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domingo, 29 de junho de 2014

As Neves do Himalaia

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


Enfrentando o frio, a escuridão, 

as nevascas, o vento gelado, Jeanne escalava o pico Dhaulagiri, um dos mais altos do mundo. 

Queria encontrar Bryant, o homem a quem amava e que partira dias antes, para alcançar, pelo lado mais traiçoeiro, o topo da montanha. 
Cansada, quase morta de frio, Jeanne não distinguia mais o dia da noite, a fantasia da realidade. 
Tudo se confundia, naquela solidão sem fim. Havia momentos em que não se lembrava de nada, a não ser da promessa de encontrar Bryan no topo do mundo. 
Isso, se ele sobrevivesse: os alpinistas que já haviam tentado tal façanha nunca mais voltaram. E Bryan podia ter o mesmo destino: ficar esquecido para sempre nas neves eternas do Himalaia. 


Capítulo Um 

Alto, forte e de ombros largos, ele dominava a sala toda, não só pelo físico, mas também com a voz e pelo riso gostoso. 
Observando-o a distância, Jeanne Patrick perguntava a si mesma se o considerava atraente e respondia que não, embora a sua opinião com certeza não fosse a da maioria, pois o homem estava cercado de mulheres lindas e sorridentes, que o olhavam, extasiadas, disputando-lhe a atenção. 
Scott se aproximou dela, voltando do bar, onde tinha ido minutos antes para apanhar uma bebida e obter algumas informações. 
— Seu martini, Jeanne. — Em seguida, abaixando a voz, fez sinal na direção do homem na outra extremidade da sala e comentou: 
— Aquele é Bryant. 
— Já sei — ela disse, enquanto segurava o copo. 
— Ouvi alguém dizer o nome dele enquanto você foi buscar a bebida. 
Permaneceram em silêncio durante alguns minutos, absortos na contemplação de James Bryant, para quem Penélope Palmer tinha organizado a festa naquela bela mansão, com o objetivo de apresentá-lo à sociedade de San Francisco. 
Dominic, irmão de Jeanne, amigo de Bryant desde antes de terem escalado juntos os Alpes suíços, havia conseguido os convites para eles. Scott tomou um gole de seu uísque e encarou Jeanne, com ar decidido. 
— Acho que está na hora de irmos até lá conversar com o sujeito. A gente se apresenta e pronto. 
Ela sentiu o coração bater um pouquinho mais forte. Estreitou os olhos, fitando mais uma vez aquele homem de aspecto dominador, e logo desviou a vista para a bebida. 
— Não, Scott Ainda não. 
— Mas, querida. . . 
— Por favor, não insista, eu. . . simplesmente não quero. 
Jeanne desconhecia o motivo pelo qual estava resistindo à ideia de ir conversar com Bryant. Apenas vagamente, com uma intuição ainda não bem definida, tinha sentido um leve tremor de apreensão, forte o suficiente para impedi-la de mover um passo na direção dele. 
Os olhos azuis de Scott manifestaram surpresa, mas ele preferiu acatar o pedido, limitando-se a arquear os ombros num gesto de desolação. 
A cada minuto que passava o salão mais se apinhava de gente, a maioria formando pequenos grupos que conversavam animados, copos nas mãos, enquanto vários garçons se desdobravam para atender a todos. 
E Penélope Palmer continuava na porta, recebendo novos convidados.