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quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Prova de Inocência

ROMANCE CONTEMPORÂNEO

A felicidade de Kathleen era frágil como um castelo de areia.

Com a ajuda de uma sórdida mentira, fora morar com Jordan, um fascinante viúvo. 
E agora, apaixonada por ele, louca de amor e desejo, sofria as penas do inferno, porque, no momento em que ele descobrisse a verdade, iria expulsá-la de sua vida!





Capítulo Um

— Seus supervisores no hospital a recomendam muitíssimo bem, srta. Darrow. — A loira levantou os olhos dos papéis que tinha nas mãos e sorriu polidamente para a jovem sentada à frente da escrivaninha, — O que a levou a se demitir?
— Na verdade, uma série de razões. — Kathleen Darrow entrelaçou formalmente as mãos sobre o colo, desejando não parecer tão tímida, — Foram quatro anos no curso de enfermagem e mais três trabalhando como enfermeira. Nos últimos sete anos, minha vida tem girado em torno de um hospital. No mundo existem outras coisas, e eu gostaria de vê-las.
— Na ficha que preencheu para a agência, mencionou o trabalho noturno como um dos motivos. Imagino que esse horário interferisse bastante na sua vida particular, não é?
Kathleen supunha que a mulher que a entrevistava fosse uns dois anos mais velha do que ela. A plaqueta na escrivaninha dizia: Lorna Scott. Ela era muito atraente e vestia um elegante conjunto rosa. Sua serenidade fazia Kathleen sentir-se desajeitada e indecisa. Era uma sensação ridícula, pois ela sabia que seu traje verde-oliva realçava muito bem sua figura esbelta combinando com os olhos cor-de-mel e acentuando o reflexo avermelhado de seu cabelo castanho,
— Para que o trabalho de alguém interfira na vida particular, srta. Scott — respondeu Kathleen — é preciso que haja uma vida particular.
— Você está destruindo minhas ilusões sobre as enfermeiras! — O riso fluía fácil da entrevistadora. — Sempre as imaginei repelindo um paciente com uma das mãos e rechaçando as investidas de um jovem residente com a outra!
— Alguns pacientes realmente exageram o significado de uma massagem — admitiu Kathleen—, mas conheci muito poucos assim.
Negar que tivesse uma vida particular não era exatamente verdade. Havia Barry. O problema era que Kathleen via-o mais como um primo distante do que como namorado. Barry inspirava confiança, estava sempre por perto. Mas era só.
— Você certamente quer ficar longe de hospitais, não é? Que tipo de emprego a interessaria? — Lorna Scott sorriu de modo compreensivo e divertido.
— Sinceramente, não sei. — Kathleen sacudiu a cabeça, ligeiramente confusa. — Embora eu queira deixar a profissão, minha experiência se restringe à enfermagem. Não sei que outro tipo de trabalho poderia fazer.
— Vamos ver o que nossa agência pode lhe oferecer — sugeriu Lorna Scott, abrindo um fichário. — Estou certa de que encontraremos alguma coisa.
Espero que sim, pensava Kathleen enquanto a loira remexia nas fichas. Suas amigas, quase todas as enfermeiras, tinham achado loucura seu pedido de demissão, mas Kathleen preferira não dar atenção a elas. Tinha dinheiro suficiente para sobreviver por alguns meses e sabia que, se não rompesse com a vida hospitalar agora, nunca mais o faria.
No mais, não fazia restrições de qualquer natureza a seu futuro emprego. Trabalharia de bom grado como balconista ou garçonete.
Não que Kathleen não gostasse de seu trabalho ou não o achasse compensador. É que sua vida se tornara monótona, e ela queria seguir outros rumos. Com um pouco de sorte, a agência de empregos lhe proporcionaria um novo horizonte.
— Você já trabalhou com crianças? — A pergunta interrompeu os pensamentos de Kathleen.
— Trabalhei no departamento de pediatria. — Forçou um sorriso e duas covinhas surgiram em suas faces. — Também sou a mais velha de sete filhos. Acho que isso me dá alguma experiência.
— Temos um cliente procurando uma pessoa para cuidar de suas duas filhas e de uma senhora doente. — Lorna Scott sorriu, ao retirar a ficha. — Uma das meninas tem doze anos, a outra tem dez.
— Não deve ser difícil cuidar delas — comentou Kathleen, interessada,
— O pai passa grande parte do tempo fora de casa, a senhora é diabética e você precisaria morar no emprego. O trabalho também inclui cuidar da casa e, eventualmente, cozinhar. — Lorna Scott inclinou a cabeça, resignada. — Não sei se isso poderia interessá-la, srta. Darrow.
Mas o trabalho oferecia algumas vantagens. Embora não tivesse muito tempo livre, Kathleen poderia passar grande parte dele como preferisse. Duas meninas com mais de dez anos não exigiriam atenção constante. Além disso, Kathleen gostava de cozinhar, de cuidar do pequeno apartamento, de redecorá-lo quando o orçamento permitia. E sempre sonhara com uma espaçosa casa própria. Claro, seus sonhos também incluíam um marido, mas, por enquanto, não havia nenhum candidato. Exceto Barry.
— Creio que este trabalho deva ser muito interessante! — comentou Kathleen.
— Seu currículo satisfaz as exigências do cliente e o salário é muito bom. Você teria um dia de folga por semana e um fim de semana por mês.
Quanto mais Kathleen pensava no emprego, mais tentador ele parecia ser. Passar o verão com duas meninas certamente significaria passar muito tempo na praia, nadando, tomando sol. Valia à pena experimentar, e ela já começava a se mostrar definitivamente interessada quando Lorna Scott advertiu-a:
— O único problema é que o sr. Long pediu uma mulher mais velha, mais amadurecida. Uma imagem de mãe, suponho. Infelizmente, ainda não conseguimos encontrar ninguém assim, e por isso ele talvez desista desse requisito. Se estiver interessada, posso telefonar marcando uma entrevista.
— Estou — respondeu Kathleen categoricamente.
— Então, com licença. Vou ver o que posso fazer. Volto num minuto. — Lorna Scott levantou-se e saiu da sala, levando consigo a ficha de Kathleen.