Por gratidão, Janet tinha aceitado se casar com Spencer Wroe,
um brilhante cirurgião que tinha arriscado a vida e a carreira para salvar seu irmão de um sério acidente.
Mas, por uma ironia do destino, ela reencontrou um namorado de infância, Martin Everett, e percebeu que seu coração ainda balançava por ele.
Sabia que de certa forma amava Spencer, com ternura e admiração, mas era bem diferente daquele sentimento exigente e tempestuoso, aquela agonia que dilacerava seu coração só de pensar em Martin.
Como poderia resolver seu conflito? Qual das duas maneiras de amar seria a mais verdadeira?
um brilhante cirurgião que tinha arriscado a vida e a carreira para salvar seu irmão de um sério acidente.
Mas, por uma ironia do destino, ela reencontrou um namorado de infância, Martin Everett, e percebeu que seu coração ainda balançava por ele.
Sabia que de certa forma amava Spencer, com ternura e admiração, mas era bem diferente daquele sentimento exigente e tempestuoso, aquela agonia que dilacerava seu coração só de pensar em Martin.
Como poderia resolver seu conflito? Qual das duas maneiras de amar seria a mais verdadeira?
Capítulo Um
— Quando um romance termina e não há mais jeito de voltar atrás o melhor que se tem a fazer é arrancá-lo do coração como se fosse um tumor cortado por um bisturi preciso... é drástico, mas é a única solução.
Não adianta ficar acalentando no peito um sentimento morto. Só serve para atrasar sua vida.
Janet Ferrier estava de costas para a sala, na frente da janela, e olhava para fora enquanto falava. Sua silhueta recortava-se contra a luz opaca.
Estava chovendo e ela observava as gotinhas que escorriam pela vidraça lentamente como se fossem lágrimas.
As lágrimas que ela não conseguia chorar para aliviar aquela tristeza profunda e indefinida que nem sabia explicar de onde vinha; aquele sentimento de solidão que às vezes chegava a ser quase que insuportável, mas que ela guardava no mais íntimo de seu ser, a tal ponto que nem mesmo Freya Allanson, sua melhor amiga e companheira inseparável, jamais tinha percebido.
Demorou-se um pouco ainda de costas, naquela atitude, até que afinal virou-se e fitou os olhos surpresos de Freya.
— Puxa, Janet — protestou Freya —, nunca imaginei que você pudesse ser tão fria! Imediatamente a amiga se arrependeu.
— Desculpe, não devia ter dito isso... Eu sei bem o que está sentindo por causa de Ben e sei que não adianta ficar falando que ele não merecia seu amor ou que você vai esquecê-lo logo.
Não se pode esquecer assim de uma hora para outra, é claro. Ninguém consegue. Só o tempo resolve... aos poucos você vai se conformando e acabar esquecendo.
Não sei o que lhe dizer... Houve um breve momento de silêncio, cheio de lembranças, em que os ruídos do ambiente chegavam vagamente até elas: o tique-taque de um relógio; o rumor do trânsito na rua movimentada em frente ao hospital; barulhos de pneus sobre o cascalho da alameda de entrada, e o som de vozes, no corredor, das primeiras pessoas que chegavam para o horário de visitas da tarde e se encaminhavam para a enfermaria ao encontro dos entes queridos que as esperavam ansiosos.
Aquilo tudo já era tão familiar a ambas! Fazia parte da rotina atarefada de suas vidas ali no City General onde haviam feito estágio enquanto estudavam e onde trabalhavam juntas agora, depois de formadas.
Entretanto, naquele momento Freya estava abalada com a infidelidade de seu primeiro amor.
Parecia-lhe que a vida jamais seria como antes, que o trabalho que ela tanto amava seria uma lembrança constante daquele homem a quem entregara o coração e que lhe dissera há menos de uma semana, com tanta displicência, que iria se casar com outra garota.
Não conseguia esquecer o verão que tinham passado juntos... Ben Scarrif era tudo para ela... era seu mundo!
Como é que Janet não entendia isso? Logo ela que era tão sua amiga! Por que tinha falado daquele jeito, com tanta frieza?
Olhou para a amiga com um novo interesse como se só agora algo lhe estivesse sendo revelado. Janet tinha nascido para ser enfermeira.
Era uma vocação autêntica, e bastava olhar para o jeito dela entrar numa enfermaria ou num quarto e lidar com um paciente para se notar isso.
Tinha uma postura elegante, gestos competentes e cheios de paciência, os olhos transmitiam calma e serenidade e a boca bem feita revelava bondade e delicadeza.
Ela jamais se deixaria arrastar pela rotina técnica a ponto de ficar fria e perder a humanidade, mas também não se deixava envolver em sentimentos exagerados que interferissem em sua habilidade profissional.
Não adianta ficar acalentando no peito um sentimento morto. Só serve para atrasar sua vida.
Janet Ferrier estava de costas para a sala, na frente da janela, e olhava para fora enquanto falava. Sua silhueta recortava-se contra a luz opaca.
Estava chovendo e ela observava as gotinhas que escorriam pela vidraça lentamente como se fossem lágrimas.
As lágrimas que ela não conseguia chorar para aliviar aquela tristeza profunda e indefinida que nem sabia explicar de onde vinha; aquele sentimento de solidão que às vezes chegava a ser quase que insuportável, mas que ela guardava no mais íntimo de seu ser, a tal ponto que nem mesmo Freya Allanson, sua melhor amiga e companheira inseparável, jamais tinha percebido.
Demorou-se um pouco ainda de costas, naquela atitude, até que afinal virou-se e fitou os olhos surpresos de Freya.
— Puxa, Janet — protestou Freya —, nunca imaginei que você pudesse ser tão fria! Imediatamente a amiga se arrependeu.
— Desculpe, não devia ter dito isso... Eu sei bem o que está sentindo por causa de Ben e sei que não adianta ficar falando que ele não merecia seu amor ou que você vai esquecê-lo logo.
Não se pode esquecer assim de uma hora para outra, é claro. Ninguém consegue. Só o tempo resolve... aos poucos você vai se conformando e acabar esquecendo.
Não sei o que lhe dizer... Houve um breve momento de silêncio, cheio de lembranças, em que os ruídos do ambiente chegavam vagamente até elas: o tique-taque de um relógio; o rumor do trânsito na rua movimentada em frente ao hospital; barulhos de pneus sobre o cascalho da alameda de entrada, e o som de vozes, no corredor, das primeiras pessoas que chegavam para o horário de visitas da tarde e se encaminhavam para a enfermaria ao encontro dos entes queridos que as esperavam ansiosos.
Aquilo tudo já era tão familiar a ambas! Fazia parte da rotina atarefada de suas vidas ali no City General onde haviam feito estágio enquanto estudavam e onde trabalhavam juntas agora, depois de formadas.
Entretanto, naquele momento Freya estava abalada com a infidelidade de seu primeiro amor.
Parecia-lhe que a vida jamais seria como antes, que o trabalho que ela tanto amava seria uma lembrança constante daquele homem a quem entregara o coração e que lhe dissera há menos de uma semana, com tanta displicência, que iria se casar com outra garota.
Não conseguia esquecer o verão que tinham passado juntos... Ben Scarrif era tudo para ela... era seu mundo!
Como é que Janet não entendia isso? Logo ela que era tão sua amiga! Por que tinha falado daquele jeito, com tanta frieza?
Olhou para a amiga com um novo interesse como se só agora algo lhe estivesse sendo revelado. Janet tinha nascido para ser enfermeira.
Era uma vocação autêntica, e bastava olhar para o jeito dela entrar numa enfermaria ou num quarto e lidar com um paciente para se notar isso.
Tinha uma postura elegante, gestos competentes e cheios de paciência, os olhos transmitiam calma e serenidade e a boca bem feita revelava bondade e delicadeza.
Ela jamais se deixaria arrastar pela rotina técnica a ponto de ficar fria e perder a humanidade, mas também não se deixava envolver em sentimentos exagerados que interferissem em sua habilidade profissional.
