Fazia pouco tempo que Jane conhecia Guy Rexford quando ele a pediu em casamento.
Era rico, bem-sucedido e bonito, e Jane não tinha nenhuma dúvida de que o amava profundamente. Por isso, mesmo sabendo que ele não a amava, decidiu aceitar. Mas por que então Guy desejava o casamento? Seria de fato para assumir o controle na empresa de seu pai?
Mesmo que Jane descobrisse as respostas para todas as suas perguntas, ainda restaria uma: teria ela, algum dia, o amor de Guy?
Capítulo Um
Era óbvio que não ficara bom. No momento em que chegou ao topo da ampla e curva escadaria e olhou para baixo, Jane pestanejou várias vezes, como se tivesse saído do escuro do cinema para uma tarde de sol. O imenso hall quadrado estava tão iluminado quanto o saguão de um teatro de ópera, e o efeito não era dos mais agradáveis. Ela parou no último degrau da escada, com a mão pousada no corrimão, e uma expressão de desconsolo no rosto. Suspirou longamente.
Wendy Garston entrou no hall com um estalido de saltos altos que soava de maneira estranha para Jane. Ela sorriu para a filha.
— Está pronta, querida?
— Sim, mamãe. Já estou descendo.
— O que acha? — perguntou Wendy, relutante.
Jane levou as duas mãos à orelha e ajustou o delicado brinco de safira, antes de responder.
— Bem... é difícil ter uma ideia, aqui de cima.
— Mas está mais claro, não está?
— Ah, sim, mamãe — afirmou Jane, em tom confortador. — Muito mais.
Ela começou a descer os degraus largos e curvos, pisando cautelosamente com as sandálias azul-marinho e prata no carpete vermelho-escuro, o olhar transfixo na cena, embaixo. Talvez o efeito fosse outro, olhando de baixo; talvez as lâmpadas fortes que sua mãe encomendara para substituir as antigas, e que Jane passara a manhã inteira instalando, não criassem um efeito tão brilhante, para quem estivesse no hall; talvez parecessem claras, alegres e acolhedoras, como sua mãe imaginara.
Mas não pareciam. Eram frias e ofuscantes, banhando de maneira quase cruel o fino piso de mármore.
— A claridade era tão mortiça, antes... — lembrou Wendy, numa tentativa de consolar-se.
— Lá isso, era — concordou Jane, séria. Mãe e filha se entreolharam por alguns segundos e explodiram simultaneamente numa gargalhada.
— Ora, não tem importância — Wendy deu de ombros. — A intenção foi boa. Além do mais, ninguém vai prestar muita atenção na casa. Terão olhos somente para você, querida. Você está linda.
Jane rodopiou no hall, sob o olhar aprovador da mãe. O vestido cinturado de seda azul-marinho amoldava-se ao corpo esguio com perfeição, a saia balançando graciosamente, refletindo a luz com seus fios prateados, conforme ela se movia.
— Será que papai vai achar decotado demais? — indagou Jane, apreensiva, colando o queixo ao pescoço para avaliar a extensão do decote.
— Oh, talvez... Mas não se preocupe. Não está indecente, ao contrário, está muito bonito.
Jane fez uma careta.
— Todos eles já estiveram aqui tantas vezes que não vão prestar atenção nem nas lâmpadas, nem em mim.
— Nem todos já estiveram aqui — corrigiu Wendy. — Virá aquele cavalheiro que jantou conosco no clube de campo, na semana passada. Acho que seu pai quer impressioná-lo bem. Precisamos dar um jeito para que você fique perto dele.
Jane sorriu, divertida.
— Se ele colocar os óculos vou respirar fundo várias vezes — Ela fez uma demonstração, antes de acrescentar, em tom de provocação: — Ainda bem que prendi meu cabelo. Assim, nada poderá atrapalhar a visão!
Capítulo Um
Era óbvio que não ficara bom. No momento em que chegou ao topo da ampla e curva escadaria e olhou para baixo, Jane pestanejou várias vezes, como se tivesse saído do escuro do cinema para uma tarde de sol. O imenso hall quadrado estava tão iluminado quanto o saguão de um teatro de ópera, e o efeito não era dos mais agradáveis. Ela parou no último degrau da escada, com a mão pousada no corrimão, e uma expressão de desconsolo no rosto. Suspirou longamente.
Wendy Garston entrou no hall com um estalido de saltos altos que soava de maneira estranha para Jane. Ela sorriu para a filha.
— Está pronta, querida?
— Sim, mamãe. Já estou descendo.
— O que acha? — perguntou Wendy, relutante.
Jane levou as duas mãos à orelha e ajustou o delicado brinco de safira, antes de responder.
— Bem... é difícil ter uma ideia, aqui de cima.
— Mas está mais claro, não está?
— Ah, sim, mamãe — afirmou Jane, em tom confortador. — Muito mais.
Ela começou a descer os degraus largos e curvos, pisando cautelosamente com as sandálias azul-marinho e prata no carpete vermelho-escuro, o olhar transfixo na cena, embaixo. Talvez o efeito fosse outro, olhando de baixo; talvez as lâmpadas fortes que sua mãe encomendara para substituir as antigas, e que Jane passara a manhã inteira instalando, não criassem um efeito tão brilhante, para quem estivesse no hall; talvez parecessem claras, alegres e acolhedoras, como sua mãe imaginara.
Mas não pareciam. Eram frias e ofuscantes, banhando de maneira quase cruel o fino piso de mármore.
— A claridade era tão mortiça, antes... — lembrou Wendy, numa tentativa de consolar-se.
— Lá isso, era — concordou Jane, séria. Mãe e filha se entreolharam por alguns segundos e explodiram simultaneamente numa gargalhada.
— Ora, não tem importância — Wendy deu de ombros. — A intenção foi boa. Além do mais, ninguém vai prestar muita atenção na casa. Terão olhos somente para você, querida. Você está linda.
Jane rodopiou no hall, sob o olhar aprovador da mãe. O vestido cinturado de seda azul-marinho amoldava-se ao corpo esguio com perfeição, a saia balançando graciosamente, refletindo a luz com seus fios prateados, conforme ela se movia.
— Será que papai vai achar decotado demais? — indagou Jane, apreensiva, colando o queixo ao pescoço para avaliar a extensão do decote.
— Oh, talvez... Mas não se preocupe. Não está indecente, ao contrário, está muito bonito.
Jane fez uma careta.
— Todos eles já estiveram aqui tantas vezes que não vão prestar atenção nem nas lâmpadas, nem em mim.
— Nem todos já estiveram aqui — corrigiu Wendy. — Virá aquele cavalheiro que jantou conosco no clube de campo, na semana passada. Acho que seu pai quer impressioná-lo bem. Precisamos dar um jeito para que você fique perto dele.
Jane sorriu, divertida.
— Se ele colocar os óculos vou respirar fundo várias vezes — Ela fez uma demonstração, antes de acrescentar, em tom de provocação: — Ainda bem que prendi meu cabelo. Assim, nada poderá atrapalhar a visão!



