Tudo o que Janet queria era viver ao lado de Patrick para sempre!
Cinco anos antes, Janet havia amado e perdido Patrick.
Agora ele estava de volta em sua vida, e ela o queria mais do que nunca.
Bastaria convencê-lo de que o dia de seu casamento seria o mais feliz de suas vidas...
Mas Janet logo descobriria que sua tarefa seria mais difícil do que imaginava.
Patrick poderia estar preparado para tornar-se seu marido, mas não estava preparado para dizer que a amava.
Capítulo Um
Os olhos de um violeta intenso pestanejaram por uma fração de segundo. O rosto se voltou para o lado num gesto que poderia ser interpretado como uma negação. Mas eram os lábios curvados num sorriso tentador que mais deixavam transparecer o que se passava com Janet.
As cortinas esvoaçavam à brisa que entrava pela janela. Uma luz dourada iluminava o quarto e atingia os cabelos escuros e sedosos que se espalhavam sobre o travesseiro. Contudo, apesar de anunciar um lindo dia, a brisa não foi bem-vinda por Janet, pois ela escondeu o rosto sob o lençol, recusando-se a despertar daquele sonho que sempre a perseguia e pelo qual ansiava todas as noites.
O problema era que ele surgia apenas ao amanhecer, provavelmente porque esse havia sido o horário especial deles. O momento em que ambos estavam descansados e que maior prazer sentiam em dar e receber amor.
O corpo de Patrick estava ali, ao seu lado. Ela olhou para o rosto tranquilo, envolvido pelo sono, e estendeu os braços. Queria que ele acordasse abraçado a ela. Mal podia esperar pelo instante em que os olhares e lábios se encontrariam em mais uma perfeita comunhão.
Mas a realidade substituiu abruptamente o sonho, e o sonho se transformou em um suspiro amargo e profundo.
Janet precisou se forçar a abrir os olhos, não para Patrick, mas para a luz daquele novo dia.
Droga. Droga. Droga.
Escondeu os olhos com as mãos e respirou várias vezes a fim de recuperar o controle. Permaneceu deitada por mais alguns instantes com a expressão vazia e o corpo imóvel. Fora uma tola. Justamente quando estava perto de conseguir o que mais queria da vida, pusera tudo a perder.
Irritada consigo mesma, levantou-se bruscamente da cama, dirigiu-se à janela e ajeitou a cortina.
Havia aprendido uma dura lição ao longo dos anos: a de que a autopiedade era um desgaste inútil. Se ela se permitisse parar no meio do caminho, jamais se libertaria e acabaria relutante com relação aos homens em caráter permanente.
Não permitiria tampouco que a decepção interferisse em sua aparência física. Precisava se preparar não apenas para mais um dia de trabalho, mas também para uma noite de festa: a recepção anual dos membros do Parlamento Europeu que estavam lotados em Strasbourg.
Era estranho. Estava contando os dias para o evento se realizar. Agora, não tinha certeza se queria ir, Sua única certeza era de que precisava tomar um banho, talvez frio. Ou fazer qualquer outra coisa que a ajudasse a recuperar os sentidos.
Beleza, opulência e luxo inacreditáveis: essas foram as primeiras e contínuas impressões que ela teve ao subir a escada em caracol, com a mão apoiada no braço de seu chefe, Kyle.









