Robson não consegue se livrar da idéia de que uma armadilha o aproximou de Angélica.
Mesmo assim, não é capaz de conter o intenso desejo que ela lhe desperta; o impulso de tê-la nos braços e amá-la é a força que o move.
Trêmula, Angélica se entrega às carícias de Robson. Em tão pouco tempo esse executivo conquistou seu coração, mas em breve ele voltará para Nova York e nem se lembrará que a deixou sozinha nos pântanos da Flórida...
Capítulo Um
Robson Emery, jovem publicitário considerado um dos melhores do ramo, entregou para sua assistente a carta do advogado de seu tio e guardou o bilhete a ele endereçado no bolso do paletó.
— Jacaré domesticado come o quê? Ração de gato? — Robson perguntou.
Olívia, a assistente de Robson, folheou a cópia do testamento e sorriu.
Antes de lançar o comercial de ração para gatos e se tornar a maior estrela da agência Lockey, Stearnes & Cordell, Robson teria retribuído o sorriso. Agora os sócios da agência anunciariam o escolhido, ou ele ou Mike, seu concorrente, para a vice-presidência, dentro de vinte e quatro horas. Ele seria o escolhido com certeza.
— Olívia, você não é a única pessoa que tem pesadelos com gato. Ainda imagino a cena: um gato pula do décimo andar, com as pernas esticadas, cai ileso na calçada e corre para uma tigela de comida.
Robson exigira o máximo de Olívia, da equipe de filmagem e de si mesmo, até o limite, para certificar-se de que o truque de montagem no comercial concorreria a um prêmio.
— Que horror! Detesto gatos! — Olívia comentou. — Olha só, quantos pêlos na minha roupa!
— E se você ganhasse uma fazenda cheia de animais que se transformavam em bolsas e sapatos?
— Obrigada, mas dispenso.
Robson mal ouviu a recusa; estava preocupado demais com seu tio Hogan. Por que aquele homem, a quem não via há mais de vinte anos, de repente complicava sua vida? Por que tio Hogan legara a casa e a fazenda na Flórida para Robson? Na última vez em que se viram, Robson tinha apenas dez anos.
A mãe de Robson, a caçula da família, era vinte anos mais nova que Hogan, o primogênito. Mas idade e sexo não eram as únicas diferenças.
Enquanto Margaret, a mãe de Robson, se adaptara com perfeição ao modelo de dona de casa dos anos 50, Hogan optara por um modo de vida diferente do convencional, aproximado à maneira hippie, bem antes desta filosofia de vida se tornar popular. Quando Hogan “aparecia para uma visita”, o que podia acontecer em períodos de duas horas ou seis meses, a mãe de Robson rangia os dentes. Com sabedoria, seu pai guardava as opiniões sobre Hogan para si mesmo.
Robson suspeitava de que seu pai admirava o estilo de vida independente de Hogan Potter. Podia entender por que o pai, sobrecarregado com a responsabilidade de fornecer comida, teto e roupas para seis crianças, às vezes olhava melancólico para Hogan.
Com certo desgosto, Robson admitia que quando criança julgara a vida do tio Hogan tão emocionante quanto uma viagem no túnel do tempo, ou um monte de dinheiro para comprar sorvete. Aos trinta anos, Robson lidava com aquela admiração mal resolvida, guardando-a no meio de outras fantasias de infância.

Trêmula, Angélica se entrega às carícias de Robson. Em tão pouco tempo esse executivo conquistou seu coração, mas em breve ele voltará para Nova York e nem se lembrará que a deixou sozinha nos pântanos da Flórida...
Capítulo Um
Robson Emery, jovem publicitário considerado um dos melhores do ramo, entregou para sua assistente a carta do advogado de seu tio e guardou o bilhete a ele endereçado no bolso do paletó.
— Jacaré domesticado come o quê? Ração de gato? — Robson perguntou.
Olívia, a assistente de Robson, folheou a cópia do testamento e sorriu.
Antes de lançar o comercial de ração para gatos e se tornar a maior estrela da agência Lockey, Stearnes & Cordell, Robson teria retribuído o sorriso. Agora os sócios da agência anunciariam o escolhido, ou ele ou Mike, seu concorrente, para a vice-presidência, dentro de vinte e quatro horas. Ele seria o escolhido com certeza.
— Olívia, você não é a única pessoa que tem pesadelos com gato. Ainda imagino a cena: um gato pula do décimo andar, com as pernas esticadas, cai ileso na calçada e corre para uma tigela de comida.
Robson exigira o máximo de Olívia, da equipe de filmagem e de si mesmo, até o limite, para certificar-se de que o truque de montagem no comercial concorreria a um prêmio.
— Que horror! Detesto gatos! — Olívia comentou. — Olha só, quantos pêlos na minha roupa!
— E se você ganhasse uma fazenda cheia de animais que se transformavam em bolsas e sapatos?
— Obrigada, mas dispenso.
Robson mal ouviu a recusa; estava preocupado demais com seu tio Hogan. Por que aquele homem, a quem não via há mais de vinte anos, de repente complicava sua vida? Por que tio Hogan legara a casa e a fazenda na Flórida para Robson? Na última vez em que se viram, Robson tinha apenas dez anos.
A mãe de Robson, a caçula da família, era vinte anos mais nova que Hogan, o primogênito. Mas idade e sexo não eram as únicas diferenças.
Enquanto Margaret, a mãe de Robson, se adaptara com perfeição ao modelo de dona de casa dos anos 50, Hogan optara por um modo de vida diferente do convencional, aproximado à maneira hippie, bem antes desta filosofia de vida se tornar popular. Quando Hogan “aparecia para uma visita”, o que podia acontecer em períodos de duas horas ou seis meses, a mãe de Robson rangia os dentes. Com sabedoria, seu pai guardava as opiniões sobre Hogan para si mesmo.
Robson suspeitava de que seu pai admirava o estilo de vida independente de Hogan Potter. Podia entender por que o pai, sobrecarregado com a responsabilidade de fornecer comida, teto e roupas para seis crianças, às vezes olhava melancólico para Hogan.
Com certo desgosto, Robson admitia que quando criança julgara a vida do tio Hogan tão emocionante quanto uma viagem no túnel do tempo, ou um monte de dinheiro para comprar sorvete. Aos trinta anos, Robson lidava com aquela admiração mal resolvida, guardando-a no meio de outras fantasias de infância.



