
A solidão era um traço comum em suas vidas.
Mas o destino os aproximou.
Um ano após a morte do marido, Jessica Brogan ainda cultivava as recordações da intensa paixão que vivera com ele.
"Jamais me entregarei a outra pessoa", pensava nos momentos de solidão.
No entendo, o destino mostrou-lhe que era impossível fechar-se para o mundo.
Ao se envolver no resgate do filho do Dr. David Evans, um homem sensível e atraente, Jessica viu-se cercada de atenções e carinhos que fizeram seu coração abrir outra vez...
Mas a atitude dele não seria apenas gratidão por ter lhe salvado o filho?
Capítulo Um
O esquilo olhou para Jessica, e Jessica olhou para o esquilo.
Ele se encontrava sobre uma rocha à margem do lago. Uma pequena criatura com o dorso cheio de manchas escuras, pêlo avermelhado e um focinho agitado.
Seus olhos eram pretos, e a boca movia-se como se estivesse saboreando a iguaria mais apetitosa do mundo.
Jessica vinha boiando em direção à praia, depois de ter nadado no lago perto do acampamento, quando um ruído chamou-lhe a atenção.
O esquilo apareceu do nada para tomar posse da pedra, de onde a encarava com persistência. Mantendo os dedos no fundo arenoso do lago e as pernas abaixo da superfície da água, ela se aproximou.
O animalzinho pareceu não gostar do movimento. Com um olhar bravo, levantou a cauda e pulou para o meio das moitas.
Ouviu-se um breve farfalhar de folhas e, então, o silêncio.Jessica riu sozinha. Boiando de costas, fitou o céu sem nuvens.
A palavra “silêncio” tinha um significado diferente junto à natureza, pensou. Toronto nunca era silenciosa: vozes, trânsito, buzinas, aviões, todos os sons da atividade constante dos seres humanos que constituíam sua população.
Embora houvesse aprendido a se desligar do barulho, sabia que sua mente desgastava-se com aquilo.
Ali no lago, o silêncio era como o céu: vasto, profundo, intocável e, no entanto, presente.
O zunir das asas de um libélula, o zumbido de uma abelha, sons que ela não percebia na barulhenta Yonge Street.
Na primeira vez que levara Corey para um passeio no campo, o silêncio da floresta o perturbara.
Ele rachava a madeira e, nas caminhadas, mexia no mato e esfregava as botas nas pedras, num esforço para dissipar o silêncio.
Ou, talvez, para convencer-se da própria existência.
Em outras viagens, Corey foi se acostumando à quietude, mas Jessica tinha a sensação de que ele sempre ficava secretamente feliz ao voltar para o apartamento em Toronto, onde podia ouvir o rádio, as buzinas, as vozes elevadas dos vizinhos gregos.
Corey sempre fora uma pessoa urbana. Jessica imaginava como ele conseguiria sobreviver durante as longas horas noturnas em sua cela, quando a escuridão e o silêncio caíam sobre a prisão.
Ela se levantou tão de repente que a água agitou-se, formando pequenas ondas que invadiram a areia.
Era hora de voltar à barraca e preparar o jantar. Pensando na escolha limitada do cardápio, pegou a toalha e enfiou os pés nas sandálias, pondo-se a caminho através dos arbustos que circundavam o lago.
Um pequeno riacho desembocava no lago, cascateando sobre as rochas de granito.
À margem dele, Jessica havia acampado numa clareira de tamanho suficiente para montar sua barraca.
Após caminhar dez quilômetros sob o sol de verão, do posto de fiscalização até aquele local, chegara louca para nadar. O esquilo fora um prêmio extra.
Como sempre, quando acampava, pequenas tarefas tomavam muito tempo para ser realizadas.
Assim, quando terminou de comer e foi lavar a louça, o sol já estava baixo no céu.
Algumas pessoas teriam descrito os arredores como desertos e áridos e se sentiriam amedrontadas.
Para Jessica, porém, a leve encosta de areia coberta de arbustos e a vista das colinas distantes e do oceano eram lindas em sua simplicidade e tranqüilas em seu vazio.
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