
A magia da Cidade Eterna poderia reconciliá-los?
Linda recostou-se à sacada do hotel, admirando as luzes de Roma que aos poucos se acendiam.
Quanta vez não sonhara estar ali; quanta vez não antecipara a emoção de viver com Henry: aqueles momentos maravilhosos? No entanto, agora uma sombra lhe roubava a felicidade.
Aquela era uma viagem de negócios; o marido a trouxera apenas para que fingissem um casamento perfeito.
Quando ele conseguisse o contrato que tanto almejava, os dois tomariam rumos diferentes, formalizando a dolorosa separação...
Capítulo Um
Quando Linda entrou na pequena igreja, no centro de Wiltshire, naquela manhã de primavera, notou que sua chegada provocara comentários. ]]
Sentou-se, inclinando a cabeça para fazer uma prece silenciosa.
Iria precisar de todas as suas forças mais tarde.
Imaginou que grande parte dos convidados ali reunidos para o casamento de sua prima estava relembrando o seu, que, na época, parecia ser apenas o início de uma vida harmoniosa e feliz.
Ao levantar a cabeça não pôde deixar de perceber o chapéu cor-de-rosa à sua frente. Era tia Hilde que, como sempre, não perdera a oportunidade de parecer uma grande dama: Ao lado, acomodavam-se tia Jane e tio David, que olhou para trás e sorriu para ela.
Linda retribuiu o sorriso, aliviada.
Talvez nem toda a família estivesse contra ela por ter se separado de Henry.
Embora os dois não tivessem se divorciado, o fato de não morarem mais juntos despertara muitas críticas entre os parentes.
Duas jovens com certeza amigas da noiva sentaram-se ao lado dela, tão sorridentes e despreocupadas que a fizeram sentir-se, de repente, muito envelhecida.
Isso era ridículo.
Como alguém poderia sentir-se velha aos vinte e sete anos? Linda riu de si mesma, atribuindo aquela sensação passageira ao fato de lembrar-se da prima como uma garotinha travessa.
No entanto, agora, Moira estava prestes a se casar com o rapaz alto que, impaciente, á esperava no altar.
Linda pensara em ignorar o convite, ao recebê-lo.
Cerimônias de casamento não lhe eram muito agradáveis.
Estava tentada a rasgar o envelope, mas recebera um telefonema da mãe da noiva quase ao mesmo tempo em que a entrega do correio.
— Linda, espera que você não me faça á desfeita de não vir. — A voz de tia Florrie soava sempre tão autoritária, como se todos que a rodeassem tivessem cinco anos de idade.
— Tenho certeza de que poderá tirar uma licença no emprego. Está na hora de visitar a família.
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