Um coração adormecido para o amor?
Valéria definitivamente não sabe o que é mais perigoso: o fato de levar seu filho pequeno para uma excursão nas montanhas ou o de o guia que vai acompanhá-los ser o homem que faz parte de seu passado e que ela nunca esqueceu.
Muito tempo atrás, quando Scott Hunter era um jovem rebelde, faltou-lhe coragem para se aproximar de Valéria Channing. Agora, em meio às montanhas e ravinas do deserto, ele se vê tomado por um desejo de conquistar a garota que lhe escapou no passado.
O que começa como uma aventura para um menino tímido torna-se uma experiência excitante para os dois adultos que o acompanham.
Pois Valéria e Scott sentirão a intoxicante beleza do deserto derreter o gelo em seus corações...
Capítulo Um
Veja aquela placa, mamãe: Apache Junction! Que nome estranho para uma cidade! — disse Davis, quando Valéria parou o carro em frente à loja de equipamento para camping.
O entusiasmo do filho a recompensava de todas as dificuldades que tivera de enfrentar para poder viajar com ele.
Davis insistira muito para que ela o levasse até o Arizona. Era raro o filho lhe pedir algo.
Valéria relutara em concordar que Davis faltasse alguns dias na escola. Todavia, a professora dele a tranquilizara, dizendo que a convivência com a mãe seria salutar para o garoto.
Além do mais, Valéria tivera de ser bastante habilidosa para convencer seu chefe de que necessitava tirar umas férias no início de janeiro.
Escolhera a hora certa para falar com ele.
Não tinha condições de sobreviver sem seu emprego, e por isso não podia correr o risco de ser despedida.
Neil, o pai de Davis, se distanciara dele, pois sua segunda mulher acabara de dar à luz um menino.
Claro que as despesas com sua nova família aumentaram muito, e Valéria passara a arcar com quase todos os gastos do filho.
Talvez Neil estivesse evitando telefonar para seu primogênito por estar constrangido.
Entristecida, Valéria notara que Davis começava a se sentir rejeitado pelo pai.
— Ali está! A Superstition Mountain! — Davis gritou, puxando o braço da mãe.
Valéria olhou para a formação rochosa que, segundo lera em algum lugar, tinha uma natureza vulcânica. Majestosa, a montanha se atirava para o alto, dando a impressão de que, assim, se afastava da realidade para adotar uma filosofia mística e deleitar-se com seu próprio universo fantástico.
Não era a primeira vez que a mãe de Davis a via.
Quando adolescente, morara ali na região, em Phoenix.
— Estou tão contente por termos vindo, mamãe! Muito, muito feliz mesmo!
— Não imagina o quanto isso me deixa radiante, meu amor. Davis acreditava que o argumento decisivo para convencer a mãe a trazê-lo ao Arizona fora o mapa que recebera de Mokesh na véspera de seu falecimento.
Se Valéria e o filho conseguissem chegar ao local ali assinalado com um X, encontrariam um tesouro e teriam dinheiro suficiente não só para pagar as passagens de avião até o Arizona como também para viver o resto de suas vidas sem que ela precisasse trabalhar.
O menino ainda não tinha idade para perceber que Valéria teria feito qualquer sacrifício apenas para ver seus olhos brilharem de alegria.
Ele a surpreendera quando aceitara a morte do amigo índio com naturalidade.
"Mokesh me disse que tínhamos de nos despedir porque ele deveria continuar seu caminho.
Então, deu-me este presente." Assim, Valéria ficara sabendo da existência do mapa do tesouro.
Era a primeira vez, em muito tempo, que seu filho se mostrara interessado em algo.
Nem mesmo o jogo eletrônico que ganhara do pai no Natal o deixara tão animado.
— Mamãe, ande, vamos entrar.
— Eu estava pensando...
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