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terça-feira, 25 de novembro de 2014

Chamas de Ternura

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
Numa noite fria e tempestuosa de outono, 

quando a solidão dos campos da Virgínia tornara-se insuportável para Carla, Stefan Gerhardt procurou-a para dar-lhe o que ela mais desejava: o fogo de sua paixão. 
E o doce murmúrio da lenha crepitando na lareira foi como música a seus ouvidos quando se amaram pela primeira vez. 
Carla quis viver aquele amor intensamente, enquanto durasse, pois sabia que ele não teria futuro. Não havia nada em sua vida, além de seu trabalho de treinadora de puros-sangues, que ela pudesse oferecer a Stefan, o rico proprietário da Fazenda Vale do Sol. 
Aliás, não havia nada que ela pudesse oferecer a qualquer outro homem! 


Capítulo Um 

Não havia uma nuvem sequer no céu, naquela manhã. Carla admirou o vale verde entre as montanhas e, aspirando profundamente o ar ainda úmido de orvalho, enfiou as luvas de couro com gestos decididos. Apressou o passo, a caminho da estrebaria, afundando as botas na espessa camada de folhas cor de ferrugem derrubadas das árvores pelos primeiros ventos do outono. Estava atrasada. 
Pretendia levantar-se antes do amanhecer, mas tinha ficado trabalhando até tarde da noite e só despertara quando a claridade começava a invadir seu quarto. Ao chegar no pátio, foi saudada por um coro de relinchos estridentes. 
— Sinto muito, companheiros, mas eu me atrasei — murmurou, enquanto acariciava os impacientes cavalos puros-sangues. Carla fazia tudo com satisfação desde que se estabelecera ali em Keswick, na Virgínia. 
Não era nada fácil morar sozinha no campo, mas o amor profundo que sentia pela terra e pelos animais compensava todos os sacrifícios que enfrentava. Ela e mais três arrendatários eram os únicos a usufruir os recursos oferecidos pelos trezentos e cinquenta acres da Fazenda Vale do Sol, cujas terras magníficas eram apropriadas para a criação de cavalos. 
A estrebaria estava cuidadosamente limpa e as baias, forradas com uma boa camada de palha fresca. Carla despejou uma ração de cevada em cada cocho e, com um forcado, desprendeu um pouco de feno dos fardos. Enquanto abastecia as manjedouras, o sol apareceu no topo das montanhas, enviando raios dourados através das janelas. 
Três cotovias de peito amarelo saltaram junto à porta da estrebaria, esticando os pescoços, curiosas. Um dos cavalos ergueu o focinho e fungou amigavelmente, enquanto as aves bicavam os grãos de cevada espalhados pelo chão. Carla espreguiçou-se e caminhou até o pátio. A névoa úmida dissolvia-se lentamente com o calor do sol. O pasto estava dourado e os campos de aveia silvestre eram agitados pela brisa. Mais adiante erguiam-se as montanhas, solenes e majestosas. 
Aspirando o ar fresco e revigorante da manhã, ela olhou mais uma vez para o vale banhado de sol e sentiu um desejo ardente de permanecer naquela terra de raízes profundas, cuja beleza tanto a emocionava. Seus enormes olhos azuis iluminaram-se de prazer. Mas foi um prazer de curta duração.
Aos poucos, uma sensação de angústia foi tomando conta de seu ser. Suspirando, dirigiu-se vagarosamente para a graciosa casa branca que se tornara o seu lar naquele último ano. Sua angústia devia-se à chegada iminente do novo proprietário da Fazenda Vale do Sol, de quem ignorava as intenções. 
Sobre o homem, Carla sabia apenas uma coisa: que era europeu. Esperava, como os demais habitantes da pequena cidade de Keswick e até mesmo da cidade vizinha, Charlottesville, que ele tivesse, ao menos, um interesse mínimo por cavalos. Aquelas terras eram apropriadas para a instalação de um haras e seria uma pena se não fossem aproveitadas. 
Destiná-las a outros fins seria um sacrilégio, no seu entender e no daqueles que prezavam o lugar.