Lorena estava certa de que Robert era um mau-caráter, um homem em quem realmente não devia confiar.
Mas seus beijos eram devastadores e suas carícias causavam nela um turbilhão de emoções.
A última coisa que poderia acontecer era se apaixonar por ele... mas aconteceu!
Capítulo Um
Lorena Major pressionou a ponta dos dedos nas têmporas, tentando aliviar a terrível pressão que sentia. Emergindo do sono, rolou para o lado e, ao fazê-lo, notou que a saia se enroscava em suas pernas. Isso não deixava de ser estranho, pois ela sempre dormia de pijama.
Um pouco atordoada, puxou o tecido e tateou a longa saia de tafetá. Foi então que se deu conta: ainda estava usando seu vestido de baile!
Sentou-se abruptamente. O movimento fez com que sua cabeça latejasse, produzindo uma onda de náusea. Apesar da tontura e da dor, ela se forçou a deslizar para a beira da cama e olhou em torno de si. Aquele não era seu quarto. Não fazia a menor ideia de onde se encontrava, o que não deixava de ser muito, muito preocupante...
Eu não sonhei, pensou. Fui realmente sequestrada à porta da mansão. Me fizeram tomar algum narcótico enquanto eu estava inconsciente. É por isso que minha cabeça dói tanto. Oh, Deus, o que farão comigo?
A reação dos sequestradores era imprevisível. Tanto podiam cuidar muito bem de seu refém, para evitar maiores ressentimentos e posteriores denúncias, como matá-lo em um momento de descontrole.
Em geral, os criminosos profissionais eram bastante cautelosos.
Preparavam um cárcere praticamente inviolável, de modo que o cativo não tivesse oportunidade de escapar, e o tratavam até com uma certa humanidade. Mas os amadores frequentemente se apavoravam e podiam perder a cabeça com facilidade.
Ela lembrou-se das inúmeras notícias de sequestro que lera nos jornais. Às vezes, a vítima se sentia tão desamparada, que, por uma suprema ironia, acabava venerando seu captor. Ou, às vezes, era liquidada por sequestradores inexperientes, antes mesmo que os familiares pagassem o resgate...
Lorena sentiu seus cabelos se eriçarem ante a perspectiva de ficar frente a frente com a morte. Viu-se de relance no espelho pendurado numa das paredes do cômodo.
A imagem que o reflexo lhe devolveu não foi nem de longe confortadora. A cabeleira dourada havia se desprendido do coque bem cuidado, esparramando-se sobre seus ombros numa massa desalinhada. Sua maquiagem estava borrada, e seu vestido de gala, miseravelmente amarrotado.
Há quanto tempo estaria ali? Ela procurou lembrar o que havia acontecido depois de sua captura, mas em vão.
Em seu cérebro, cruzavam-se fragmentos de recordações desencontradas: mãos que a imobilizavam de repente, o cheiro de clorofórmio que lhe invadia as narinas e a escuridão que se abatia subitamente sobre ela...






