Uma praia.
Um homem e uma mulher, um lugar perfeito para nascer o amor que ambos procuram… Shannon Raine olha pela janela de sua casa.
O nevoeiro daquela manhã não permite que ela possa observar direito o homem que caminha solitário.
Mas algo em seu corpo, um leve tremor, indica uma vontade súbita de conhecê-lo.
Veste um agasalho e sai. Garth Sheridan vê a jovem que apressadamente vem a seu encontro.
Todos os sentidos lhe mostram que todo o cuidado é pouco.
Os olhares se cruzam, os corpos ficam parados, retesados, um calor toma conta dos dois.
Aquele encontro tinha de acontecer…
Capítulo Um
Fazia três manhãs que Shannon o observava da janela da cozinha. Seguindo a mesma rotina, ele saía pela porta dos fundos do chalé, vestindo um blusão escuro, com a gola levantada para protegê-lo da fria névoa matinal.
O homem era envolvido pela misteriosa atmosfera, que parecia combinar com seu aspecto sombrio, e desaparecia na neblina, rumo à praia acidentada.
Shannon Raine estava em pé, junto à janela, decidindo se deveria se apresentar ao estranho. Afinal, seria um gesto natural, pois ele era um visitante na pequena comunidade da costa de Mendocino, na Califórnia, e ela, uma moradora permanente levando as boas—vindas ao vizinho mais próximo.
Não haveria nada de incomum em segui-lo até a praia e desejar-lhe bom-dia a fim de conhece-lo.
Muitos visitantes iam e vinham embora durante o verão, atraídos pelo bonito cenário litorâneo, a singular arquitetura vitoriana das pequenas cidades e a série de galerias de arte. Shannon lembrou a si mesma que ela não procurava se apresentar a todos os turistas que passavam pela área.
Mas esse homem era diferente. Havia qualquer coisa nele que a impressionava.
Talvez o ar distante e a solidão em que ele passava os dias a tivessem impulsionado.
Não conseguia entender por que necessitava conhecê-lo. Embora fosse amistosa por natureza, não era do tipo de pessoa que se sentisse compelida a buscar a companhia de outras pessoas. Sentia-se bem sozinha, desenhando ou trabalhando em silk screen.
Um pensamento passou rápido pela cabeça de Shannon.
Aquele homem estranho, que parecia tão à vontade na neblina, também era artista e isto a estava atraindo para ele. Shannon considerou a possibilidade e meneou a cabeça.
Não, era mais provável que fosse escritor ou poeta. Sim, podia imaginá-lo facilmente como um poeta.
Havia nele um quê de mistério e sabedoria, como se ele tivesse descoberto que a vida é uma batalha em muitos sentidos. Shannon supunha que desse conflito interior brotava a ardorosa energia necessária para juntar as palavras de maneira a formar imagens intensas.
Claro. Ele era escritor. Afastou-se da janela para pegar um pouco de chá, enquanto se perguntava quantos escritores dirigiam Porsches prateados e pretos como aquele estacionado na frente do chalé do seu vizinho. O homem devia ser famoso.
Afinal, não é qualquer um que tem um carro desses.Shannon tomou um gole de chá e refletiu sobre o assunto.
Ele havia tocado em algum ponto do seu sentimento e, qualquer que fosse a arte dele, ela estava certa de que fizera a análise do espírito sombrio e meditativo que o animava.
Só um homem com grande capacidade para a paixão transmitiria essa imagem.
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