Mostrando postagens com marcador Jenny Cartwright. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Jenny Cartwright. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

O Amor não se Compra

ROMANCE CONTEMPORÂNEO






Fazia pouco tempo que Jane conhecia Guy Rexford quando ele a pediu em casamento. 


Era rico, bem-sucedido e bonito, e Jane não tinha nenhuma dúvida de que o amava profundamente. Por isso, mesmo sabendo que ele não a amava, decidiu aceitar. Mas por que então Guy desejava o casamento? Seria de fato para assumir o controle na empresa de seu pai? 
Mesmo que Jane descobrisse as respostas para todas as suas perguntas, ainda restaria uma: teria ela, algum dia, o amor de Guy?

Capítulo Um

Era óbvio que não ficara bom. No momento em que chegou ao topo da ampla e curva escadaria e olhou para baixo, Jane pestanejou várias vezes, como se tivesse saído do escuro do cinema para uma tarde de sol. O imenso hall quadrado estava tão iluminado quanto o saguão de um teatro de ópera, e o efeito não era dos mais agradáveis. Ela parou no último degrau da escada, com a mão pousada no corrimão, e uma expressão de desconsolo no rosto. Suspirou longamente.
Wendy Garston entrou no hall com um estalido de saltos altos que soava de maneira estranha para Jane. Ela sorriu para a filha.
— Está pronta, querida?
— Sim, mamãe. Já estou descendo.
— O que acha? — perguntou Wendy, relutante.
Jane levou as duas mãos à orelha e ajustou o delicado brinco de safira, antes de responder.
— Bem... é difícil ter uma ideia, aqui de cima.
— Mas está mais claro, não está?
— Ah, sim, mamãe — afirmou Jane, em tom confortador. — Muito mais.
Ela começou a descer os degraus largos e curvos, pisando cautelosamente com as sandálias azul-marinho e prata no carpete vermelho-escuro, o olhar transfixo na cena, embaixo. Talvez o efeito fosse outro, olhando de baixo; talvez as lâmpadas fortes que sua mãe encomendara para substituir as antigas, e que Jane passara a manhã inteira instalando, não criassem um efeito tão brilhante, para quem estivesse no hall; talvez parecessem claras, alegres e acolhedoras, como sua mãe imaginara.
Mas não pareciam. Eram frias e ofuscantes, banhando de maneira quase cruel o fino piso de mármore.
— A claridade era tão mortiça, antes... — lembrou Wendy, numa tentativa de consolar-se.
— Lá isso, era — concordou Jane, séria. Mãe e filha se entreolharam por alguns segundos e explodiram simultaneamente numa gargalhada.
— Ora, não tem importância — Wendy deu de ombros. — A intenção foi boa. Além do mais, ninguém vai prestar muita atenção na casa. Terão olhos somente para você, querida. Você está linda.
Jane rodopiou no hall, sob o olhar aprovador da mãe. O vestido cinturado de seda azul-marinho amoldava-se ao corpo esguio com perfeição, a saia balançando graciosamente, refletindo a luz com seus fios prateados, conforme ela se movia.
— Será que papai vai achar decotado demais? — indagou Jane, apreensiva, colando o queixo ao pescoço para avaliar a extensão do decote.
— Oh, talvez... Mas não se preocupe. Não está indecente, ao contrário, está muito bonito.
Jane fez uma careta.
— Todos eles já estiveram aqui tantas vezes que não vão prestar atenção nem nas lâmpadas, nem em mim.
— Nem todos já estiveram aqui — corrigiu Wendy. — Virá aquele cavalheiro que jantou conosco no clube de campo, na semana passada. Acho que seu pai quer impressioná-lo bem. Precisamos dar um jeito para que você fique perto dele.
Jane sorriu, divertida.
— Se ele colocar os óculos vou respirar fundo várias vezes — Ela fez uma demonstração, antes de acrescentar, em tom de provocação: — Ainda bem que prendi meu cabelo. Assim, nada poderá atrapalhar a visão!

Além de um Juramento

ROMANCE CONTEMPORÂNEO





Um lindo sonho desfeito... Do qual Rosie não se esqueceria jamais!

Jack levou Rosie para Londres, na noite anterior ao casamento, recebeu-a com rosas vermelhas e comprou-lhe um magnífico vestido de noiva. Quando ela se admirava diante do espelho, antes da cerimônia, Jack entrou no quarto e colocou-lhe um lindo colar de pérolas no pescoço.
Só então Rosie sentiu-se uma noiva no sentido completo do termo: linda, virginal, sonhadora... Só não fazia ideia de que seu lindo sonho de amor em breve se transformaria em um terrível pesadelo...

Capítulo Um

Não acontecia há dois anos. Antes disso, Rosie quase sempre se flagrava procurando algum vestígio daqueles cabelos escuros em meio à multidão. Então, quando achava que poderia mesmo ser ele, ela simplesmente corria para o lado contrário, com o coração disparado. Não queria ser descoberta.
Mas agora que acontecera novamente, e justo em Dorchester, a surpresa fora grande demais. Felizmente, depois de tanto tempo, sua reação não fora de pânico. De fato, acabou convencendo-se de que não poderia ser Jack naquele carro. Não depois de quatro anos. Ainda mais em Dorchester.
Quando o vira pela primeira vez, ele dirigia seu próprio carro; não era levado por um motorista, em um luxuoso veículo executivo. O carro era um modelo esporte conversível bege. Parara com ímpeto diante da casa de seu pai, levantando uma leve nuvem de poeira.
Rosie estava de joelhos, podando algumas plantas do jardim, quando o carro, ou mais especificamente, seu motorista, entrara em sua vida, naquela quente tarde de julho.
Bastou um breve olhar para aquele rosto atraente, que a observava através do vidro, e seu coração disparara. Aquele era o homem mais bonito que ela era já vira na vida!
Estacionara o carro diante da casa e continuava a fitá-la com aquele olhar penetrante.
Ele ia dizer algo a qualquer instante. Rosie podia sentir isso.
Ela umedeceu os lábios com a língua e limpou a terra das mãos nos bolsos traseiros do jeans. Arrependeu-se logo em seguida, dando-se conta de que o gesto não fora muito educado.
— Oi! — ele cumprimentou-a com animação, saindo do carro.
Trajava calça verde-oliva e uma camisa branca de tecido fino, com mangas dobradas. Seus cabelos eram castanho-escuros, penteados para trás, e a pele, levemente bronzeada, atribuía-lhe uma aparência saudável.
— Oi... — respondeu Rosie, embaraçada, tentando não abaixar a vista para sua camiseta cor-de-rosa e o jeans mais que desbotado.
O homem irradiava elegância por todos os poros, e ela mais parecia a Gata Borralheira. Todavia, não soube dizer por que estava tão preocupada com a opinião dele quanto à sua aparência.
Bem, talvez o problema fosse que, apesar de estar quase com vinte anos, sua aparência ainda era de adolescente. Deixara o colégio de freiras há apenas algumas semanas e sua mente ainda estava envolta por todos aqueles sonhos juvenis sobre rapazes altos e bonitos.
O estranho devia ter quase trinta anos e, provavelmente, fora tratar de algum negócio com seu pai. Ainda assim, Rosie não conseguiu parar de desejar estar sentada em uma cadeira de jardim, trajando um bonito vestido florido, lendo poesia e tomando chá gelado.
— Acho que me perdi... — explicou ele, aproximando-se. — Estou tentando chegar em Dorchester, mas estou apenas dando voltas, sem conseguir encontrar o caminho.
— Ah, Dorchester... — Rosie repetiu pensativa, como se o nome não lhe soasse familiar. — Bem, o caminho é muito fácil. É só virar à esquerda na próxima avenida, andar dois quarteirões e virar à direita. Acho que é a primeira rua, se não contar a que vai para a fazenda Haywards, que nesse caso é sem saída. Sim, então deve ser a segunda. Depois de andar um pouco por ela, bem, mais que um pouco, na verdade, encontrará uma ponte logo depois da estrada que você precisa pegar. Saberá se está no caminho errado se passar por uma igreja; então terá que voltar um pouco.
Ele ergueu as mãos num gesto de rendição.
— Hei, hei, espere um minuto.
— Oh, desculpe! — Rosie sorriu com simpatia. — Falei muito rápido? Não sou a pessoa mais indicada para ensinar trajetos. O problema é que sempre morei aqui e sei instintivamente quais as direções das ruas, sem ter que pensar nelas.
Ele sorriu, exibindo um brilho de divertimento nos olhos azuis.
— Oh, já sei o que fazer! — Rosie exclamou de repente. — Irei com você e lhe mostrarei o caminho. Será bem mais fácil.
Não havia nada demais na oferta, pensou Rosie. Claro que um homem assim não se interessaria por uma garota como ela. Rosie sabia disso; não era completamente inocente. Pelo menos desfrutaria o prazer de passear com um homem atraente em um carro incrível.
— Como voltará depois? — ele perguntou.
— Tomarei um ônibus. De qualquer maneira, preciso ir à cidade, comprar algumas coisas.
— Nunca foi avisada para não aceitar caronas de estranhos? — o indagou, sorrindo.