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domingo, 21 de abril de 2013

Reencontro Em Formosa

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 






Belle Tyler finalmente entrou no prédio onde morava, no centro de Taipé, capital de Formosa. 

A vida de urna jornalista não era fácil, pensou exausta. 
Tudo o que desejava naquele momento era uma boa noite de sono. 
Ao abrir a porta do apartamento, no entanto, parou estarrecida. 
Na sala estava Nick Rosney em pessoa! 
O que o ex-marido fazia ali, do outro lado do mundo, depois de cinco anos de separação? 
Como a encontrara? 

Capítulo Um 

Impaciente, Belle Tyler apertou várias vezes o botão do elevador, enquanto andava sem parar de um lado para o outro. Seus passos ecoavam no saguão do prédio recém-construído no centro de Taipé, capital de Formosa, onde dividia um apartamento com mais três jornalistas. 
Que dia! Não via a hora de tomar um banho relaxante e atirar-se na cama. 
A blusa de cambraia azul, depois de tanto calor, estava grudada em suas costas. 
A maquilagem, com certeza, se desfizera no caminho para casa. 
Seu aspecto devia ser deplorável, pensou, dando de ombros. Na vida de um jornalista praticamente não existia rotina, por isso Belle não se havia espantado, pela manhã, ao saber que precisaria cobrir um atentado. 
Um cargueiro japonês tinha sido atingido por uma bomba justamente quando transitava na costa entre a China e uma pequena ilha pertencente a Formosa. Obviamente tratava-se de uma região de conflitos 
— de um lado os comunistas; de outro, os capitalistas —, mas havia muito não ocorriam por ali episódios semelhantes. 
O depoimento cheio de reticências do capitão japonês em nada contribuíra para esclarecer o episódio, em si contraditório. Para piorar as coisas, ele seguira direto para Hong Kong. 
Sem a principal testemunha, Belle vira-se obrigada a passar horas ao telefone, perseguindo algumas fontes. Tinha certeza de que havia algo de obscuro naquela história e iria fundo para descobrir, decidiu, saindo do elevador no andar em que morava. 
Foi só abrir a porta de seu apartamento, porém, para constatar que o pior ainda estava por vir. Decididamente, seu dia não terminaria bem.
Piscou várias vezes para certificar-se de que não estava vivenciando um pesadelo. 
— O que fez com seus cabelos? Cortou? A voz era bem real, não deixando margem para dúvidas: Nick Rosney estava ali, na sua frente, em carne e osso. 
Olhou-o, incrédula. Nick era a última pessoa que esperava encontrar. 
O susto que tomou foi tão grande que teve de procurar um lugar para se apoiar. 
O batente da porta de entrada foi, literalmente, a sua salvação. Aturdida, recostou-se na madeira. 
Suas pernas tremiam. Ele, no entanto, não parecia nem um pouco surpreso ou emocionado.
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sábado, 17 de novembro de 2012

Tempestade De Verão

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


Cínica e fria: assim Lesley Crosnier era conhecida. 

Isso, quando não a chamavam de nomes bem piores. 
Mas ela não se importava. 
Estava acostumada aos maus tratos e ao desamor, a começar pelos que recebia dos próprios pais.
Talvez o motivo dessa falta de afeto fosse Lesley ter sido sempre diferente: uma sensitiva, capaz de olhar para as pessoas e "ver" seu íntimo.
Até que, num certo verão, surgiu alguém que a intrigou: Rad Sinclair. 
Com ele, Lesley não conseguia usar seus poderes paranormais. 
Então, começou a ficar amedrontada. 
Quem seria aquele homem que, a seus olhos, parecia sempre envolto em uma estranha névoa, como o céu cinzento antes de uma tempestade de verão? 

Capítulo Um 

Lesley negaria que era uma pessoa com poderes extra-sensoriais, mas, de vez em quando, era dominada por certas sensações que a deixavam perceber algumas verdades a respeito das pessoas e dos acontecimentos. 
Nada de adivinhações ou presságios, apenas as sensações fortes demais para serem ignoradas. 
Naquele momento, fixando o rosto ao espelho, teve a sensação de que a festa daquela noite em sua casa seria muito importante. 
Sentia que o destino, desastroso e perturbador, girava à sua volta como uma névoa opressiva. 
Tinha a nítida impressão que aquela casa grande, bonita e sem alma estava ameaçada, e ela também. 
Algum perigo se aproximava, como se despertado pela tempestade que a atmosfera anunciava. 
Lesley continuou a se maquiar. Muito bem pintada, lábios vermelhos, sombra nos olhos, apenas as sobrancelhas não foram tocadas. 
Aquele era seu rosto de festa, não tão diferente do que apresentava todas as manhãs nas aulas. 
Charme, brilho e sofisticação: tudo isso fazia parte de Lesley, e ninguém que a visse desconfiaria dos misteriosos presságios que dominavam naquele momento. 
Sorrindo, ela saiu da frente do espelho e se vestiu para a festa. 
Usaria calça roxa e uma blusa da mesma cor, de tecido brilhante, de alças fininhas, deixando as costas completamente nuas. 
Para completar sua figura sofisticada, calçou um par de sandálias de saltos altíssimos. 
Colocou seu par de brincos de safira e soltou os cabelos, escovando-os até ficarem macios e sedosos. Olhou-se de novo ao espelho e percebeu que ainda faltava alguma coisa para completar o traje. 
Em seguida, abriu uma das gavetas do guarda-roupa e retirou um cordão de ouro. 
Colocou-o no pescoço nu e ficou satisfeita com sua aparência. 
Saiu do quarto e andou pela casa, olhando os objetos e móveis elegantes que lhe eram tão familiares e que demonstravam o bom gosto de sua mãe. 
Tinha chegado naquela tarde para passar as férias de verão com os pais, porém ainda não os tinha encontrado. 
Seu pai, Gerard Crosnier, tinha passado o dia todo no escritório e Valerie Crosnier, sua mãe, se dividia entre o cabeleireiro e as lojas de alta-costura. 
Encontrou-os na biblioteca, conversando enquanto tomavam licor. 
Lesley parou por um instante e observou a elegância de seu pai e a beleza de sua mãe. 
Valerie, magnífica num vestido verde-oliva e coberta de joias, levantou a cabeça assim que viu a filha. 
— Lesley Ann, você tem que se trocar, querida. Essa roupa que está usando deixa você sensual demais!
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sábado, 2 de maio de 2009

Amante Cigano

Contemporâneo




A tentação de uma aventura ao lado de um homem rebelde.

Carla amava Braden, um homem de espírito Cigano.

A caminho do aeroporto, Carla sentiu o medo começar a dominá-la.
Tentava em vão descobrir o motivo que levara Revel Braden a insistir para que o acompanhasse numa reportagem em Zululand.
“Por que a fotógrafa tinha de ser eu?”, ela acabou perguntando, apreensiva. “Quando estivermos no avião eu conto”, ele respondeu, rindo. “Se disser agora, talvez você desista.”
Carla não insistiu. Nunca poderia supor que um dia a usassem para um plano tão sórdido!




Capítulo Um


— Você me apronta cada uma, Alistair! — Carla Duminy reclamou, enquanto discava o telefone, — Faço fotos sobre indústrias e não sobre tragédias como a seca!
De fato, a reportagem em Zululand não tinha o menor atrativo para Carla.
Nascida e criada no deserto, sabia muito bem o que um período de seca prolongada podia fazer com a terra, os animais e as pessoas.
O editor da Afrinews a fitou apreensivo. Depois de tantos anos na cidade, Carla continuava tímida e misteriosa como no dia em que partiu do vasto e desolado deserto do Karoo. Será que alguém realmente a conhecia?
Não possuía uma beleza clássica, ele refletiu, mas seu corpo era sensacional e parecia um milagre que pudesse conservar aquela aura de proteção em torno de si mesma. Alistair suspirou, sabendo que ainda precisava dar a pior notícia.
— Ordem do velho Nash, Carla. Ele tem muita fé em você, acha que é brilhante.Aliás, disse algo a respeito de uma exposição quando conversamos hoje à tarde.
Carla levantou os olhos do telefone, encarando Alistair.
Não gostava de ser submetida a pressões...
Não desejava nenhuma exposição de suas fotos, mas sabia que no fim ia ter de aceitar a sugestão do proprietário do Courante Group. Todos sabiam que as "sugestões" dele eram ordens...
Já havia visto o chefão algumas vezes e se perguntava como um homem tão pequeno podia ter tamanho poder!
Chegava a ser cômico, sempre de terno, gravata e chapéu, mas ninguém jamais ria dele. Até mesmo Alistair Carmichael o temia.
Suspirou ouvindo o telefone de Bernard chamar sem que ninguém atendesse.
Tratava-se de sua linha privada nos escritórios da Franck Constructions, pelo qual o amigo podia ser contatado diretamente. Era tarde, mas Bernard ainda devia estar lá. Fitou Alistair e sorriu, ao perceber-lhe a expressão de culpa.
— Bem, qual dos garotos vai cobrir a seca comigo? Marigold não é, pois está ocupada com a abertura do Parlamento...
— Não será um dos garotos. — Alistair sorriu, constrangido, não para ela, mas para o homem alto que acabava de abrir a porta.
— Eu ia contar para Carla agora mesmo, Revel.
Ela ficou paralisada ao avistar o recém-chegado, que a encarava com frieza.
— Bem, ia ser uma má notícia, pelo que posso ver — ele comentou, com ligeiro sarcasmo. — Vamos usar o meu carro para ir ao aeroporto, estou esperando no estacionamento. É um Lamborghini preto. Vá me encontrar assim que terminar seu telefonema.
Carla não teve chance de responder, pois no mesmo instante uma voz atendeu do outro lado da linha.
— Bernard? — ela perguntou, confusa, ainda vendo o sorriso cínico nos lábios de Revel Braden, antes de ele se virar e sair da sala.
— O que foi, Carla? — Bernard perguntou, afável. — Você está bem?
— Sim, tudo bem. É que... — Bernard era seu melhor amigo, mas nenhum dos dois costumava conversar a respeito de intimidades. Além do mais, Alistair estava escutando. — Não é nada. Estou ligando, pois preciso ir para Zululand fazer fotos para uma reportagem a respeito da seca. Partimos hoje, no último avião para Durban, e devo estar de volta amanhã à noite. A sra. Du Plessis está no hospital e não consegui encontrar Marigold Vibor, por isso queria lhe pedir o favor de alimentar e cuidar de Pasht para mim. Já deixei a chave embaixo do vaso de gerânios, ao lado da porta.
— Claro, não se preocupe — Bernard prontificou-se, como Carla esperava.
Quando se vive dividido entre a agitada vida da cidade e uma profissão que exige demais, atividades simples como alimentar uma gata até que se tornavam um descanso para a mente.
Ainda conversaram um pouco sobre Pasht, a gata siamesa, mas os pensamentos de Carla estavam centrados em Revel Braden. Por enquanto só sentia raiva, muita raiva. O medo chegaria depois. Alistair sorria quando Carla desligou.