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sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

O Natal dos Cald.

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
Série Saga Família Cald.
Os invernos de Montana são ásperos, mas o mau tempo não estará no caminho da reunião de Natal dos Calders. 

No entanto o Patriarca Chase Calder está determinado a tornar este feriado o mais feliz ― especialmente para sua filha, Cat. E Chase sabe que os melhores presentes nem sempre são feitos com papel e fita.






Capítulo Um

Um chinook, um vento quente que varre a área durante o inverno, há muito conhecido como a neve comedora pelas tribos nativas, varria as vastas planícies de Montana. Sua respiração era quente, derretendo o cobertor branco invernal que cobria as gramíneas ricas da terra.
Sobre a terra ondulante da alta pradaria, ele corria e invadia a sede do famoso rancho Triplo C., girando em torno dos muitos edifícios que davam ao local a aparência de uma pequena cidade.
Inevitavelmente, o chinook se virava para cima da colina em um túnel, através das colunas altas que revestiam o pórtico da grande casa branca, que continha uma visão dominante do pátio do rancho. Seu próximo alvo foi o da ondulação da fumaça da chaminé, achatando-a e levando ao longo de sua carreira sobre a terra. 
A fonte da fumaça era o fogo, que ardia na lareira de pedra maciça da sala de estar. Seu calor era uma concessão ao patriarca do Triplo C., Chase Calder. 
Ele se sentava em sua cadeira habitual, por trás da grande mesa de carvalho da sala, sua bengala enganchada na borda da cadeira. Os anos tinham tomado muito de seu vigor, assim como tinham encolhido a sua grande estrutura, e esculpido uma rede de linhas profundas em seu rosto ossudo. Mas nada que tivesse embotado o brilho acentuado nos seus profundos olhos vivos.
Chase Calder podia estar velho, mas só um tolo poderia pensar que a idade tinha diminuído sua percepção das coisas que aconteciam ao seu redor.
Seu olhar vagava para sua nora viúva. Jessy Calder se sentava em uma das cadeiras em asa, de frente para o balcão. Vestida em trajes de fazendeira típica, com botas de cowboy, jeans e uma camisa, ela ainda possuía a figura da menina magra de sua juventude. 
Apenas as linhas da idade, atraentes ao redor dos olhos, e da ligeira cor prata de seus cabelos castanhos, revelavam que Jessy também tinha ficado mais velha. Atualmente, as rédeas do Triplo C. estavam em suas mãos, coisa que ela conduzia com facilidade, mostrando tanto a tutela tranquila de Chase, como a sua própria capacidade inata.
Como muitos outros trabalhadores do Rancho, tinha suas raízes muito bem firmes nas profundezas da terra. Jessy tinha nascido no Rancho, e passara seus primeiros anos como um peão normal, antes de se casar com o único filho de Chase. 
Seu sólido conhecimento do negócio de gado, e seu respeito permanente para com a terra que a apoiava, juntamente com a sua própria força tranquila, lhe forneceram a base para uma líder de categoria.
Cedo, Jessy tinha passado mais da responsabilidade pelas operações diárias do Rancho, para seu filho Trey, preparando-o para o dia em que ele fosse assumir o controle, assim como Chase a havia preparado. Era esta liberdade das minúcias do dia a dia, que permitia a Jessy relaxar na sala e desfrutar de um copo de café no meio da manhã, com seu sogro.
Uma forte rajada do vento típico da região, atingiu um dos vidros da janela. Automaticamente Jessy olhou em sua direção, fazendo uma pausa no ato de levantar a xícara de café aos lábios.
— Eu gosto do som disso. — Jessy comentou passivamente. — Isso significa que não terá feno para o gado. Quanto mais tempo eles tiverem a boa grama Calder para pastar, melhor será para o nosso balanço financeiro.
Mesmo com o brilho de um sorriso confirmando, os cantos da boca de Chase se aprofundaram, e o cowboy alto e magro em pé ao lado da lareira, enviou um sorriso de lado na direção de Jessy. 
— Falou como uma verdadeira pecuarista. 


quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

A Tempestade Cald.

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
Série Saga Família Cald.
Olhando para sua acidentada vida de cowboy, Trey Calder poderia escolher a mulher que bem quisesse.

Mas ele está esperando por alguém especial, e no instante em que coloca os olhos sobre a fotógrafa Sloan Davis, tem certeza que a encontrou, e dentro de algumas semanas os dois estão casados. 
É um sonho tornado realidade para Sloan órfã... até Trey fazer uma descoberta surpreendente sobre Sloan e quem ela é realmente.
A paixão se transforma em suspeita e um jogo perigoso é posto em movimento, colocando em perigo tudo aquilo pelo qual os Calder tem trabalhado durante o longo das gerações. Um inimigo formidável estava à espreita. Alguém que vai usar todos os meios necessários para controlar suas terras, suas vidas e seu legado para sempre. 
Trey Calder foi treinado para assumir o rancho de sua família, para proteger o que é deles. Agora chegou o momento do filho Calder tomar uma posição e esperar que o seu caminho seja o caminho certo.

Capítulo Um

O sol da tarde estava a deriva para baixo em direção ao horizonte ocidental, lançando sua luz brilhante através de um vasto céu em Montana com fitas de nuvens como uma cauda de cavalo. 
A primavera camuflando as vastas planícies com seus tons de verde fresco e perfumando o ar com o vigor cru de uma nova vida, tudo sempre afiado e limpo.
Jessy Calder respirou seu perfume selvagem quando saiu do lado do passageiro da picape. Estampada no painel da porta da camionete estava uma versão ampliada da marca Triplo C. Abaixo dela, as letras impressas soletrando para fora o nome Calder Cattle Company.
Havia pouco sobre Jessy Calder que sugeriria a um estranho que ela fosse a atual chefe de um rancho com um número superior a um milhão de acres dentro de suas cercas de fronteira. 
Como de costume, a viúva do único filho de Chase Calder estava vestida com botas de cowboy, calças jeans e um chapéu marrom Stetson. A blusa branca sem enfeites, sob medida era a única exceção ao traje típico de trabalho.
A difusão das linhas ao redor dos olhos e da boca revelavam que ela tinha passado a marca dos cinqüenta há alguns anos, mas ainda conservava sua magreza, na figura de menina. E os cabelos prateando de cinza tinham apenas o efeito de aliviar sua cor de mel escuro.
Sem dúvida, Jessy Calder era uma mulher bonita, indelevelmente marcada com uma aura de competência calma. Muito mais sutil era o ar de autoridade que emanava dela também.
Virando-se, Jessy alcançou o casaco de camurça de corte ocidental que se encontrava no banco da frente na cabine da picape e o recolheu, fechando a porta do passageiro. 
A lamentação da roda livre de um semi na interestadual atraiu seu olhar para a rodovia dividida. Quase automaticamente seu olhar saltou para além dela para a varredura de longo alcance nas planícies que se estendiam ao norte.
Era uma grande terra, se espalhando embaixo de um céu ainda maior. Os estranhos viam monotonia em sua planicidade aparente sem discernir seus músculos se ondulando, mas Jessy havia nascido e se criado sobre as planícies ásperas e solitárias. Ela sabia que as riquezas que possuíam, também poderiam ser duras e implacáveis.
Aquela era uma terra que não se inclinava para a vontade de ninguém por muito tempo, mas para aqueles que escolheram viver com ela, havia uma recompensa a ser recolhida. 
A continuação da existência do Rancho Triplo C. era prova disso.
Quase com pesar, ela lançou seu olhar para longe da terra enorme e esquadrinhou a coleção de veículos estacionados no lote pavimentado do motel. 
A ausência de um em particular cortou um vinco confuso em sua testa quando olhou para o alto e magro cowboy esperando por ela no meio-fio.
Ele atendia pelo nome de Laredo Smith, embora Jessy soubesse há muito tempo que não era o seu verdadeiro nome, assim como sabia que ele era um homem com um passado que não iria suportar nenhum escrutínio. No entanto, ela nunca tentara descobrir a sua verdadeira identidade. 
No Triplo C., as pessoas ainda viviam pelos códigos do Velho Oeste. O primeiro deles era a regra não escrita que um homem seria julgado pelo que ele fazia, não pelo que tinha feito. E Laredo Smith provara sua lealdade e valor anos atrás. Mais do que isso, ela amava o homem, algo que ainda a espantava um pouco, especialmente quando recordava como certo que seu falecido marido era o único homem que ela nunca iria deixar de amar.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

A Solitária Estrela Cald.

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
Série Saga Família Cald.
Quint Echohawk é um homem da lei, não um fazendeiro, mas ele é um Calder por completo. 

E quando alguém se propõe a minar a propriedade dos Calder no Texas, é hora dele começar a investigar.
No momento em que Quint toca suas botas na sujeira existente no Texas, todos na cidade vivem com medo de Max Rutledge, o proprietário cruel de um rancho concorrente. 
Posando como um cowboy à procura de trabalho, Quint não tem ninguém em quem confiar além de "Empty" Vazio Garner e sua neta, Dallas. Em Vazio, Quint encontra um aliado firme e em Dallas, Quint encontra algo mais: a promessa de um futuro.
Em uma cidade onde a traição se encontra em cada esquina, onde cada porta destrancada, soco ou incêndio suspeito é apenas uma sugestão de coisas mortais que estão por vir, os Calder serão testados como nunca antes. E desta vez, poderia custar-lhes mais do que sua terra... poderia custar-lhes tudo.

Capítulo Um

A mãe natureza estava com um humor travesso. Enquanto o Texas tremia sob um céu nublado e um vento frio do norte, as planícies do leste de Montana desfrutavam das temperaturas médias, graças ao Chinook, um vento quente e úmido que soprava seu calor sobre o alto da pradaria.
Naquela terra grande e vazia que tinha sido uma vez o domínio dos poderosos Sioux, hoje mais de um milhão de acres estavam dentro dos limites da Calder Cattle Company, mais conhecida no ocidente como as raízes do Rancho Triplo C. Quint Echohawk tinha raízes profundas em seu solo. 
Sua mãe era a filha do patriarca da família, Chase Benteen Calder, e seu falecido pai, era um quarto Sioux.
Quint tinha herdado de seu pai, os olhos cinza esfumaçados, suas altas maçãs do rosto salientes e os cabelos pretos cintilantes. Mas havia muito do lado Calder nele também, visível na mandíbula de granito, no profundo conjunto de seus olhos, e na largura de seus musculosos ombros e peito.
Como um menino crescendo no Triplo C., ele fora apelidado de pequeno homem pelos vaqueiros do rancho. — Pequeno já mostrava como seria sua aparência, mas aos vinte e sete anos, tinha feito à transição completa para a idade adulta.
Com o sol da tarde quente em suas costas, Quint subiu os degraus da Casa Grande que há muito tempo, era a residência do clã Calder. 
O imponente edifício de dois andares era uma estrutura em escala grande, tornando-o visível por milhas como um navio branco maciço ancorado em um oceano de grama.
A Ação de Graças mal tinha passado, mas a Casa Grande já estava decorada no estilo do feriado com uma guirlanda de Natal na porta e uma guirlanda enroscada em torno de seus pilares de sustentação. 
Na luz do dia, uma infinidade de luzes cintilantes era invisível, mas elas estavam lá do mesmo modo.
Quint parou no topo da escada e se voltou para o levantamento do pátio do rancho com a sua expansão dos edifícios. 
Para uma pessoa de fora, a sede do Triplo C. se assemelhava a uma pequena cidade do interior e em muitos aspectos era isso mesmo.
Além do sortimento habitual de celeiros e galpões associados ao negócio do rancho, havia um comissário abastecido com uma variedade de suprimentos essenciais que corriam a escala de gêneros alimentícios e roupas de trabalho para peças de equipamentos e de veículos. 
Há alguns anos atrás uma seção tinha sido adicionada para proporcionar espaço para locação de vídeos e os correios do rancho. Outros prédios abrigavam um primeiro dispensário de auxílio, uma oficina de soldagem, e uma escola primária. 
Além do velho barracão-cozinha que servia refeições como um pequeno restaurante, ainda havia quase uma dúzia de casas que eram utilizadas para os peões casados e suas famílias.
Considerando-se que a cidade mais próxima ficava a cerca de duzentas milhas de distância, a fazenda em si cobria tanto terreno como alguns estados do leste, o Triplo C. e tornara-se autossuficiente em casos de necessidades e a família Calder controlava cada polegada dele.
Esse conhecimento estava na parte do passado da mente de Quint quando aleatoriamente passou o olhar sobre o grande aglomerado de edifícios. 
Pela vontade de sua mãe, ele iria desempenhar um papel importante na operação pecuária, embora ambos soubessem que as rédeas do Triplo C. acabariam passando para o filho de seu irmão, Trey. Quint não tinha nenhum problema com aquilo, convencido que aquele seria um papel para o qual Trey nascera para preencher. Mesmo Quint considerando que resolver o seu próprio futuro, ainda estivesse longe daquilo, como sempre, aquele problema era algo que Quint guardava para si.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

A Promessa Cald.

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
Série Saga Família Cald.
Esta é a história de Laura.

Laura é filha de Jessie e não é nada como sua mãe. 
Ela está percorrendo a Europa com sua “tia” Tara quando ela encontra dois homens: Boone Rutledge, filho de um rico barão de gado do Texas e Sebastian Dunshill, Conde de Crawford.










Capítulo Um

O brilho da luz de velas dava lisonjeiras boas-vindas aos hóspedes que chegavam à casa do conde e da condessa Valerie, um palácio do século XVI, no Capitólio de Roma. 
Aos vinte e um anos de idade, Laura Calder passava um olhar apreciativo sobre os afrescos e frisos que adornavam as paredes e tetos de um dos muitos salões do palácio, mas sua atenção se voltava rapidamente para seus colegas.
Nem todos se reuniram no salão de baile. Alguns, primeiro socializavam como ela, mostrando-se em torno do palácio, num passeio que Laura tinha terminado recentemente. 
Praticamente todos eram estranhos para ela, embora Laura reconhecesse vários rostos, identificando-os a partir de fotografias que tinha visto em qualquer sociedade ou páginas de negócios. 
Até agora, tinha visto um produtor italiano de cinema, um dignitário francês, um industrial americano, um ex-primeiro-ministro britânico, um enviado papal investido, e um autor vencedor do Prêmio Pulitzer.
No entanto, observando a multidão de notáveis e celebridades, Laura estava tentada a emitir um estridente "uau" apenas para assistir as ondas de choque que criaria entre tais. Ela séria e digna sorriu ao pensar em todas as sobrancelhas levantadas e narizes erguidos que lhe seriam dirigidos se o fizesse.
Talvez numa outra vez, decidiu.
— Desculpe-me, mocinha. — Entre a conversa estrangeira acontecendo em torno de Laura, a voz masculina rouca e um pouco exigente era muito distintamente americana com seu sotaque do Texas para não chamar imediatamente sua atenção.
Quando olhou ao redor para localizar a sua fonte no acusticamente pobre salão de baile, viu um homem mais velho em uma cadeira de rodas, posicionado de frente para as portas que se abriam para o pátio interior do palácio. 
Em um piscar de olhos, ela observou a prata grisalha de seus cabelos, a áspera fisionomia, a magreza forrada de idade de seu rosto, e a espessura de seu torso musculoso abaixo do corte fino do paletó, uma espessura que estava tão em desacordo com a esbelteza atrofiada das pernas.
Havia algo vagamente familiar sobre seu rosto, e sobre o fato de que ele pertencesse a um homem em uma cadeira de rodas, mas Laura não podia fazer a conexão para chegar ao seu nome. Tardiamente, ela notou que seus duros olhos escuros tinham se fixado sobre ela.
— Você aí. — Ele acenou para ela, depois parou e fez uma careta, incerto. — Você fala inglês?
Sua boca se curvou em um sorriso fácil. — Eu falo, de fato.
— Uma americana. Graças a Deus, — O homem murmurou meio baixinho, em seguida, quebrou o contato visual com ela e acenou com a cabeça em direção à porta. — Dê-me uma mão com esta porta. Eu preciso de um pouco de ar.
Laura percebeu a nota de frustração em sua voz e adivinhou imediatamente que se tratava de um homem que detestava a ideia de precisar da ajuda de alguém. Assim como seu avô, que se tornava muito irritável.
Certa que iria encontrar qualquer resposta verbal cansada, Laura não disse nada e simplesmente caminhou para a porta. Quando a empurrou, notou o limiar elevado e sabia que poderia representar um problema para ele, mesmo que a cadeira de rodas fosse motorizada. 
Sem dizer uma palavra, ela passou para ele a sua bolsa de noite, de contas e deu um passo para a parte de trás de sua cadeira. Segurando nas alças, lhe deu um empurrão e inclinando-a, virou-o para o pátio interior.
Com um toque dos controles, o homem virou a cadeira e correu um olho avaliador sobre ela, inspecionando a curva ascendente sofisticada de seus cabelos loiros; a finura esculpida de suas características, os diamantes que pendiam de suas orelhas, e a elegância da seda de seu vestido, a rica cor de chocolate intensificando o marrom escuro de seus olhos, contrastando com o ouro de seus cabelos.
— Você é mais forte do que parece. — Ele anunciou, sem fazer nenhum esforço para devolver a bolsa de noite.
— Vou tomar isso como um elogio. — Laura permitiu um pequeno sorriso em seus lábios.
— Qual o seu nome?
— Laura Calder.
— Calder, você disse? Qualquer relação com os Calder de Montana?

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

A Mudança do Vento Cald.

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Saga Família Cald.
Chase Calder não tem lembrança de quem ele é, porque foi parar em Fort Worth ou quem tentou colocar uma bala em sua cabeça na noite em que um vaqueiro chamado Laredo Smith salvou sua vida. 

Laredo o reconhece como o proprietário do Rancho Triplo C. em Montana, mas de acordo com os jornais locais, Chase acaba de ser declarado morto, vítima de um acidente de carro que se incendiou. O único lugar onde Chase pode encontrar respostas está no Triple C, e a única pessoa em quem pode confiar é sua nora de sangue frio, Jessy Calder. 
Ajudando Chase, Jessy entra em conflito com Cat, a teimosa Calder, numa aliança com Laredo Smith, misterioso e sedutor. E quando outro membro da família é encontrado morto em solo Calder, Chase resolve sair do esconderijo e rastrear um assassino cruel... antes que o assassino o encontre.

Capítulo um

A negritude rugia em sua volta e ele lutava para ficar à superfície de alguma forma, sabendo que se não o fizesse iria morrer. Os sons chegavam a ele como se viessem de uma grande distância, numa mensagem, como o raspar de sapatos no pavimento, a batida metálica de uma porta de carro e o zumbido agudo de um tiro.
Alguém estava tentando matá-lo.
Tinha que sair dali, mas no instante em que tentava se mover, a escuridão o invadia com uma força estonteante. Ele ouviu o estrondo da rotação de um motor de carro partindo. Incapaz de se levantar, rolou para longe do som dos pneus na fiação queimada da borracha quando outro tiro ecoou.
As luzes piscavam em um clarão brilhante. 
Havia perigo em si, ele sabia e tinha que chegar às sombras lutando contra a fraqueza que dominava seus membros, então se arrastou para longe da luz.
Sentiu a sujeira debaixo de suas mãos e enfiou os dedos dentro dela. Sua força se esvaia, e permaneceu deitado ali por um momento, tentando se orientar, e determinar a localização do homem que tentava matá-lo. Mas a dor lancinante na cabeça tornava difícil pensar logicamente. 
Estendeu a mão e sentiu a umidade quente em seu rosto e foi quando soube que tinha sido baleado. Resumidamente, seus dedos tocaram o vinco profundo onde a bala tinha rasgado o lado de sua cabeça. A dor o percorreu imediatamente em ondas negras.
Consciente que poderia perder a consciência a qualquer momento, pelo ferimento na cabeça ou pela perda de sangue, convocou os últimos vestígios de sua força e se atirou mais profundamente na escuridão. 
Com o sangue borrando sua visão, sentiu mais que viu os contornos sombrios de um poste e um corrimão. Parecia ser um curral de algum tipo. Empurrou-se em direção a ele, querendo qualquer tipo de barreira, não importando sua fragilidade, entre ele e seu perseguidor.
Houve um sussurro de movimentos à sua esquerda. Seu alarme interno disparou, mas não conseguia fazer seus músculos reagirem. Estava muito fraco quando olhou para o lado, e mesmo assim, viu um homem abaixado com um chapéu de vaqueiro, se esticando com uma pistola na mão.
Em vez de disparar, o vaqueiro estendeu o braço livre para ele. — Vamos lá. Vamos, segure aqui, meu velho, — o vaqueiro sussurrou com urgência — ele está lá em cima na passarela procurando uma posição melhor.
Ele agarrou o braço do vaqueiro e cambaleou como um bêbado aos seus pés, sua mente ainda tentando se envolver em torno da frase "meu velho". Apoiando-se pesadamente em seu salvador, cambaleou para frente, lutando contra a falta de jeito de suas pernas.
Depois de uma eternidade, o vaqueiro o empurrou para dentro da cabine de uma picape e fechou a porta. Ele caiu contra o assento e fechou os olhos, incapaz de convocar um mínimo de força. Estava ciente do deslizamento do vaqueiro atrás do volante e do motor começando a funcionar em seguida, e das vibrações do movimento.
Através dos olhos semicerrados, olhou no espelho lateral, mas não viu nada para indicar que estavam sendo seguidos. Estavam fora de perigo agora. Espontaneamente veio a advertência de que seria apenas temporário; quem quer que estivesse tentando matá-lo iria tentar novamente.
Quem teria sido? E por quê? Ele procurou as respostas e não conseguiu chegar a qualquer uma.
Era necessário usar muito esforço para pensar. Escolhendo conservar os remanescentes de sua força, olhou pela janela para os edifícios desconhecidos que ladeavam a rua.
— Onde estamos? 


Série Saga Família Cald.
1  Os Donos da Terra
2  A Terra dos Calder
3  A Luta pela Terra
4  O Amor pela Terra
5- O Orgulho Calder
6- A Grama Verde dos Calder
7- A Mudança do Vento Calder
8- A Promessa Calder

A Grama Verde dos Cald.

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Saga Família Cald.
Jessy Niles Calder não é o tipo de mulher para conduzir um homem ou ser conduzida por ele. 

Teimosa e orgulhosa, com suas raízes profundamente presas no solo Calder, sempre soube que Ty Calder era o homem para ela, mesmo que tivesse que esperar que ele abandonasse seu casamento sem amor com uma pobre menina rica, Tara.
Agora, como esposa de Ty, Jessy finalmente tem tudo o que sempre quis ― os laços fortes da família, um rancho próspero e a tão aguardada promessa de uma nova vida crescendo dentro dela... prova de seu amor por Ty. E então Tara retorna. Tão manipuladora quanto bonita, Tara nunca trouxe nada com ela além de problemas, e Jessy só pode se perguntar o que ela quer desta vez. Mas quando o poderoso pai de Tara morre, ela parece genuinamente quebrada e se apoia em Ty e sua irmã, Cat, procurando conforto e força. Logo, Tara está de volta à terra e em suas vidas, e nada é o mesmo.

Capítulo Um

O oceano ondulado de grama era como o ouro sob um forte sol de verão. A faixa de terra que cortava uma linha reta através do coração do que era uma pequena parte das milhas e milhas de estradas privadas que cruzavam o império pecuário de Calder Cattle Company, que era mais conhecido em Montana como o Rancho Triplo C.
Era uma terra que poderia ser abundante ou brutal, uma terra que não se inclinava para a vontade de ninguém, uma terra que eliminando os fracos e fracos de coração, tolerava apenas os mais fortes.
Ninguém sabia disso melhor do que Chase Benteen Calder, o patriarca atual do Triplo C. e um descendente direto do primeiro Calder, seu homônimo, que reivindicara quase seiscentas milhas quadradas daquela pastagem. 
Seu tamanho nunca fora algo do qual Chase Calder deixasse de se gabar; a maneira como olhavam para ele, sendo o maior, todo mundo já sabia, e se não o soubesse, ele logo lhes contaria. E o conhecimento tinha mais peso se ele não fosse o único a fazer a narração.
Para alguns, a enormidade do Triplo C. era uma coisa que provocava rancor. Os acontecimentos das últimas semanas eram prova disso. O frescor da lembrança se representava na sugestão de severidade em sua expressão quando Chase dirigia a picape do rancho ao longo da estrada bem batida, deixando um rastro de poeira para trás. Mas o passado não era algo que Chase permitisse tomar conta de sua mente. Executar uma operação daquela dimensão exigia necessariamente toda a atenção de um homem. Mesmo o menor detalhe tinha a capacidade de se tornar imenso se fosse ignorado. Aquela terra e uma longa vida tinham lhe ensinado tudo e mais, muito mais.
Foi provavelmente por isso que seus olhos penetrantes avistaram o fio de arame frouxo causado por um poste de cerca inclinado.
Chase freou a picape para uma parada, mas não antes do recolhimento ruidoso ao longo de um guarda de gado de metal. Ele deu uma ré até o guarda de gado, parou e desligou o motor.
Toda a força dos raios do sol batiam sobre ele quando Chase saiu da picape, mais velho e mais pesado, mas ainda um homem robusto e poderosamente constituído.
Os mais de sessenta anos que ele carregava tinham tomado um pouco da juventude de seus passos e acrescentara uma dose pesada de cinzas aos seus cabelos; os vincos estavam mais profundamente sulcados na pele maltratada pelo sol em torno de seus olhos e boca, dando um crestado para seu rosto, mas não diminuíra a marca da autoridade estampada em suas feições magras.
Voltando-se para a picape, Chase pegou um par de luvas de couro, de trabalho pesado, usadas fora da sede e se dirigiu para a seção da cerca frouxa em seis postes da estrada. 
Nunca ocorria a Chase solicitar alguém do rancho para corrigir o problema. Com as distâncias enormes que existiam no Triplo C., aquela seria a forma mais rápida de transformar um trabalho de quinze minutos em um de duas horas.
Com cada passo que dava a frágil, grama ressecada pelo sol estalava sob os pés. Suas hastes eram curtas e emaranhadas como esteiras perto do chão. Um tipo de grama de búfalo nativa, tolerante à seca e altamente nutritiva, o tipo de alimentação onde era possível colocar o peso dos bovinos e fora sempre um dos pilares do sucesso do Triplo C. por mais de cem anos.


Série Saga Família Cald.
1  Os Donos da Terra
2  A Terra dos Calder
3  A Luta pela Terra
4  O Amor pela Terra
5- O Orgulho Calder
6- A Grama Verde dos Calder
7- A Mudança do Vento Calder




domingo, 3 de dezembro de 2017

O Orgulho Cald.

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Saga Família Cald.
Cat é uma Calder, orgulhosa, obstinada, inteligente e extremamente bonita. 


Quando seu noivo é morto acidentalmente, ela se reclusa no lar da família para sobreviver, prometendo nunca dar seu coração a outro homem. 
Mas uma noite imprudente com um estranho bonito e de olhos cinza muda sua vida para sempre, esse encontro lhe dá um filho com olhos cinza impressionantes, igual ao do pai. Cat decide criar a criança por conta própria, como Calder, e morar com sua família no 
Triple C Ranch. Mesmo que a cidade tenha visto Cat crescer de uma menina para uma jovem mulher, eles a tratam como um pária quando eles descobrem que ela é uma mãe solteira. 
Apesar da riqueza e do poder de sua família - ou por causa disso, Cat é fofoca de na cidade, e é preciso todo seu orgulho para manter a cabeça erguida e ignorar o que ela sabe que está sendo dito atrás de suas costas. Mas Cat não pode ignorar o novo xerife, Logan Echohawk.
Não é a sua aparência rugosa que faz com que seu coração salte para uma batida diferente quando ele chega pela primeira vez na cidade. São seus brilhantes olhos cinza. Parece impossível, mas o homem que ela pensou que nunca mais veria é agora uma parte de sua vida - quer ela quer que ele seja ou não. E ele notará os olhos de seu filho e descobrirá o que prometeu nunca lhe dizer?
Cat encontra-se dividida entre a promessa de seu primeiro amor e sentimentos poderosos e inesperados pelo pai da criança. Com sua família firmemente atrás dela, e o futuro de seu filho em suas mãos, Cat deve decidir: Será que ela terá a chance de um novo amor e verdadeiro?

Capítulo Um

Uma brisa norte varria a pista de pouso privada e sussurrava através das bordas da grama. A grama verde crescia na terra dos Calder a qual se estendia em todas as direções, mais longe do que o olho humano podia ver.
Diretamente a sudoeste da pista de vôo estava à sede em Montana do famoso Rancho Triplo C., a casa da empresa de gado, Calder Cattle Company. Para bem mais de umas centenas de anos, a terra tinha provando o suor, o sangue e as lágrimas dos Calder.
Após muitas lágrimas, Chase Calder decidido, se apoiava pesadamente em sua bengala. Por um momento, seus grandes ombros estavam curvados do peso da dor que se abatia tão fortemente sobre ele. Mas não havia ninguém nas proximidades para ver aquela breve demonstração de fraqueza do patriarca da família Calder. Ele estava sozinho fora do hangar de metal da pista de pouso.
O zumbido de um avião bimotor fez Chase Calder endireitar seus ombros e levantar o olhar para o imenso céu azul sobre sua cabeça. Seus olhos aguçados rapidamente avistaram o avião fazendo uma aborgagem direta para a pista de pouso. Seu filho Ty estava nos controles, e sua filha Cathleen era a outra ocupante do avião.
O avião tocou o solo virando em sua direção. Chase olhou para o céu, a dor se intensificando em seu peito.
— Onde eu vou encontrar as palavras, Maggie? — Ele murmurou, falando como ele costumava fazer com sua falecida esposa.
Mas não havia palavras que pudessem aliviar a dor da notícia que ele carregava. Assim como não houvera nenhuma, para diminuir a dor profunda que sentira cinco anos atrás, quando soube que sua esposa Maggie tinha morrido no acidente de avião que o feriu tão gravemente.
Chase deslocou mais do seu peso sobre a bengala, com a expressão sombria, enquanto observava o táxi aéreo bimotor parar perto do hangar. Em poucos segundos após a parada dos motores, a porta traseira do avião se abriu e por ela saiu sua filha Cathleen de vinte anos de idade.
Seus olhos se suavizaram ao vê-la. De muitas maneiras, Cat, como a família a chamava, era a imagem de sua falecida esposa, com seus reluzentes cabelos de cor preta e com os olhos tão verdes como a grama dos Calder. Era uma combinação impressionante, tornando-se ainda mais impressionante pela mistura de delicadeza e força em seu rosto.
Simplesmente vestida com calça azul-marinho e uma blusa de seda branca, Cat veio em sua direção com passos rápidos e confiantes. Chase olhou brevemente para seu filho Ty que surgia do avião, experimentando uma onda familiar de orgulho por aquele homem de trinta e cinco anos alto e de largos ombros, que carregava o inconfundível selo de um Calder em cada linha dos ossos.
Mas era Cat quem o preocupava agora, aquela mulher adulta que era sua pequena menina. Chase levantou-se para ficar em pé,em ambos os pés, abandonando sua dependência da bengala,precisando ser forte para isso.
Com um sorriso nos lábios que a deixava positivamente radiante, Cat correu pelos últimos metros e colocou os braços ao redor dele, abraçando-o com força. Ele a abraçou e lembrou-se novamente da tremenda capacidade de emoção de sua filha, uma capacidade que poderia pender para os extremos do riso, da suavidade e da raiva.
— É tão bom voltar para casa, pai — declarou em uma voz fervorosa e em seguida, puxou-a de volta ao comprimento, seus olhos verdes brilhando de felicidade. — Onde está Jessy? — Ela olhou para além dele, então lançou um sorriso provocante por cima de seu ombro quando Ty se aproximou. — Não me diga que a noiva de Ty está fora em algum lugar perseguindo o gado?
— Ela está em casa. — Chase viu o elevar assustado da cabeça de Ty e a nitidez repentina de seu olhar quando ele intuiu que havia algum problema pairando no ar.
Cat não estava alheia a isso. 
— Espere até ver a camisola sexy que eu comprei para Jessy para sua noite de núpcias, pai. Pensando bem, talvez você não devesse. — Ela o observou e dando um passo para mais perto, endireitou o colarinho de sua camisa, dedicando-lhe um olhar repleto de encantos femininos. — Pelo menos, não até eu conseguir transformar isto em um casamento duplo. É ridículo que Repp e eu esperemos para casar somente depois de terminra a faculdade. Isso é...
—Cat. — Ele agarrou-lhe os pulsos para conter o movimento de suas mãos, e enganchou a bengala no braço. Ela olhou para cima, surpresa pelo tom duro de sua voz. — Tenho más notícias.
— Más notícias? — Seus olhos fizeram uma busca rápida de seu rosto.
— Não me diga que Tara decidiu contestar o divórcio de Ty no último minuto? Supunha-se que já estivesse terminado...
— Não, não é isso. O divórcio é final, — disse Chase. — É Repp. Houve um acidente na noite passada...
— Querido Deus, não!


Série Saga Família Cald.
1  Os Donos da Terra
2  A Terra dos Calder
3  A Luta pela Terra
4  O Amor pela Terra
5- O Orgulho Calder
6- A Grama Verde dos Calder


sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Carícias Compradas

ROMANCE CONTEMPORÂNEO

Em troca de amor, Lainie sofreu as piores humilhações.

Sozinha na cama, Lainie lembrou-se de como Rad a havia tomado nos braços, exigente, quase selvagem. De como lhe percorrera o corpo com mãos ávidas, invadindo-lhe a intimidade até que se sentisse satisfeito.
Agora Lainie teria de voltar para casa e explicar à mãe de que forma arranjara dinheiro...
Como resgatar a dignidade, depois de ter escolhido aquele caminho?

Capítulo Um

O céu lá fora estava azul, claro e límpido. O sol brilhava forte e quente. O verde das árvores que sombreavam as ruas era profundo, e os gramados, bem tratados, com seus arbustos rigorosamente aparados, contrastavam com o asfalto brilhante e escuro.
Nas casas de tijolos e madeira morava a sociedade culta, influente e estável de Denver, Colorado.
Lainie MacLeod, com os braços cruzados e mordendo o lábio num gesto nervoso, olhava fixamente pela janela, através da fina cortina de renda branca. Observava os dentes-de-leão amarelos que adornavam a entrada da casa.
Suspirou. O que realmente precisava era de um jardineiro que trabalhasse meio período, mas não havia como esticar o orçamento para poder pagá-lo. Teria, de alguma maneira, de encontrar tempo para cuidar do jardim, assim como havia feito com as outras tarefas da casa.
Não havia necessidade de fingir que o dinheiro andava curto. Lainie estava consciente de que seus vizinhos conheciam sua precária situação financeira. Claro que eles haviam notado a constante remoção de objetos valiosos da casa, apesar de isso ter sido feito com a mais absoluta discrição. Na verdade, só o orgulho fazia Lainie manter intata a imponente fachada da construção, pois não queria mostrar a ninguém o estado de quase penúria em que se encontrava.
Um conversível brilhante virou a esquina e estacionou à entrada da garagem. A motorista passou a mão nos fartos cabelos castanhos, antes de descer do carro.
Sorrindo, Lainie dirigiu-se para a porta, lançando um olhar para a escada que dava para o quarto de sua mãe; a última coisa que desejava era que a campainha a acordasse, pois havia acabado de pegar no sono. Isso significaria milhares de explicações para justificar a visita de Ann Driscoll, e Lainie não estava com disposição de explicar nada. 
Sua mãe nunca havia aprovado essa amizade, insistindo em que Ann não possuía nem o berço nem a cultura de Lainie. E isso não era verdade, pois os pais e o marido de Ann eram pessoas educadas, com boa situação financeira. Mas a Sra. Simmons dava exagerado valor à aparência: considerava Ann uma boêmia e a tratava como tal. A determinação de Lainie, porém, conseguira fazer com que aquela amizade se mantivesse.
Lainie considerava Ann sua única e verdadeira amiga, e sabia que ela a ampararia em qualquer crise. Assim, quando foi recebê-la na porta, estava feliz. Como sempre, Ann a cumprimentou com alegria; sua emoção se refletia nos lindos olhos azuis, que sempre transmitiam seus sentimentos, fossem eles de felicidade, tristeza, frivolidade ou raiva.
Mas, apesar de toda a alegria pelo encontro com sua melhor amiga, Lainie mantinha o ar preocupado, olhando da porta para o alto da escada. Quando as duas se dirigiram para a cozinha, nos fundos da casa, Ann estudou Lainie com o olhar. Para qualquer estranho, ela poderia parecer uma fascinante mulher assustada, mas para Ann, que a conhecia há mais de dez anos, os sinais de cansaço e tensão eram bem visíveis.
As olheiras escuras realçavam ainda mais os cílios incrivelmente pretos, e os olhos verdes amendoados revelavam noites seguidas de vigília. A saia xadrez, branca e marrom, estava larga na cintura e a blusa branca de linho, de mangas curtas, deixava à mostra os braços muito finos. Tudo indicava que a perda de peso de Lainie estava lhe roubando a energia. Mesmo seus cabelos castanhos, que haviam sido tão bem tratados e costumavam brilhar como cetim lustroso, estavam opacos. 
Lainie não tinha mais tempo para se importar com isso nem para cuidar de si própria; mantinha-os presos na nuca e afastados do rosto. O estilo severo enfatizava as maçãs proeminentes de seu rosto, mas o resultado não era muito bom.
Ann sabia que não adiantaria nada comentar a aparência da amiga; sorrindo, tentou disfarçar sua ansiedade e aceitou o copo de ponche que Lainie lhe ofereceu.
— Como está sua mãe? O médico já esteve aqui hoje? — Ann observou a ligeira ruga de preocupação que se formou na delicada testa de Lainie, antes que ela respondesse com suavidade:
— Sim. Ele achou que mamãe estava bem, o que a deixou muito irritada..

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Em Busca do Sol Poente

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Para continuar viva, Kit precisava fugir do amor!

Kit olhou para as estrelas que despontavam no céu.
Pensar em Reese Talbot num fim de tarde tão tranquilo era inquietante demais.
Maravilhava-se com o encanto da natureza quando som de passos avisou-a de que não estava mais sozinha. 
Na certa era Reese, o homem que invadira sua vida e parecia enxergar além dos limites que impusera ao mundo.
O homem que conseguira perceber a mulher sensual que ela sempre fizera questão de esconder. E Kit o temia por isso.
 Ninguém a faria mostrar o quanto era carente de afeto e ternura. 
Ninguém. Nem mesmo Reese Talbot, o conde de Danbury!

Capítulo Um

Kit Bonner passou por cima de um monte de neve que o vento empilhara no caminho que levava à porta de casa e suspirou. O céu estava coberto por nuvens cinzentas e a temperatura era tão baixa que ela sentia todos os músculos retesados.
Na varanda, sacudiu a neve das botas e olhou a paisagem desolada. Seus lábios pareciam congelados, e um amortecimento se espalhava por todo o corpo apesar das roupas que usava por baixo da calça de brim e do casaco de lã.
Mas Kit não se apressou a entrar na casa incrustada na encosta da montanha. Sua atenção estava voltada para a escuridão ameaçadora do céu, ao mesmo tempo em que se perguntava se aquela tempestade seria muito forte e se o gado nas pastagens a suportaria bem.
De repente um cavalo relinchou perto dos estábulos, atraindo-lhe a atenção. O animal estava com a cabeça apoiada na cerca do curral. Lew Simpson, um dos empregados da fazenda, se afastava com o chapéu bem enterrado na cabeça e o corpo inclinado para a frente a fim de se proteger do vento. Seu destino era o velho alojamento dos empregados, onde uma fumaça acolhedora saía da chaminé.
O olhar de Kit continuou a vagar em vão até que se deteve na estrutura da casa principal da fazenda. Desde que se conhecia por gente aquela construção era chamada de Casa Grande. Do topo da colina a velha casa oferecia uma vista extensa da região agreste da Dakota do Norte. Porém, não saía fumaça de suas chaminés nem luz de suas janelas. Estava vazia, com as portas e janelas trancadas.
A Casa Grande, abandonada, provocou-lhe arrepios e Kit comprimiu os lábios com força. Num impulso abriu a porta, entrou e fechou-a bruscamente, descalçando as grossas luvas de couro com movimentos nervosos.
— É você, Kit? — perguntou uma voz da sala de estar que ficava além da pequena cozinha.
— Sim. — Ela retirou o cachecol de lã que enrolara em volta do pescoço e o surrado chapéu de vaqueiro.
— Acabei de ouvir pelo rádio que vão transmitir notificações dos criadores.
— Sim, eu sei. — Kit não olhou para o avô enquanto pendurava o cachecol num gancho e desabotoava o casaco.
— Conversei com Sam McKenna hoje e pedi para que lançasse, por avião, um pouco de alfafa para as reses que Lew e Frank não conseguiram alcançar com o carro de neve. — Sua voz soava áspera e mal-humorada.
— Esperava tanto que tivéssemos ventos quentes do sudeste antes que a próxima nevasca chegasse!
— Se tudo acontecesse como a gente deseja.
— Sim, eu sei, Nate — interrompeu ela, impaciente, pendurando também o casaco.
Houve uma pausa antes que o avô perguntasse sem nenhuma reprimenda pela aspereza com que era tratado: — Apanhou a correspondência?
— Está no bolso do casaco. — Com a mão apoiada na parede Kit retirou dos pés as botas cobertas de neve enquanto o avô pegava a correspondência.
— Há alguma coisa em especial? — quis saber ele.
— Acho que só a correspondência de sempre. além de duas revistas.
— Bem, pelo menos teremos alguma coisa para ler se ficarmos presos pela neve.




quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Casamento em Acapulco

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


Quando Forest pediu Érica em casamento, ela quase desmaiou de felicidade. 

Mas teve que recusar... Um segredo a impedia de realizar seu sonho de amor, um segredo que Érica guardava a sete chaves: ela já era casada!
Em Acapulco, durante as férias, tornou-se mulher de Rafael de La Torres, envolvente mexicano de quem fugiu na noite de núpcias. 

Foi loucura, um capricho de garota mimada para desafiar o pai autoritário. 
E agora Rafael estava de volta para reclamar seus direitos de marido... Érica estava desesperada: seu coração pertencia a Forest, seu corpo a Rafael. E o arrogante mexicano ameaçava um escândalo se ela o repelisse!

Capítulo Um

A música era uma balada lenta e sentimental, e servia de tema de amor para os poucos casais que dançavam na pista. A iluminação fraca acrescentava magia ao momento, criando um enlevo romântico.
Um suspiro de felicidade escapou dos lábios de Érica, quando ela sentiu o contato acariciante dos lábios de Forest em seus cabelos escuros. Apertou ainda mais os dedos em torno do pescoço dele num gesto felino.
Inclinando a cabeça para trás. Érica fitou aquele rosto bronzeado, admirando-lhe a beleza, a força da mandíbula quadrada, a covinha no queixo e a linha sensual da boca de Forest. Os suaves olhos castanhos examinavam possessivamente o rosto dela.
Se falasse num tom normal de voz Érica talvez quebrasse o encanto, de modo que preferiu sussurrar:
— Eu pareceria muito antiquada e tola, se lhe dissesse que seria capaz de ficar assim a noite toda?
— Comigo ou com qualquer outro? — murmurou Forest, arqueando uma sobrancelha numa expressão zombeteira.
— Esta é uma das coisas que aprecio em você: nunca me leva a sério — a voz dela era suave e estremeceu com a profundidade daquela emoção. Érica encostou a cabeça no ombro de Forest, pois sabia que seus olhos violetas refletiam todos os seus pensamentos.
— O que mais você gosta em mim? — os lábios dele estavam roçando mais uma vez nos cabelos sedosos de Érica, acendendo chamas em suas veias.
— Não acha que está ficando convencido? — perguntou ela em tom de brincadeira.
— No que diz respeito a você, eu preciso de toda autoconfiança do mundo — ele a segurou com mais força junto ao corpo musculoso, como se receasse que ela fugisse. — Diga-me, o que mais você aprecia em mim?
Hesitante em revelar o quanto gostava daquele homem que era famoso por suas ligações despreocupadas com as mulheres, ela procurou adotar um ar alegre.
— Para começar, você é independente e muito seguro da sua capacidade. É bonito demais, para que uma garota possa ter paz de espírito. E esquivo, e sempre consegue evitar ser conduzido até o altar, ao mesmo tempo em que faz uma moça pensar que ela é a única na sua vida. — Érica desencostou a cabeça de seu ombro e fitou aqueles olhos cintilantes. Baixou as pálpebras para ocultar o brilho que havia em seus próprios olhos. — Uma garota sente vontade de se esquecer de tudo o que seus pais lhe ensinaram, quando você está perto.
— Nem todas as garotas — ele segurou levemente o queixo dela. Levantou-o e olhou pensativo. — Certamente não você. Naquela primeira noite em que saímos, eu já estava disposto a acreditar em todos aqueles boatos de que você era feita de gelo. Para ser sincero, Érica, você foi um desafio — ele sorriu com tristeza.
— Acho que ninguém nunca me disse "não" tantas vezes quanto você.
Ela procurou manter o controle da respiração.
— Quer dizer que todas aquelas vezes que você me convidou para ir ao seu apartamento, não era para ver a sua coleção de arte?


domingo, 12 de julho de 2015

Emoções Perigosas

ROMANCE CONTEMPORÂNEO





A vontade que Dani tinha era de esmurrá-lo, de bater no seu peito até derrubá-lo no chão, prostrado. Mas se lhe perguntassem, não saberia explicar por que odiava tanto Barrett King. Ele era frio, arrogante e mulherengo, claro. Tinha sido o responsável por ela ser obrigada a deixar os cavalos de corrida que adorava. Barrett lhe provocava emoções violentas demais, tão selvagens quanto os cavalos que estava acostumada á treinar. 

De uma coisa estava certa: precisava domar aquele homem que se julgava um deus. No entanto, era ele quem insistia em domá-la, cobrindo-a de beijos que queimavam mais que uma chicotada. Dani detestava Barrett! Mas... Como afastar o desejo que começava a consumir seu corpo como um fogo ardente?

Capítulo Um

A palha farfalhava sob as patas dos cavalos inquietos em suas baias. Pela porta semiaberta, cabeças de alazões e baios enfileiravam-se na direção do sol ardente.
Dani Williams olhou de relance por sobre o pônei cinza que estava selando, os olhos castanhos observando a figura atarracada de seu pai, que fazia a inspeção final no grande puro-sangue avermelhado. A tensão pairava no ar.
Os músculos do cavalo enrijeciam-se enquanto ele se afastava de Lew Williams, as patas movendo-se levemente sobre o chão com a graça inata de um bailarino. Um cavalariço segurava firmemente as rédeas, às vezes sendo quase levantado pelo pescoço forte do animal.
Roque comportava-se mal por puro prazer. Era forte e selvagem, corajoso. E, o que era mais importante, era um cavalo de corrida puro-sangue. O pai de Dani sempre dizia que se um homem tivesse sorte, veria um animal como aquele pelo menos uma vez na vida.
O garanhão de dois anos tinha atingido quase dezessete palmos de altura, e ainda continuava crescendo. Mesmo assim, não era apenas o tamanho de Roque que impressionava. Havia a imensa dilatação das narinas para aspirar o ar, tórax largo para permitir que os pulmões se enchessem em toda a sua capacidade e, mais importante que tudo, o desejo natural de correr.
Roque havia corrido três vezes e nas três ganhou facilmente. Na quarta vez em que foi para o pódio nem deixou o portão de largada. Sempre rebelde, irascível, na hora da corrida ele parecia um barril de dinamite. Tentou abrir o portão de largada à força e machucou a perna dianteira direita.
Para um cavalo do calibre de Roque nenhum ferimento era insignificante. Por dois meses cuidaram dele como se fosse um bebê, não permitindo que a contusão se transformasse em algo mais sério. E, hoje, finalmente era o dia em que Roque seria testado.
Um movimento atraiu o olhar de Dani para o homem esguio que caminhava em sua direção, uma sela de corrida sobre o ombro. Ela tentou esboçar um sorriso de cumprimento.
— Eu já tinha quase esquecido como é acordar com o raiar do dia — Manuel Herrera disse ao chegar a seu lado, a cabeça castanha vários centímetros abaixo da dela.
— A manhã está deliciosamente calma — Dani murmurou, apertando a barrigueira de sela. — O que você acha, Manny? Roque está pronto?
Os olhos castanhos profundos viraram-se para ela. Manuel não respondeu e Dani, que havia passado a maior parte de seus dezenove anos na companhia de frágeis cavalos de corrida, sabia que não havia resposta certa para sua pergunta. Quando um animal daqueles corria, todo o seu peso se equilibrava, em determinado momento, em uma pata, cujo tornozelo não era maior do que o de um dançarino.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Aconteceu Naquelas Férias

ROMANCE CONTEMPORÂNEO



Jolie suspirou aliviada, quando chegou na Louisiana no sul dos Estados Unidos.

Ah, como seria bom passar as férias naquela terra encantada, cercada de fazendas lindíssimas! Pretendia descansar ali para esquecer seus problemas, mas quando conheceu Steve Cameron sentiu sua tranquilidade seriamente comprometida. Steve, um moreno atraente, com irresistíveis olhos azuis, dizia que não queria nada com ela. 

"Virgens inocentes não fazem o meu gênero", garantia. Apesar disso, ele a beijava de uma forma que homem algum faria. Jolie não sabia o que pensar. Devia ir embora para esquecer Steve? Ou ficar? Seu coração apaixonado exigia que ela lutasse por aquele amor impossível.

Capítulo Um

Com relutância, o cavalo cedeu à pressão com que lhe puxavam as rédeas, desistiu da grama do pasto e começou a descer vagarosamente a pequena trilha de terra. Aos quinze anos, ele raramente galopava como antes, quando era um animal jovem e vigoroso; nem se detinha em morder as correias que lhe prendiam a boca, preferindo guardar energias para espantar com a cauda os insetos que tanto o incomodavam.
O animal sabia que outubro se aproximava, e com ele o outono, pois as folhas das árvores começavam a ficar amarelas e no céu grandes bandos de pássaros moviam-se inquietos, esperando o momento da migração anual para lugares menos frios. E, se os dias ainda eram quentes, de noite o fogo nas lareiras já era bem-vindo.
Não gostou quando lhe exigiram maior velocidade, mas devia satisfazer quem o montava. Felizmente, o corpo sobre seu dorso era leve e as mãos que seguravam as rédeas, gentis. Depois de demonstrar como ainda podia galopar, se assim o quisesse, permitiu-se voltar a um passo mais vagaroso. Uma mão acariciou-lhe o pescoço, como um prêmio pelo esforço, e ele sentiu que já podia parar e se ocupar com o capim que crescia, apetitoso.
A garota sentada em seu dorso suspirou profundamente e soltou as rédeas. Suas pernas se prendiam perfeitamente ao animal que pastava, satisfeito. Ela sentia o calor do sol sobre os braços nus, enquanto fitava a paisagem ao redor. Se prestasse atenção, certamente veria os sinais do frio que se aproximava, mas seu olhar vagava, perdido.



sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Desejo Proibido

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Mitch Braden... que sujeito petulante! 

Só porque era um homem atraente e um piloto de carros de corrida bastante famoso, ele não tinha o direito de flertar descaradamente com Susan, na frente do noivo dela! 
Será que ele não via que ela usava um anel de noivado, que tinha casamento marcado para breve, que levava a sério seus compromissos? 
Que homem descarado! Por que ele não desistia logo, não ia embora da cidade de uma vez por todas? Mas será que era isso mesmo que Susan queria? 
Por que, então, seu coração batia tão acelerado e seus joelhos tremiam tanto cada vez que Mitch se aproximava, tocava sua mão?


Capítulo Um

A luz bruxuleante da vela criava uma atmosfera de suave intimidade na sala normalmente bem iluminada, provocando nos cabelos loiros de Susan reflexos castanhos. Os doces olhos azuis dela pousaram sobre o homem sentado diante dela. 
Pela milésima vez admirava as feições sérias, quase arrogantes, de Warren Sullivan, seu nariz aristocrático, os olhos negros e impassíveis, os cabelos negros. Ele não olhava para Susan, mas observava a sala com a expressão atenta e séria. Parecia distante e solitário num mundo só dele, como se ela não existisse. 
Inclinando-se, Susan estendeu o braço e tocou de leve a mão de Warren. Com o movimento, a blusa branca se abriu um pouco, revelando a parte superior do sutiã de renda. O toque dos dedos bem feitos de Susan trouxe-o de volta à realidade. 
A sombra de um sorriso se desenhou nos lábios de Warren, que colocou sobre a mesa o cálice que segurava e apertou a mão que o acariciava. Susan tentou ignorar a ausência de calor do sorriso, atenta só à admiração que via nos olhos dele. 
— Vamos fazer um bom casamento, Susan. — A declaração fria e objetiva foi feita em voz baixa, como se ele, depois de meditar sobre o assunto, tivesse chegado a uma conclusão satisfatória. Susan sorriu. Já estava acostumada com a falta de romantismo de Warren e não se aborrecia. Ele não havia se declarado a ela, apenas anunciara que iam se casar. A aceitação da sua decisão era tida como certa. 
— Posso perguntar ao ilustre advogado por que chegou e essa conclusão? — murmurou Susan, olhando-o com indisfarçável ternura. 
— Porque, minha querida — respondeu Warren, com seu meigo sorriso tão característico — , durante o dia você é racional e eficiente. Não se percebe o menor traço da criatura sensual e feminina que está diante de mim neste momento. Por isso nosso casamento será bem-sucedido: como eu, você não permite que as emoções se misturem ao trabalho. — Ou que o trabalho se misture às emoções. — Isso também, claro. — Ele deu de ombros, como se aquilo fosse de secundária importância. Susan respirou.
Havia momentos em que se perguntava se Warren a amava de verdade. Felizmente ele sabia como convencê-la, e Susan lamentou que estivessem num lugar público, pois gostaria que ele a tomasse nos braços e reafirmasse o seu amor.
Ela passou os dedos pelas bordas do cálice, distraída, os olhos fixos em Warren. Como se percebesse que estava sendo observado, ele ergueu os olhos e encontrou o olhar de adoração de Susan. 
— Às vezes me pergunto se algum dia a teria notado, se papai não tivesse ficado doente e eu não tivesse sido obrigado a representá-lo na festa de Natal. Você já trabalhava lá há muito tempo... dois anos, não é? 
— Quatro — corrigiu Susan, delicada. — Dois anos como datilógrafa e dois como secretária dele.