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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

O Homem que Veio do Mar

ROMANCE CONTEMPORÂNEO

Aquela pequena ilha no litoral oeste do Canadá era o paraíso de Kristin. 

Lá ela vivia, em companhia do pai apenas, inocente e feliz. Até que um dia, no meio de uma tempestade, um estranho naufragou na costa da ilha. 
Um homem ferido e sem memória, cujo olhar calou fundo no coração de Kristin. Ele sabia que se chamava Nathan, mais nada. Com ele Kristin aprendeu o companheirismo, a sensualidade e o amor. 
Deslumbrada, confiou nele, entregou-se a ele. Então alguém chegou com notícias. Notícias terríveis! Mas era tarde demais. Kristin já estava irremediavelmente apaixonada...


Capítulo Um

 Menos de meia hora depois de seu pai ter saído, Kristin MacKenzie ouviu um ronco de motor de barco. Tinha bom ouvido e reconheceu, pelo ruído, que não era o barco de seu pai voltando, nem o ruído mais profundo do pesqueiro de Luther. Quem mais poderia estar vindo visitá-la? Estava cuidando do jardim e pôs-se de pé, tirando as luvas de jardinagem, sujas de lama. 
Atravessou o gramado, passando pelo depósito de ferramentas e pela cabine de rádio, para chegar até a plataforma. Era ali que ficava o farol, alto, sólido, pintado em listras vermelhas e brancas, com seu grosso olho de vidro encarando eternamente a vastidão do oceano Pacífico. Debruçou-se na cerca e deu uma olhada no ancoradouro. 
Um veleiro pequeno vinha entrando por entre as rochas pontudas que protegiam o ancoradouro. Era azul brilhante, com um homem ruivo no leme: Del Clarke. Ele veio depressa, pensou Kristin, apertando os lábios, certa de que aquela visita na ausência de seu pai não era mera coincidência. Alguém devia ter contado a ele que Dugald MacKenzie tinha saído para a visita que fazia duas vezes ao ano a Port Alberni. Del não teria vindo se soubesse que o velho estava ali. 
Dugald podia ter quase sessenta anos, mas seu corpo sólido ainda era muito ágil e seus olhos suficientemente ferozes para manterem afastados os pretendentes. Só que no caso de Del Clarke, Kristin achava até bom que o velho fosse tão bravo. Viu que Del amarrava o veleiro e começava a subir lentamente os degraus íngremes de madeira da encosta. Aparentemente ainda não tinha percebido que ela o observava. 
Kristin se escondeu atrás do farol. Desde criança, quando ela e o pai tinham vindo morar ali na ilha Sitka, o farol tinha sido sempre um símbolo de segurança e abrigo, o grande facho de luz brilhando como a própria alma da ilha. Apoiou-se à parede e mordeu o lábio indecisa. 
Podia se esconder no bosque até que Del fosse embora. Ou então chamar Alice pelo rádio e pedir que ela mandasse Luther em seu socorro. Porém, corajosa como era, empinou a cabeça e deixou que um brilho agressivo tomasse conta de seus olhos cinzentos. Afinal, era a sua ilha. Por que deveria esconder-se de Del Clarke? 
Podia enfrentá-lo sem a ajuda de ninguém! Seu pai ia ficar fora duas semanas e ela não poderia passar esse tempo todo fugindo do pescador de cabelos de fogo. Endireitou os ombros, respirou fundo e saiu de trás do farol. 
— Procura alguém, Del? Ele se virou bruscamente e Kristin percebeu que tinha conseguido assustá-lo. Já era uma vantagem. 
— Dugald não está aqui — disse. — Portanto, perdeu sua viagem. 
— Você sabe muito bem que não vim aqui para ver o seu pai, Kristin MacKenzie. É você que eu quero ver — ele disse, rindo. 
— Para quê? — Ela fingiu surpresa.