Persuasivo e enigmático, Jared Sinclair fez com que Cassandra aceitasse sua oferta de trabalho e partisse com ele para a Escócia.
Acostumada a lidar com estilos e personalidades diferentes, em seu trabalho como decoradora, ela achou que as poucas palavras e as respostas reticentes não passassem de excentricidades desse milionário sedutor.
Tarde da noite, ao chegarem à casa que Jared pretendia reformar, foi que ela se deu conta de que fora sequestrada e que era prisioneira daquela escura e lúgubre casa de pedra!
Capítulo Um
Cassandra folheou rapidamente o mostruário em busca de um certo tom de azul. Ao encontrar o que queria, colocou o material de lado e suspirou aborrecida. Que diabos estava acontecendo com ela? Em vez de aborrecida deveria estar satisfeita por ter encontrado a tonalidade exata com tanta facilidade.
Fazia apenas dezoito meses que abrira sua própria firma de decorações de interiores. Não era possível que já estivesse cansada! Talvez o problema fosse exatamente esse: a falta de problemas.
Tudo correra sempre muito bem. Claro que trabalhara dia e noite nos primeiros meses, mas, com a prática, o ritmo logo chegou ao normal. Os clientes iniciais começaram a recomendar amigos e o sucesso foi surpreendente. Cassandra sabia que tinha bom gosto, uma habilidade instintiva para reconhecer estilos e padrões, e acima de tudo um talento especial para desenvolver esquemas perfeitamente adequados à personalidade do cliente. Cinco minutos de conversa lhe bastavam para saber se deveria criar projetos modernos, rústicos, clássicos ou coloniais.
Entretanto, toda a motivação, todo o desafio de sua arte haviam desaparecido. Estava enjoada de escolher cortinas e carpetes, tintas e papéis de parede, móveis e objetos para os outros. Chegara até a rejeitar uma oferta para a redecoração de uma casa de campo enorme, no dia anterior. Aliás, essa não fora a única rejeição nas últimas semanas. Naquele exato momento Cassandra não tinha quase nada a fazer.
Talvez estivesse precisando de umas férias. Não tirara uma folga sequer desde que começara com o negócio. Não era de se admirar que se sentisse estafada. Alguns dias em algum lugar agradável e ensolarado e seu apetite pelo trabalho certamente estaria de volta.
O telefone tocou naquele instante e ela automaticamente esticou o braço para atendê-lo. Talvez não devesse, pensou. Poderia ser outro cliente.
Mas o ruído era insistente e irritante e ela preferiu acabar com ele de uma vez.
— Alô?
— Srta. Cassandra Gregory? — Era a voz de um homem.
— Sim, fala a srta. Gregory — confirmou em tom deliberadamente formal.
— Gostaria de lhe falar pessoalmente. Por acaso estaria livre no momento?
Naquele exato momento Cassandra não queria ver ninguém.
— Infelizmente estou comprometida por todo o dia — mentiu. — Não seria possível marcarmos para amanhã?
— E em sua hora de almoço, não poderia me reservar uns quinze minutos?
Cassandra revirou os olhos, impaciente. Será que teria de ser direta? Dizer que não estava a fim de vê-lo?
— Sinto muito, mas está fora de cogitação. Estou ocupadíssima hoje.
Antes que o homem tivesse chance de responder, Cassandra desligou o aparelho. Com certeza aquela fora a primeira e última vez que ouvira o homem. Mais algum tempo e não ouviria a voz de mais ninguém, se continuasse a agir daquela forma. Ser firme com os clientes, principalmente com os mais indecisos, era uma coisa, ser rude e mal-educada era outra. Se continuasse com esse procedimento suas lindas e lucrativas comissões desapareceriam no ar!
Preparou uma xícara de café e em seguida voltou para sua mesa.
Tornou a vasculhar o mostruário. Sabia que estava apenas matando o tempo, mas não tinha vontade de fazer nada.
Ao consultar o relógio de pulso ficou espantada por ainda ser apenas dez horas. Parecia estar ali há horas. O que faria para aguentar até o fim do dia?
Trabalhe, ela se ordenou. Porém não havia muito a fazer. Ainda não escolhera as cortinas para o quarto da sra. Stockwell, mas já as tinha em mente, e definitivamente estava cansada!
Um golpe seco na porta da loja a fez saltar. Sua secretária só viria trabalhar depois do almoço e isso significava que não havia ninguém para atender o cliente indesejável. Levantou-se com um suspiro. Quisesse ou não era sua obrigação atendê-lo. Um passo em direção à porta e ela se abriu. O homem não bateu nem esperou um convite para entrar.
Cassandra examinou-o com a rapidez que lhe era característica. Cabelos escuros, provavelmente negros. Olhos claros contrastantes. Verdes? Azuis-claros? Não pareciam ter uma cor definida. O brilho metálico a confundia. As roupas eram convencionais, ela decidiu. Terno escuro, camisa e gravata cinza-pálida. Do conjunto poderia se dizer ser um tanto monótono, entretanto era impossível atribuir tal defeito ao homem. Com sua mera presença, sem dizer uma única palavra, produzia uma sensação estranha em Cassandra.
O estranho lhe deu uma impressão de rusticidade, ela cogitou. Era como se o cabelo bem cortado, a expressão gentil, as roupas caras fossem apenas uma fachada, um disfarce proposital.
Cassandra balançou a cabeça. O tédio e o cansaço a estavam levando a imaginar coisas. O homem era apenas um cliente em potencial, nada mais. Um homem de quem ela pensava se descartar o mais rápido possível.
Capítulo Um
Cassandra folheou rapidamente o mostruário em busca de um certo tom de azul. Ao encontrar o que queria, colocou o material de lado e suspirou aborrecida. Que diabos estava acontecendo com ela? Em vez de aborrecida deveria estar satisfeita por ter encontrado a tonalidade exata com tanta facilidade.
Fazia apenas dezoito meses que abrira sua própria firma de decorações de interiores. Não era possível que já estivesse cansada! Talvez o problema fosse exatamente esse: a falta de problemas.
Tudo correra sempre muito bem. Claro que trabalhara dia e noite nos primeiros meses, mas, com a prática, o ritmo logo chegou ao normal. Os clientes iniciais começaram a recomendar amigos e o sucesso foi surpreendente. Cassandra sabia que tinha bom gosto, uma habilidade instintiva para reconhecer estilos e padrões, e acima de tudo um talento especial para desenvolver esquemas perfeitamente adequados à personalidade do cliente. Cinco minutos de conversa lhe bastavam para saber se deveria criar projetos modernos, rústicos, clássicos ou coloniais.
Entretanto, toda a motivação, todo o desafio de sua arte haviam desaparecido. Estava enjoada de escolher cortinas e carpetes, tintas e papéis de parede, móveis e objetos para os outros. Chegara até a rejeitar uma oferta para a redecoração de uma casa de campo enorme, no dia anterior. Aliás, essa não fora a única rejeição nas últimas semanas. Naquele exato momento Cassandra não tinha quase nada a fazer.
Talvez estivesse precisando de umas férias. Não tirara uma folga sequer desde que começara com o negócio. Não era de se admirar que se sentisse estafada. Alguns dias em algum lugar agradável e ensolarado e seu apetite pelo trabalho certamente estaria de volta.
O telefone tocou naquele instante e ela automaticamente esticou o braço para atendê-lo. Talvez não devesse, pensou. Poderia ser outro cliente.
Mas o ruído era insistente e irritante e ela preferiu acabar com ele de uma vez.
— Alô?
— Srta. Cassandra Gregory? — Era a voz de um homem.
— Sim, fala a srta. Gregory — confirmou em tom deliberadamente formal.
— Gostaria de lhe falar pessoalmente. Por acaso estaria livre no momento?
Naquele exato momento Cassandra não queria ver ninguém.
— Infelizmente estou comprometida por todo o dia — mentiu. — Não seria possível marcarmos para amanhã?
— E em sua hora de almoço, não poderia me reservar uns quinze minutos?
Cassandra revirou os olhos, impaciente. Será que teria de ser direta? Dizer que não estava a fim de vê-lo?
— Sinto muito, mas está fora de cogitação. Estou ocupadíssima hoje.
Antes que o homem tivesse chance de responder, Cassandra desligou o aparelho. Com certeza aquela fora a primeira e última vez que ouvira o homem. Mais algum tempo e não ouviria a voz de mais ninguém, se continuasse a agir daquela forma. Ser firme com os clientes, principalmente com os mais indecisos, era uma coisa, ser rude e mal-educada era outra. Se continuasse com esse procedimento suas lindas e lucrativas comissões desapareceriam no ar!
Preparou uma xícara de café e em seguida voltou para sua mesa.
Tornou a vasculhar o mostruário. Sabia que estava apenas matando o tempo, mas não tinha vontade de fazer nada.
Ao consultar o relógio de pulso ficou espantada por ainda ser apenas dez horas. Parecia estar ali há horas. O que faria para aguentar até o fim do dia?
Trabalhe, ela se ordenou. Porém não havia muito a fazer. Ainda não escolhera as cortinas para o quarto da sra. Stockwell, mas já as tinha em mente, e definitivamente estava cansada!
Um golpe seco na porta da loja a fez saltar. Sua secretária só viria trabalhar depois do almoço e isso significava que não havia ninguém para atender o cliente indesejável. Levantou-se com um suspiro. Quisesse ou não era sua obrigação atendê-lo. Um passo em direção à porta e ela se abriu. O homem não bateu nem esperou um convite para entrar.
Cassandra examinou-o com a rapidez que lhe era característica. Cabelos escuros, provavelmente negros. Olhos claros contrastantes. Verdes? Azuis-claros? Não pareciam ter uma cor definida. O brilho metálico a confundia. As roupas eram convencionais, ela decidiu. Terno escuro, camisa e gravata cinza-pálida. Do conjunto poderia se dizer ser um tanto monótono, entretanto era impossível atribuir tal defeito ao homem. Com sua mera presença, sem dizer uma única palavra, produzia uma sensação estranha em Cassandra.
O estranho lhe deu uma impressão de rusticidade, ela cogitou. Era como se o cabelo bem cortado, a expressão gentil, as roupas caras fossem apenas uma fachada, um disfarce proposital.
Cassandra balançou a cabeça. O tédio e o cansaço a estavam levando a imaginar coisas. O homem era apenas um cliente em potencial, nada mais. Um homem de quem ela pensava se descartar o mais rápido possível.
















