado da enfermeira farfalhou, quando ela se inclinou para a frente com a seringa pronta. Kate sentiu a frieza do álcool na curva interna do cotovelo e fechou pronta¬mente os olhos.
— Pode abri-los agora — disse a moça, depois de alguns segundos.
— Está tudo em ordem.
Kate sorriu sem jeito.
— Sempre fico nervosa quando vejo agulhas de in¬jeção. Mas você tem a mão rápida e segura.
— Preciso ter. É minha profissão.
— A enfermeira sorriu.
— Relaxe agora. Vai levar de dez a vinte minutos. Quando o alarme soar, o aparelho desligará automaticamente.
Kate recostou-se no estreito sofá de couro com uma sensação estranha.
Era a primeira vez que doava sangue e não estaria ali, se não fosse a insistência de sua amiga Carol, cujo pai sofrerá um acidente e tivera necessidade de grande quantidade de transfusões de sangue.
— Foi o que salvou a vida dele — dissera-lhe a amiga com fervor.
— Todos deveriam doar sangue, Kate. É um dever cívico.
Ela não era a única a cumprir seu dever naquela tarde ensolarada de agosto.
As salas da clínica da Cruz
Vermelha, um edifício de tijolos aparentes que dominava a baía de Halifax, estavam todas ocupadas.
Havia um burburinho incessante no ambiente, e bandejas com chá e biscoitos eram passadas a todo momento.
Os doadores tinham a consciência de estar praticando um ato patriótico, os esforços de todos conjugavam-se para o mesmo fim.
O único a não perceber nada era o homem deitado no sofá a seu lado.

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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Melodia Imortal

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


Fazia mais de dez anos que Diana não via o famoso pianista Rhys Morgan.

Naquela época, em Montreal, antes mesmo de terem trocado as primeiras palavras, ela já sabia que o desejava.
Então ele a beijou...

Foi um tumultuado romance que durou três curtos e loucos dias.
Aí Rhys partiu para uma tournée, abandonando Diana grávida!
Foram longos anos de vergonha e desespero, mas ela conseguiu superar tudo: criou a filha sozinha e firmou-se como pintora.
Agora queria casar com o homem que a amava.
Antes disso, porém, precisava rever Rhys e afastar os fantasmas do passado...

Capítulo Um

Tudo recomeçou para Diana numa noite quente de agosto, quando ela estava com vinte e sete anos de idade.
Ao sair de seu apartamento, com Alan, para irem ao Monte Royal, ela teve a intuição de que o passado estava voltando. Aquela noite iria dar início a uma sequência de acontecimentos que mudariam sua vida, talvez de uma maneira ainda mais irremediável do que havia acontecido há dez anos.
O parque estava lotado de turistas, que iam admirar a vista noturna de Montreal. Dali de cima eles podiam observar o crescimento e a beleza da cidade, com seus numerosos edifícios, os arranha-céus e as torres das igrejas. Podia-se distinguir o arco de luzes amarelas da ponte Jacques Cartier.
Uma brisa leve e fresca desmanchou os cabelos loiro-acinzentados de Diana. Ela sorriu com prazer, pois o dia tinha sido muito quente.
De repente, Alan falou:
— Diana, você quer casar comigo?
Ela sentiu sua cabeça girar e seus olhos cinzentos arregalaram-se. Alan estava a meio metro de distância dela e seu corpo comprido e magro estava tenso. Seu rosto era sério, o rosto de um intelectual. A única coisa que quebrava essa seriedade eram os lábios que se abriam num sorriso e as linhas em torno de seus olhos azuis. Ele ajustou seus óculos sobre o nariz, um gesto que sempre fazia quando estava nervoso.
Diana finalmente murmurou:
— Será que eu entendi bem o que você disse?
— Eu a pedi em casamento.
— Oh! Alan, eu...
— Eu a peguei de surpresa, não foi? Sinto muito. Pensei que você já havia percebido a minha intenção.
— É, é verdade. Você tem razão. O problema é que eu nunca parei para pensar na resposta.
— Isso é difícil! Diga sim.
Ele estava ao mesmo tempo sério e brincalhão. Ela teria que pensar muito bem naquilo que iria responder:
— Você sabe muito bem o quanto eu gosto de você, Alan. Nunca fiz segredo disso.
— E eu te amo, Diana. Quero você como minha mulher.
Uma coisa era dizer que gostava muito dele; outra era usar a palavra "amor". Mesmo depois de todos aqueles anos, ela ainda a evitava.
— Se algum dia eu me casar, será com você.— Nós já nos conhecemos há mais de um ano, Diana, nos damos muito bem, temos interesses comuns e...

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