Um Presente Especial
Trudy consegue encontrar o último boneco que seu sobrinho tanto queria para o Natal, jogado atrás de uma prateleira em uma loja de brinquedos, apenas para se ver envolvida num jogo de espionagem... E nos braços de um sensual agente secreto...
Revelações de Natal
Colegas de trabalho e secretamente apaixonados um pelo outro, Maggie e Eric têm de planejar juntos uma confraternização de Natal, e acabam descobrindo outro tipo de confraternização...
Sob a Magia do Natal
A magia do Natal começa quando uma sensata advogada, decidida a seduzir seu chefe, beija por engano o irmão gêmeo dele e lhe dá um beijo que o deixa ansiando por mais...
Capítulo Um
Trudy
Maxwell respirou fundo e abriu caminho em meio ao aglomerado de pessoas que
estavam na loja de brinquedos. Estava cansada de compras, cartões e filas
intermináveis... Enfim, do Natal em geral e das lojas de brinquedo em
particular. Especialmente daquela loja. E, por ter a fama de ser a pior da
cidade, era de se surpreender que estivesse tão cheia.
Depois
de muitos esbarrões e pisões no pé, conseguiu agarrar um jovem vendedor pelo
braço e gritou mais alto que o burburinho excitado ao seu redor:
—
Ouça, preciso de um boneco Major MacGuffin.
O
rapaz puxou o braço e enviou-lhe um olhar enviesado.
—
Você, e todos os clientes desta loja!
—
Apenas me diga onde estão — Trudy insistiu, sem se importar por quase estar
implorando para alguém que certamente ainda não tinha idade para dirigir.
—
Quando tínhamos esses bonecos disponíveis na loja, estavam nos fundos, no
quarto corredor à direita. Mas estão esgotados desde o dia de Ação de Graças.
— O rapaz se afastou e disse por sobre o ombro: — Tente a eBay.
— Eu já teria ido lá, se tivesse encontrado
tempo — Trudy respondeu com irritação. — Quarto corredor, à direita...
Obrigada.
Espremeu-se
pelo bloco humano compacto diante dela e, como por milagre, conseguiu avançar
alguns passos. Madonna cantava Santa Baby, e os velhos alto-falantes conseguiam
transformar a bela canção de Natal num gemido esganiçado.
O
aglomerado de pessoas se diluiu nos fundos da loja. Não era para menos, pensou.
A maioria das prateleiras estava vazia. Procurou o quarto corredor, virou à
direita e encontrou a prateleira que procurava... Obviamente, vazia.
—
Droga! — praguejou, passando para a prateleira seguinte com esperança de
encontrar uma caixa esquecida em meio a outros brinquedos.
A
busca foi inútil, e ela se agachou para tentar a de baixo. Nada! Quem sabe,
algum boneco MacGuffin tivesse fugido com as próprias pernas e se escondido
para escapar de toda aquela agitação, refletiu com esperança.
Pôs-se
a revirar caixas e mais caixas de brinquedos ultrapassados, que haviam feito
sucesso no Natal do ano anterior e que não despertavam mais o interesse de nenhuma
criança.
Estava
tão concentrada no que fazia que não percebeu um homem alto parado atrás dela,
encarando-a com uma expressão que variava entre surpresa e espanto.
—
Ei... Feliz Natal, Trudy.
Ela
congelou ao ouvir a voz familiar de Nolan Mitchell. Inclinou ainda mais o
corpo, fingindo que não ouvira nada, e se pôs a organizar as caixas que havia
retirado da prateleira.
—
Trudy?
—
Não falo com estranhos — anunciou, tentando ignorar o coração disparado no
peito para se concentrar na falta dos bonecos MacGuffin diante dela.
Fora
educada e compreensiva com Nolan nos dois encontros desastrosos que tiveram.
Então, como ele nunca mais telefonara, ela decidiu mandá-lo para o inferno.
—
Ouça, sinto muito por não ter telefonado...
—
Acredite, não me importo — respondeu, mantendo-se de costas para ele. — Em
outubro, fiquei preocupada. Em novembro, decidi que você era o homem mais
distraído do planeta. Em dezembro, eu o esqueci. Simplesmente excluí você da
minha vida.
O
mínimo que ele poderia ter feito era seduzi-la antes de abandoná-la, pensou,
frustrada.
—
Pelo menos, não sou do tipo que seduz para depois abandonar. — Trudy se virou
para encará-lo, perplexa com o comentário, e ele acrescentou: — Certo, não é a
melhor coisa para se dizer... Eu realmente sinto muito por não ter ligado.
Estava muito atribulado com meu trabalho...
— Você é professor de literatura — lembrou-o. — Literatura chinesa! Como
é possível estar atribulado?
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