
As mulheres de Hollywood desfilam pelo Rodeo Drive em suas Mercedes e Rolls-Royces, transformando a simples rotina das compras num ritual para poucas iniciadas..
Almoçam alegremente no Maison e no Bistrô, alimentando-se de saladas frias e intrigas quentes, intrigas que muitas vezes apressam a ascensão ou a queda de seus próprios destinos.
Vivem num círculo encantado tornado possível pela fortuna e fama de seus maridos, sempre ameaçadas pelas jovens famintas que pretendem penetrar no seu meio — ansiosas por trocar seus corpos e sua beleza pela chance de fazer parte daquele mundo mágico.
É um mundo varrido pelas tormentas do dinheiro, da paixão e, principalmente, do poder.
Porque o poder é o segredo, a própria essência da vida em Hollywood.
Capítulo Um
Elaine Conti despertou em sua cama luxuosa de sua luxuosa mansão de Beverly Hills, apertou um botão para abrir as cortinas controladas por um mecanismo elétrico e foi confrontada pela visão de um jovem de camisa de malha branca e jeans, mijando num arco perfeito em sua piscina de ladrilhos.
Ela fez um esforço para sentar, tocando a campainha para chamar Lina, a criada mexicana, ao mesmo tempo em que punha um roupão de seda e enfiava os pés nas chinelas rosas.
O jovem completou sua tarefa, puxou o zíper da calça e afastou-se calmamente.
— Lina! — berrou Elaine. — Onde você está?
A criada apareceu, inescrutável, calma, indiferente aos gritos da patroa.
— Tem um intruso na piscina! — disse Elaine bruscamente, muito excitada. — Chame Miguel! Ligue para a polícia! E verifique se todas as portas estão trancadas.
Imperturbável, Lina começou a recolher os detritos da mesinha de cabeceira de Elaine. Lenços de papel sujos, um copo de vinho pela metade, uma caixa de bombons vazia.
— Lina! — berrou Elaine.
— Não fique nervosa, senora — disse a criada, estoicamente. — Não tem intruso. Apenas o garoto que Miguel mandou para cuidar da piscina. Miguel está doente. Não veio esta semana.
Elaine ficou vermelha de raiva.
— Por que não me disse antes?
Ela foi para o banheiro e bateu a porta com tanta força que uma gravura emoldurada desprendeu-se da parede e caiu no chão, o vidro se espatifando. Criada idiota. Mulher estúpida.
Era impossível hoje em dia arrumar bons criados. Eles vinham. E iam embora. Não se importavam se você era violentada em sua própria casa.
E aquilo tinha de acontecer quando Ross estava longe, filmando em locação.
Miguel nunca se atreveria a alegar que estava doente se Ross estivesse na cidade.
Elaine tirou o roupão e a camisola, entrou no jato revigorante do chuveiro frio como gelo. Rangeu os dentes.
A água fria era melhor para a pele, esticava tudo.
E Deus sabia que ainda precisava, mesmo com a ginástica, ioga e aulas de dança moderna.
Não que estivesse gorda. Nada disso.
Não havia um grama a mais em todo o seu corpo. Estava ótimo para os seus.
Quando eu tinha treze anos era a garota mais gorda da escola. Etta, a Elefoa...
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