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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Meu Amigo, Meu Amor

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Filho do meu melhor amigo…

Sempre que precisava de um ombro amigo, de um conselho ou de um protetor, ela o chamava. 

O elo de amizade entre Richard MacAllister e Brenda Henderson era indestrutível. 
Até que, um dia, eles passaram uma noite juntos…
Algumas semanas depois Brenda descobriu que estava grávida. 

Para sua surpresa, Richard ficou encantado. Animado… ansioso até… para bradar aos quatro ventos a notícia. Mas o entusiasmo dele parecia centrado no bebê, não em Brenda. 
Ela sabia que devia se dar por feliz em ser a melhor amiga de Richard e a mãe de seu filho… Mas não podia deixar de sonhar em ser mais do que isso… Não podia deixar de sonhar em ser a esposa de Richard, a mulher que ele amasse!

Capítulo Um

Richard MacAllister entrou no apartamento, fechou a porta, despiu a jaqueta esportiva e largou-a em uma cadeira. Então, pensando melhor, pegou a peça, foi ao quarto e pendurou-a no guarda-roupa, no lugar certo, obedecendo a uma ordem por cores.
De volta à sala, sentou-se no sofá, porém levantou-se novamente e passou a andar em círculos, inquieto.
— Mulheres — resmungou. — Quem precisa delas? São todas volúveis. Esquisitas. Totalmente irresponsáveis, imprevisíveis, incompreensíveis… in… in… ininteligíveis. Oh, céus, as mulheres me deixam maluco!
Estacou, passou as mãos nos cabelos e caminhou até a parede da sala, na qual bateu três vezes com força.
— Esteja em casa — murmurou, fitando a parede. — Em uma hora dessas, é preciso conversar com o melhor amigo. Vamos, vamos, avise que está.
Duas batidas abafadas soaram em resposta, e Richard bateu mais uma vez, confirmando a recepção.
Ótimo, pensou. Mensagem enviada, recebida e respondida. Três batidas indagando se havia alguém em casa, duas do destinatário em resposta e a última sua, pedindo ao amigo que se achegasse para conversarem. Primitivo, sim, mas funcionava. Além disso, era divertido, um código secreto conhecido apenas por ele e o vizinho.
Em poucos minutos, teria alguém para ouvir suas lamúrias, oferecer-lhe o ombro e bater em suas costas.
Sem dúvida, era adulto e perfeitamente capaz de lidar com as próprias emoções, lamber as próprias feridas, reerguer-se e seguir em frente. Sim, claro que era. Mas por que sofrer sozinho se tinha com quem partilhar a miséria?
Bateram na porta, e Richard apressou-se a atender.
— Que bom que estava em casa! Estou mesmo pedindo água e… Opa, tem algo errado. Está de robe verde, o que significa que está se sentindo péssima a ponto de tirar esse desastre do armário. O que houve, Brenda?
Richard estreitou o olhar, avaliando atentamente a vizinha.
Brenda definitivamente não estava no normal, concluiu. A figura esguia se cobria do pescoço aos pés com aquele robe de chenile horrível, verde-ervilha, um péssimo sinal. Aquele robe equivalia ao cobertor a que todas as crianças se apegam na infância, consolo nos momentos de debilidade física ou emocional.
Brenda trazia um rolo de toalha de papel debaixo do braço e assoava o nariz avermelhado, parecendo doente. Completavam o quadro o rosto delicado muito pálido e os olhos castanhos, normalmente brilhantes, meio embaçados.
— Posso entrar, Richard? — Brenda suspirou e enxugou o nariz com a toalha de papel mais uma vez.
— Como? Oh, claro. Desculpe-me. — Ele se pôs de lado, abrindo passagem. — Só estava dando uma olhada em você. Parece péssima, Bren.
A amiga o fitou irada e entrou, os pés protegidos por meias esportivas que na verdade pertenciam a ele.
— Muito obrigada — ironizou Brenda, atirando-se no sofá. — Era exatamente o que eu precisava ouvir. Você faz maravilhas para levantar o moral de uma mulher.
Richard sentou-se na mesinha diante dela, deixando-se avaliar pela vizinha, que, a exemplo dele, torceu o nariz.
— Você também não ganha nenhum concurso com essa aparência, Richard — vingou-se. — Seus cabelos estão espetados, o que significa que andou passando as mãos neles, nervoso. Também apresenta olheiras, e o seu bronzeado sumiu enquanto estava em Kansas City.
— É, bem…


sexta-feira, 10 de junho de 2011

Meu Querido Joe

ROMANCE CONTEMPORÂNEO









Alto, moreno e arrogante: essa foi a primeira impressão que Polly Chapman teve de Joe Dillon.

Mas quando ela olhou de perto, soube que Joe era uma pessoa incrível.


Embora tivesse nascido em berço de ouro, optara por se dedicar, a seus alunos, e passara a viver perto deles, em um dos bairros mais pobres da cidade, para melhor se identificarem.
Lindo e atraente, Joe poderia ter qualquer mulher, mas escolheu Polly, que não se permitia sentir amor e que não acreditava mais em sonhos.
Não até conhecer um homem como Joe...

Capítulo Um

Chame a polícia! Chame a polícia!
Polly Chapman balançou a cabeça ao ouvir o pedido estridente.
O farol havia fechado e ela olhou apreensiva, para os lados.
— Calma Jazzy. Está tudo bem. Ao menos por enquanto.
— Chame a polícia! — Jazzy insistiu.
O farol abriu e Polly acelerou. Mas o carro morreu e ela precisou tornar a ligar o motor. Olhou para o banco de passageiros e ajeitou a gaiola onde se encontrava uma linda e tagarela arara vermelha com suas plumagens em que predominavam o verde, o laranja, o vermelho e o amarelo.
Jazzy também era esperta. Bastava ser colocada no carro para se empoleirar imediatamente na parte mais alta da gaiola a fim de não perder a vista.
Estavam percorrendo uma parte da cidade famosa por sua alta taxa de criminalidade. alcançar o farol seguinte, Polly verificou, mais uma vez, na medida em que o cinto de segurança permitia, se todas as portas estavam bem fechadas e travadas.
O percurso desde o noroeste de Tucson até o extremo sul da cidade durara mais de uma hora.
E a pobreza parecia acentuar-se à medida que ela percorria os quarteirões.
Os prédios eram velhos e a grande maioria estava coberta de palavras escritas em grafite, muitas das quais não valeriam a pena ser lidas.
As lojas estavam fechadas.
Quase não havia vitrines.
As poucas que encontrou haviam sido pintadas de branco de forma a impedir que os transeuntes tomassem conhecimento de seu conteúdo e, assim, não se sentissem tentados a assaltá-las, talvez.
De repente, Polly surpreendeu-se ao ver uma placa diante de uma das lojas.
Estamos abertos, dizia.
Mas quem quer que resolvesse entrar e conferir certamente teria dificuldades.
O acesso estava impedido por algumas pessoas que haviam resolvido se deitar ali e dormir.
Já ouvira falar sobre aquela parte da cidade, é claro, mas até aquele instante nunca tivera motivos para querer conhecê-la.
Sua fama não poderia ser pior.

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