Inimigos ou amantes?
Daniyah Hassan pagou o preço por ter desafiado o pai e saído de casa para ficar ao lado do homem que acreditava amar.
Agora, ela voltou a Omã com o coração partido, jurando nunca mais se envolver com alguém… Até conhecer Quasar Al Mansur.
Esse notório playboy é famoso por suas conquistas. Contudo, nenhuma mulher o fizera perder a cabeça como a bela e vulnerável Dani. Quasar sabe que ela é estritamente proibida.
Porém, nem mesmo uma antiga rixa entre famílias fará com que Quasar desista de conquistá-la.
Capítulo Um
Ir à sua livraria favorita em Salalah era como adentrar um capítulo de As mil e uma noites. Para chegar lá, Dani tinha de cruzar o mercado de rua local, passando pelas pilhas de cenouras e repolhos, as caixas de figos, encontrando o seu caminho por entre multidões de velhos usando seus compridos dishdashas e turbantes, como deviam fazer há milhares de anos.
E então, havia a livraria em si. A porta dupla de madeira marcada pelo tempo era salpicada de grandes rebites de metal, como a entrada de um castelo.
Apenas uma pequena secção dela se abriu e ela teve de pular a parte de baixo da porta para adentrar a esfumaçada escuridão do interior do estabelecimento. A fumaça era incenso, perpetuamente queimando em uma lâmpada a óleo de cobre, pendurada em um dos cantos da loja, misturada com a fumaça do comprido cachimbo trabalhado do dono da livraria, que estava sentado em um canto, examinando as páginas de um grosso volume com capa de couro, como se mantivesse a loja apenas para satisfazer ao seu próprio prazer pela leitura.
Era completamente possível que o local servisse de fachada para algo ilícito, considerando que era raro encontrar clientes ali, mas isso em nada diminuía a apreciação de Dani pela atmosfera relaxante.
Como as laranjas do lado de fora, os livros estavam empilhados no chão. Ficção, poesia, tratados de navegação, conselhos para o treinamento de camelos, tudo estava ali em árabe, e tudo tinha praticamente 50 anos, com capas de couro escurecidas devido a passagem de muitos dedos ensebados sobre as suas suaves superfícies. Ela havia encontrado várias preciosidades ali, e sempre visitava a loja com um arrepio de expectativa, como alguém se lançando em uma jornada onde qualquer coisa poderia acontecer.
Naquele dia, ao cruzar o batente da porta e encher os pulmões com o ar fragrante, notou um visitante desconhecido no interior pitoresco da livraria. A luz vinda de uma das pequeninas janelas altas lançava um brilho difuso sobre o jovem alto e de ombros largos.
Dani estremeceu. Não gostava da ideia de um homem no seu reino encantado de livros mágicos. Não gostava de homens em nenhum lugar, mas dava um passe livre para o dono da loja, considerando que este era calado, gentil, e lhe dava generosos descontos.
A caminho da pilha de livros de poesia que o dono da livraria havia comprado em um bazar em Muscat, que começou a investigar no dia anterior, resolveu passar pelo homem. Quase havia comprado um deles na ocasião, e, à noite, resolveu que não iria embora sem um.
O desconhecido estava usando roupas ocidentais, jeans e uma camisa branca, para ser exato, e ainda sapatos de couro de aparência cara. Ela o fitou com desconfiança ao passar por ele, arrependendo-se quando ele ergueu o olhar para ela. Olhos azuis-escuros adornados por cílios negros se fixaram nos dela. Ele a examinou do alto do nariz aristocrático e o vestígio de um sorriso se esboçou na boca de aparência arrogante.
Uma Dani mais jovem e tola poderia tê-lo achado “bonitinho”, mas não era mais assim. Ela se preparou para o caso de ele ter a coragem de lhe dirigir a palavra.

















