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terça-feira, 1 de setembro de 2015

Nunca Te Esqueci, Sempre Te Amei

ROMANCE CONTEMPORÂNEO







O suplício de uma mulher apaixonada, dividida entre o amor e o dever.

Com o telefone na mão e o olhar perdido na escuridão do quarto, Susannah pensava na loucura de concordar com aquele encontro no meio da noite. 
Dan e ela não eram mais os dois jovens enamorados de dez anos atrás, quando os rancores e as brigas constantes os separaram.
Agora, apesar do passado turbulento ainda por explicar, para ficar com ele Susannah teria que desistir de sua carreira. E, se o fizesse, estaria aniquilando uma parte de si mesma.
Mas como negar que ainda o desejava, talvez com maior fúria que antigamente?

Capítulo Um

Uma abelha entrou pela janela da centenária sala do tribunal de River County, embriagada pelo calor e pelos aromas da morna manhã de abril, enchendo o ambiente com seu zumbido.
Sentado a uma das mesas, esperando que a juíza entrasse, o advogado Dan Sullivan mantinha-se alheio ao ruído do inse­to, ouvindo apenas aquele nome que soava sem cessar em sua mente: juíza Susannah Ross. Folheando distraidamente a pasta de documentos à sua frente, mal tomava conhecimento da presença de seu cliente, na cadeira ao lado, ou de Robert Corwin, o advogado da companhia de seguros, na outra mesa, um oponente respeitável que viera de Los Angeles para repre­sentar a firma naquele caso.
Susannah Ross. Tentou tirar o nome do pensamento como fizera durante os últimos dez anos, quando não o pronunciara em voz alta uma única vez. Naquele momento, porém, o nome teimava em torturá-lo com uma insistência de enlouquecer, envolvendo-o em lembranças pungentes de uma felicidade per­dida, enchendo-o com as sombras de um velho ressentimento.
Com o nome de Susannah voltava a dor quase esquecida e ele se martirizava imaginando se não seria melhor largar tudo e ficar o mais longe possível daquele tribunal e da recém-nomeada juíza.
Ainda não percebida por Dan, a abelha fez uma rápida ma­nobra ao redor da cadeira colocada sobre o tablado do juiz e desceu sobre as mesas destinadas aos advogados, dispostas em forma de "L". O outro advogado observava-a nervosamente e ficou visivelmente aliviado vendo-a voar na direção de Dan.
— Dan! — Corwin chamou a meia-voz. — Essa filha da mãe deve estar gostando da sua loção de barba. Mate-a, homem, ou será picado.
Dan ergueu a cabeça com expressão absorta e demorou alguns segundos para perceber o que acontecia. Vendo o inseto que o rodeava, chegou a pensar em permitir que o ferroasse. Talvez fosse uma daquelas abelhas bem ferozes cuja picada lhe daria uma desculpa para largar o caso e esperar que o sócio sarasse e assumisse a tarefa em seu lugar; mas, azarado como era, ine­vitavelmente aquela seria uma abelhinha ordinária, que o dei­xaria apenas com um calombo ridículo no nariz e não o livraria do trabalho nem da provação de se ver frente a frente com Susannah. E encarar qualquer juiz com nariz de palhaço não era algo que o seduzia.
Alarmado pelo próprio raciocínio, gelou diante do perigo. Logo, porém, o esboço de um sorriso curvou-lhe os lábios. Se aquele advogado criado na cidade, o Corwin, pensava que ia vê-lo apavorado pela abelha e ferroado por ela, estava redon­damente enganado. Havendo crescido numa fazenda, Dan sabia, desde a mais tenra idade, que o único jeito de defender-se de um inseto voador era ficar imóvel. E foi o que fez.
A abelha zumbiu ao redor de seu rosto, chegando a esbarrar em uma das faces, mas não o atacou. Depois de alguns segun­dos, cruzou a sala e saiu pela janela.
Dan relaxou os músculos e ajeitou-se na cadeira. O ar amea­çava tornar-se opressivo e já fazia bastante calor para um começo de primavera, mesmo considerando-se o clima quente da Califórnia. O servente fechou os vidros das janelas e ligou o ar-condicionado, mas ele continuou a sentir as palmas das mãos úmidas.
Aquele era um sintoma da ansiedade que o perseguia desde que iniciara a carreira de advogado, doze anos atrás, não podendo ser atribuído nem ao calor nem à umidade exagerada do ar, como acontecia ali em Cacheton
.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Cassino do Lago Tahoe

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


Flint Tancer lhe daria uma noite de amor. 

Mas depois a deixaria de braços vazios. A voz acariciante de Flint Tancer repetia, sussurrava ao ouvido de Lia um pedido que a excitava, tentava como um fruto proibido. 
“Quero fazer amor com você, possuir seu lindo corpo uma vez, antes de ir embora.” 
Uma vez, antes de ir embora! 
A realidade atingiu Lia como um raio. 
Tudo o que Flint queria era uma noite de programa, após divertir-se no cassino do lago! 
Ah, como fora tola em imaginar a possibilidade de um romance belo e duradouro! 
Jogadores inveterados como Flint Tancer nunca se entregavam muito tempo a uma mesma mulher!


Capítulo Um

Cinco dias por semana, Lia Andrews trabalhava como crupiê de vinte-e-um num dos enfumaçados cassinos que existem na praia sul do lago Tahoe. 
Não é de admirar, portanto, que Sapphire Point, com sua beleza e quietude, tenha lhe parecido um pedacinho do paraíso naquela manhã. 
Deitada sobre uma toalha alegremente colorida, aberta sobre a areia muito branca, ela aproveitava os primeiros raios de sol. 
Não havia ninguém à vista, a não ser um homem que saíra de um grupo de árvores localizado no outro extremo da praia e que agora vinha em sua direção, correndo pela areia molhada, bem junto à água. 
Por entre as pálpebras semicerradas, Lia observou-o um momento, antes de voltar à atenção para as águas brilhantes do lago Tahoe e o magnífico cenário que tinha diante de si. 
O local em que estava pertencia ao Estado de Nevada, e do outro lado, meio encoberta pela névoa matutina, podia se ver a praia pertencente ao Estado da Califórnia. Montanhas azuladas erguiam-se num vasto semicírculo em torno do lago, traçando com seus picos e encostas um desenho belo e rústico sobre o céu claro. 
Apesar de seus sentimentos ambivalentes pelo lugar em que trabalhava, ela estava lá de livre e espontânea vontade. Se não fosse crupiê num cassino do lago, seria crupiê em outro lugar qualquer, tal como Reno ou Las Vegas, o que seria até pior, pois não teria um refúgio como Sapphire Point. 
Uma brisa repentina, vinda do lago, levantou uma camada de areia, jogando-a sobre o rosto de Lia. Piscando e balançando a cabeça de cabelos cacheados, curtos e de um castanho-aloirado, ela se sentou. 
Mal o sol começara a esquentar, já era hora de voltar para a escrivaninha e dedicar-se ao trabalho que era seu real motivo de estar ali. “Posso perder as esperanças de conseguir um lindo bronzeado”, pensou, examinando os braços e as pernas com desgosto. 
Embora estivesse a uma enorme distância, o sol podia ser traiçoeiro, mas não nas primeiras horas da manhã, que era quando Lia se permitia ir à praia. 
Depois de dois meses, sua pele mal tinha um leve bronzeado, pois a cor que adquiria em seus dias de folga logo desaparecia sob a luz artificial do cassino.

domingo, 20 de outubro de 2013

Noites de Sedução

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
Eles precisaram enfrentar uma cidade inteira para viver a paixão que os consumia. 

Jill revirava-se na cama, quando ouviu o som de uma gaita vindo de fora. 
Quem poderia ser àquela hora da madrugada? 
Um sorriso iluminou-lhe o rosto ao reconhecer sob a chuva o vulto de Cass McCready. 
Sim, era ele, tentando desajeitadamente lhe fazer uma serenata. 
Com o coração aos pulos, correu para o andar térreo, sem se importar com mais nada. 
Queria atirar-se aos braços do amado, dizer-lhe que nada mais os separaria. 
Nem mesmo o fato de ela ser uma Calhoun, e ele um McCready. O ódio que separava as duas famílias devia terminar, para sempre... 

Capítulo Um 

O remetente da carta registrada entregue na redação do grande jornal de Nova York era "Samuel Clemens Matthews, Advogado". 
Com as palavras secas e cautelosas comuns às pessoas que exercem esta profissão, avisava Elizabeth Jill Calhoun que seu tio, Lamarr Calhoun, estava morto e ela, como única herdeira, tinha direito a bens que incluíam uma pequena caderneta de poupança, uma modesta conta corrente e algumas propriedades. 
Entre elas, a casa em que Lamarr Calhoun vivera e o Hilby Herald, um jornal diário da cidade de Hilby, Carolina do Norte. Aquilo tudo era muito estranho. 
A reação imediata de Jill foi imaginar que um dos colegas havia feito uma brincadeira de mau gosto com ela. 
Levantou a cabeça e, devagar, percorreu com os olhos toda a redação para ver se alguém se traía. Quem quer que fosse o autor da gozação, obviamente não sabia que até cinco anos atrás ela mal ouvira falar do tio. 
Só se certificara da existência dele quando, no dia da morte do pai, sua mãe lhe pedira para avisar Lamarr Calhoun. Jill não podia esquecer aquela voz fria ao telefone. 
— Harold Calhoun, meu irmão? Acho que a senhorita está enganada, não tenho nenhum irmão. 
Ficara chocada ao ouvir o tom indiferente e amargo do tio. Agora Jill achava estranho estar entre as pessoas mencionadas no testamento. 
De repente, lhe veio à mente um trecho da carta, que lera com muita rapidez. 
Pegou-a de novo e examinou com mais atenção. 
Sem testamento! Estava escrito lá, no segundo parágrafo.
O tio não havia deixado testamento. 
As coisas, aos poucos, começavam a fazer mais sentido. "Visto que Lamarr Calhoun morreu sem deixar testamento e você é a filha do falecido irmão dele, Harold Calhoun, como tal, parece ser a única parente viva..." etc. 
Ali estava, na linguagem objetiva dos advogados, os detalhes que não tinha percebido antes. Pelo jeito aquilo não era uma brincadeira! Uma onda de euforia a invadiu.
Sacudiu a cabeça, e o cabelo loiro, comprido até os ombros, caiu-lhe como um véu sobre o rosto. 
Da mesa ao lado, Stan Rice interrompeu o trabalho e olhou para ela, curioso.
— Ei, Till! Até parece uma carta vinda da Casa Branca. 
— Bem melhor que isso! Você não vai acreditar, Stan. Acabo de saber que sou a herdeira de um jornal... Bem, pelo menos é o que está escrito aqui. 
Dois dias depois, vestida com um conjunto verde de saia e blusa, parecendo uma executiva, Elizabeth Jill Calhoun sentava-se à mesa do escritório de Samuel Matthews, em Hilby, Carolina do Norte. 
Tentava controlar a impaciência que sentia, pois queria chegar logo ao assunto que a levara até lá. O advogado não tinha pressa, falava devagar e com calma. 
— Espero não ter lhe causado muito transtorno pedindo para que viesse até aqui tão depressa, srta. Calhoun.
Edith, isto é, a srta. Edith Clover, minha secretária, tem tentado encontrá-la desde que fomos informados da morte de Lamarr. Sabia que ele não havia deixado testamento, então achei que chegar até você era apenas uma questão de tempo. 
Mas demorou um pouco. Desculpe-me por isso, por favor.