ROMANCE CONTEMPORÂNEO

O homem que eu deveria odiar!
Marcus Grey é o meu inimigo, certo.
Então, como posso pensar nele o tempo todo? Primeiro foi naquele fantástico jantar...
Que foi estritamente profissional em tudo, menos isso!
E agora, para onde quer que eu olhe lá está ele...
No trabalho, ao telefone, propondo outros jantares.
E nem tento evitá-lo ou recusar seus convites.
É como se entrasse em transe toda vez que ouço sua voz ou o surpreendo olhando para mim daquele jeito penetrante, e tudo que consigo fazer é assentir e dizer sim.
O que há de errado comigo? Esse homem está prestes a destruir a companhia para a qual trabalho, e eu só consigo sonhar com ele...
Capítulo Um
Sylvie Bennett fechou a porta do apartamento e desceu a escada do edifício em Amber Court, 20. Ao chegar ao patamar que antecedia o último lance de degraus para o saguão, os passos até então acelerados perderam vigor.
A porta de vidro deixava ver os flocos de neve que caíam sobre Youngsville, Indiana, sua cidade natal.
A neve provocada pelo que chamavam de "efeito do lago" era a última coisa de que precisava naquele dia.
Normalmente, preferia caminhar até o escritório a utilizar o ônibus, mas, naquela manhã, desejava preservar a aparência impecável e profissional.
Um rosto vermelho e cabelos despenteados pelo vento não se encaixavam nesse perfil.
O espírito normalmente exuberante de Sylvie perdeu mais um pouco do brilho quando ela pensou no que pretendia fazer. Era bem provável que voltasse para casa desempregada ao final do dia.
— Sylvie! Bom dia!
O desânimo desapareceu diante do sorriso contagiante de Rose Carson, sua senhoria.
Um lindo robe de flanela cobria o corpo de curvas generosas.
Os cabelos encaracolados de Rose sugeriam que ela ainda não se dera ao trabalho de escová-los. Aquela era uma mulher afetuosa, acessível e...
E merecedora de muitos abraços, Sylvie pensou com uma certa nostalgia. Se algum dia sonhasse ter uma mãe, o que não se permitia há muito tempo, Rose seria a candidata ideal ao posto. Sempre havia valorizado muito sua amizade.
— Olá. Dormiu bem? — Sylvie terminou de descer a escada e atravessou o saguão para aproximar-se da porta do apartamento, onde Rose esperava com o jornal na mão.
— Como um anjo! — ela respondeu sorridente. — E tenho o pressentimento de que algo maravilhoso vai acontecer antes do final do dia. Sylvie sorriu, lembrando-se dos pensamentos melancólicos com que se ocupara até pouco antes.
— Seria ótimo. — Deixando o sobretudo pendurado no corrimão, ela começou a ajeitar o cachecol em torno do pescoço.
— Está usando um conjunto adorável, meu bem. — Rose tocou a lapela do casaco que cobria a cintura da saia da mesma cor. — Mas, se me perdoa, acho que precisa de alguma coisa para realçá-lo.
— Provavelmente. Mas não tenho nenhuma joia de valor, e minhas bijuterias são mais casuais do que sofisticadas.
— Que vergonha, mocinha! Trabalha para uma das joalherias mais respeitadas da cidade e ainda não comprou uma única peça? — Com um brilho intenso nos olhos, ela ergueu a mão indicando que a vizinha e amiga devia esperar. — Tenho algo perfeito para você.
— Rose, não precisa... — A proprietária do imóvel desapareceu no interior do apartamento antes que Sylvie pudesse concluir o protesto. Um minuto depois ela retornou satisfeita.
— Aqui está — disse, exibindo um broche confeccionado em metais preciosos.
Várias pedras douradas cintilavam entre outras gemas. Âmbar.
Apesar do formato não corresponder à imagem, Sylvie pensou que Rose oferecia o próprio coração para enfeitá-la. — Eu não poderia... Oh, é lindo! Onde o encontrou? Sabe quem o criou? — Um joalheiro que conheci há muito tempo — Rose respondeu com certa indiferença, estendendo a mão para prender a joia na lapela do casaco de Sylvie.
— Pronto! Agora está perfeito! — Mas eu não posso...
Download no final
2- Um Golpe Do Cupido
Jovem solteira apaixonada pelo chefe.
Fará reconhecer e corresponder ao sentimento...
Esse é o anúncio que Jane Dobson secretamente deseja mandar publicar na seção Toque Pessoal da revista Atitudes.
Em vez disso, porém, o sexy, mas tímido
Charles Warren a encarrega de tentar localizar uma antiga colega de faculdade, a quem ele quer pedir em casamento.
Se Charles pensa que procurar uma esposa para ele é uma das funções de seu cargo de secretária, está completamente enganado!
Charles sente uma atração secreta por Jane, mas não tem nenhuma pista quanto aos sentimentos dela.
Até o dia em que ela é atingida na cabeça por uma estatueta de Cupido...
Agora Jane está convencida de que ele é seu noivo e de que estão perdidamente apaixonados um pelo outro!
Capítulo Um
Uma tangerina. Cinco biscoitos de água e sal. Três cenourinhas. Uma xícara de queijo branco em cubinhos. Dois biscoitos doces.
Jane Dobson sorriu diante daquela maravilha de almoço, tudo arrumadinho sobre o guardanapo aberto em cima da escrivaninha.
Não estava conseguindo descascar a tangerina com aquelas unhas tão curtas.
Vivia lutando para não roê-las, mas o hábito era forte demais.
Mas também, que importava isso?
Suas mãos não serviam mesmo para anúncio de esmalte, e, além do mais, as unhas curtinhas possibilitavam-lhe maior velocidade no teclado do computador.
Jane acabou por arrancar a casca da fruta com os dentes, submetendo-se ao sabor ácido e amargo.
Com uma careta, voltou o olhar para seu projeto especial de fim de ano: cartões de Natal de todos os tipos amontoavam-se sobre o lado direito do tampo da mesa.
Colocando distraidamente um cubinho de queijo na boca, tentou imaginar quantos daqueles cartões poderia usar para sua colagem de festas.
— Ah, menina, não faça a bobagem de deixar que ele a veja mexendo com esses cartões!
Jane ergueu o olhar para Kadisha King, uma de suas colegas do pool de secretárias, que surgira ao lado de sua escrivaninha.
— Mas o Natal está chegando! — protestou Jane.
— Não importa, o sr. Warren não quer saber de enfeites pessoais na mesa de ninguém.
— Puxa, Kadisha, não é possível que ele não faça uma exceção na época das festas!
— Muito bem, então — respondeu a outra moça — Vá em frente e recorte suas figurinhas. Mas depois não se queixe. Sabe quantas assistentes o sr. Warren teve nos últimos cinco anos? — Jane fez que não com a cabeça, havia apenas um ano que trabalhava nas Indústrias Warren.
— Onze, minha querida — prosseguiu Kadisha. — Onze! Tire suas próprias conclusões — finalizou, afastando-se em direção à mesa de Delia e colocando uma pasta de documentos na caixa de Entrada.
Delia Robinson, assistente executiva do sr. Warren, estava de férias até o dia 5 de janeiro.
Com isso, todas as outras secretárias eram obrigadas a fazer horas extras.
E Jane estava tendo muito mais contato com o sr. Charles Warren do que antes. Ao pensar nisso, ela perdeu a noção de onde se encontrava.
A pilha de cartões se desvaneceu de sua vista e, embora continuasse a comer, nem sentiu mais o sabor de coisa alguma.
Tudo o que via à sua frente era Charles.
Seu doce e incompreendido Charles...
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