“Não me deixe, Beth! Sem o seu amor, estarei perdido para sempre!”
Beth jamais imaginara entregar seu coração, seu corpo, a um criminoso!
Beth sente o calor do corpo nu e másculo de Michael Hamilton e estremece de desejo e paixão.
Não!
Ela só podia estar delirando! Afinal, Michael não passava de um impostor que entrara em sua vida só para se aproveitar de sua vulnerabilidade e seduzi-la!
Oh! Como pudera se render às carícias sedutoras de um criminoso, um homem terrivelmente cruel e perigoso?
Capítulo Um
O sol estava nascendo quando os três caçadores avistaram a densa floresta que se estendia além do milharal. Tim Mosher, magro e alto, foi o primeiro a quebrar o silêncio.
— Acho que nunca viemos aqui antes. Espero que saiba para onde está nos levando, Hamilton; não quero me perder como no ano passado.
— Podem confiar em mim. Desta vez, me lembrei de trazer uma bússola!
Constrangido, Michael Hamilton recordou o lamentável incidente do ano anterior. Os três haviam passado horas andando em círculos na floresta, até encontrarem um fazendeiro da região que os ajudara a se localizar, jogando por terra sua reputação de conhecedor da região.
— Quer dizer que o velho desbravador vai usar algo mais eficiente do que seus instintos para sair da floresta? Nessa eu não acredito…
Com o rabo de olho, Michael observou Jerry Qrimes, o mais velho dos três e também o mais experiente. Sua jaqueta de lã, em tons de vermelho e preto, contrastava com os cabelos grisalhos, e o risinho malicioso que lhe iluminava as feições anunciava que sua intenção ao fazer o comentário fora apenas a de embaraçá-lo.
— Vou fingir que não o escutei, Jerry.
Um pouco adiante, Michael levantou uma cerca de arame farpado para que seus companheiros passassem e esperou alguns minutos antes de segui-los até o limite do bosque.
— Agora, acho melhor calarem a boca. Senão, vai acontecer como há dois anos, quando perdemos nossa melhor chance por causa da risada do Tim.
— Tim, por acaso, você trouxe seu perfume para atrair corças novamente? — Jerry perguntou, mal contendo o riso.
— Não! Uma vez bastou para que eu aprendesse a lição. Naquela ocasião, minha mulher me obrigou a deixar o casaco pendurado na garagem durante três meses por causa do mau cheiro… Ela vive se perguntando o que fazemos por aqui, já que nunca conseguimos caçar nada!
— Anime-se — atalhou Michael, sorridente. — Este ano vamos nos sair melhor, contanto que não continuemos nesse passo de velhos decrépitos. Parece até que esta é uma excursão de asilo!
Os três encontravam-se apenas uma vez por ano para caçarem juntos. Mal se conheciam e cada um vinha de uma região de Columbus para se divertir nas florestas centrais do Estado de Ohio. Alojavam-se num hotel da região e passavam as noites exagerando em suas aventuras anteriores, rolando de rir das proporções das mentiras. Na realidade, não tinham nada em comum além do amor pela caça.
Levantavam-se antes do raiar do dia e deixavam o hotel depois de um café da manhã reforçado, que lhes dava energia para enfrentar qualquer aventura. No fundo, porém, o que mais os atraía era a tranquilidade dos bosques, a paz que os envolvia, a falta de obrigações…
Ao atingirem a entrada de uma clareira, Michael se adiantou, tentando escutar, algum ruído. Como não ouvisse nada, estudou a direção dos ventos e contornou a região lamacenta, a fim de se colocar no mesmo sentido dos ventos. Este ano seria diferente: ele usaria técnica e astúcia!




