
Você não pode interromper o futuro, nem modificar o passado.
O único jeito de descobrir este segredo é apertando play.
Para Cay Jensen, as fitas cassete gravadas por Hannah Baker não têm nada a ver com ele.
Hannah está morta. E seus segredos devem ser enterrados com ela.
Só que a voz de Hannah diz a Clay que o nome dele está em uma das histórias dessas fitas - e que ele, de alguma maneira, é responsável por sua morte.
Tomado por espanto, angústia e muito medo, Clay permanece escutando as gravações madrugada afora.
Ele segue as palavras de Hannah pelas silenciosas ruas de suas cidades... e o que ele descobre, muda sua vida para sempre.
Capítulo Um
Pelas ruas desertas e escuras, os passos de Clay são abafados por sua respiração entrecortada.
Se ele pudesse ouvi-los, ou se pudesse ter uma imagem de si mesmo, veria um adolescente alucinado, em uma busca desesperada. Do quê?
Ao chegar da escola naquela tarde, um pacote sem remetente, endereçado a Clay, lhe dá boas-vindas na porta de casa.
O pacote contém sete fitas cassete embrulhadas em plástico-bolha. Play.
A voz de Hannah Baker. Morta há algumas semanas. Suicídio por overdose de remédios. E o primeiro amor de Clay.
Nas fitas, Hannah explica os treze motivos que a fizeram acabar com a própria vida. Quem recebeu as fitas é um deles.
E a regra é simples: depois de escutar seu motivo, passe as fitas adiante, para o nome da história seguinte.
Que fatos podem estar encobertos pela pretensa normalidade da vida de adolescentes como outros quaisquer?
Entender o que Hannah quer lhe dizer depois de morta: é o que Clay Jensen busca nesta noite, caminhando pela cidade às escuras, com o walkman no bolso e uma voz fantasma sussurrando em seus ouvidos.
— Senhor? — ela repete. — Quando você quer que chegue? Esfrego a sobrancelha esquerda com dois dedos.
Lateja cada vez mais.
— Tanto faz — respondo.
A atendente pega o pacote. A mesma caixa de sapatos que estava na porta da minha casa há menos de vinte e quatro horas; embrulhada de novo num saco de papel pardo, fechado com durex, exatamente como a recebi.
Mas agora com um novo destinatário. O nome seguinte na lista de Hannah Baker.
— Os treze porquês — murmuro. Sinto um calafrio só de pensar.
— Desculpe, não entendi.
Faço um gesto com a cabeça.
— Quanto é?
Ela pega a caixa e digita uma seqüência de números no teclado.
Coloco em cima do balcão o copo de café que comprei no poato de gasolina e olho para a tela. Puxo umas notas da carteira, procuro algumas moedas no bolso e ponho o dinheiro ao lado do copo.
— Acho que o seu café ainda não fez efeito — ela diz com ironia. — Está faltando um dólar.
Entrego o dólar e esfrego os olhos para afugentar o sono. Tomo um gole do café, que a esta altura está morno e duro de engolir. Mas preciso acordar.
Ou talvez não. Talvez seja melhor passar o dia sonâmbulo. Talvez seja a única maneira de agüentar este dia até o fim.