Uma noite perdida no tempo...
Emily Chandler sabia que a noite de amor que vivera com Willian Patton fora um erro. Afinal, o que ela queria era amor, casamento e... bebês.
Emily, porém, sabia que não era a mulher certa para aquele homem!
Willian tinha de convencer Emily de que eles precisavam se casar.
Willian tinha de convencer Emily de que eles precisavam se casar.
Pelo bem da criança que iria nascer. Mas ao ficar tão próximo de Emily, não tinha mais certeza se era mesmo por causa do bebê que queria se casar com ela!
Capítulo Um
Capítulo Um
Encontre-me para o jantar às seis da tarde.
A familiar voz de Willian Patton surgiu do nada, apanhando Emily Chandler de surpresa.
Um instante depois, um senso de fatalismo tomou conta dela. Devia esperar por aquela conversa. Afinal de contas, aquilo sempre acontecia quando ele aparecia em seu plantão.
Com gestos calmos, acabou de fechar seu bloco de anotações, colocando-o junto com os registros médicos no escaninho atrás de si.
— Não, obrigada, doutor — ela disse, fingindo casualidade, para camuflar as sensações incômodas que a atenção daquele homem produzia nela.
— Por que não? — Willian inclinou-se para a frente de maneira desafiadora.
— Estou ocupada.
Emily ergueu a cabeça, encarando mais uma vez aqueles olhos pretos e misteriosos. O belo rosto másculo parecia expressar um certo tipo de exasperação. Mesmo assim, a entonação permaneceu sob controle.
— Amanhã à noite, então.
Emily inclinou-se para trás, rezando para que sua expressão conseguisse esconder o efeito que aquele olhar penetrante produzia em seu corpo. Sabia muito bem que estava diante de um homem observador, a quem nenhum detalhe passava despercebido. Sua melhor e única defesa era agir como se não se incomodasse com o interesse dele.
Notando a passagem de dois enfermeiros no corredor ao lado, lembrou-o:
— Concordamos em manter nosso relacionamento no campo estritamente profissional. Somos médico e enfermeira, nada mais.
Considerando o assunto encerrado, Emily estendeu o braço para apanhar outro bloco de notas, mas foi impedida pela mão forte e enorme do doutor.
— Acordos podem ser renegociados.
O físico atlético estava tão próximo que Emily pôde sentir até mesmo o cheiro da colônia após a barba.
— Claro que sim, mas apenas se ambas as partes concordarem com isso.
— Vamos lá, Emily. Que mal um simples jantar poderia causar? Faço isso com meus colegas o tempo todo.
A oferta dele era tentadora, mas Emily sabia que até mesmo a circunstância mais inócua poderia se complicar com facilidade. Sua reação foi encará-lo com um sorriso de desculpas.
— Agradeço pelo convite, mas não posso encontrá-lo mais tarde. Nem esta noite, nem na de amanhã, nem em nenhuma outra.
Willian empertigou-se.
— Não vou desistir, Emily.
— Vai, sim.
— Não vou.
— Por que não?
— Quer que eu entre em detalhes aqui, num lugar público? — Willian fingiu observar o ambiente por um instante. — De qualquer forma, se é isso o que quer, ficarei feliz em discutir nossos assuntos inacabados.
— Não! — Suspirou.
Nas últimas três semanas, Willian vinha sendo tenaz, tentando a todo custo obter uma maior intimidade com Emily nos poucos minutos em que ficavam a sós no hospital. De certa forma, ela até sentia falta do tempo em que ambos não trocavam mais do que uma polida saudação.
Emily respirou fundo, resignada. Willian fora bastante claro. Não era o tipo de homem que gostava de deixar questões para trás, e não iria desistir enquanto achasse que tinha algo a resolver com ela.
Encolhendo os ombros, Emily reagiu de maneira também muito persistente. Willian teria de esperar até que Emily cuidasse dos problemas do irmão. Mesmo alguém tão forte quanto ela só podia cuidar de uma crise pessoal de cada vez.
— Vou checar minha agenda para os próximos dias, doutor. Porém, não lhe prometo nada.
— Isso é justo. Vejo-a amanhã. — Girando sobre os calcanhares, o médico afastou-se, sem nem mesmo esperar por uma resposta.
Antes mesmo que o odor de desinfetante pudesse apagar o aroma de sua colônia, Molly O'Donnell, uma simpática enfermeira ruiva da maternidade, juntou-se a Emily ao balcão.
— Por que apenas não diz ao pobre homem que sim? Emily encarou a amiga.
— O quê?
— Diga "sim".




